Economia

Por que sua empresa deve falar sobre diversidade?

Iniciativa auxilia empresas a trabalharem com as diferenças

Não existem duas pessoas iguais, dessa maneira deveríamos estar acostumados a conviver com as diferenças, porém esta não é a realidade em nossa sociedade. Felizmente, grande parcela das pessoas segue um caminho que não aceita e nem tolera o preconceito. Tratar sobre esse assunto dentro das empresas, principalmente naquelas que prestam atendimento ao público, é essencial para uma melhor convivência e maior respeito.

Para a professora em gestão de pessoas, Talita Raquel de Oliveira, haver diversidade dentro das empresas é essencial para a criatividade e inovação. “As empresas conseguem inovar com criatividade, e essa é facilitada quando há diversidade na equipe. O convívio com o diferente aumenta nossa criatividade”, comenta Oliveira.

Ponto importante que a professora e pesquisadora destaca é que diversidade não deve ser utilizada apenas para questões de gênero e sexualidade, mas sim para todos os tipos de diferenças em nossa sociedade. “É comum hoje quando falamos em diversidade pensarmos em questões de gênero e sexualidade, e sim essas também são questões importantes, mas pessoas devem poder falar abertamente também de suas religiões, culturas, raça”, comenta Talita.

Para ela as empresas ainda não estão tão abertas a trabalharem sobre essas questões. “Não há o discurso sobre diversidade dentro das empresas, claro que é o respeito quanto aos funcionários, mas são poucas que proporcionam um ambiente onde isto pode ser discutido”, relata.

“Os funcionários da empresa também precisam querer discutir sobre esses temas, pois se eles não estiverem abertos a dialogar sobre o assunto, não surgirá efeito”, destaca Talita Oliveira.

Uma das principais causas para isso, segundo a professora, é o objetivo final das empresas: ganhar dinheiro. “Ainda não temos pesquisas que comprovem que tratar sobre diversidade aumenta o lucro das empresas, mas podemos temos certeza que isto aumento a qualidade do relacionamento interpessoal, melhora o ambiente de trabalho, o que traz melhor produtividade, inovação e criatividade”, acrescenta Talita.

Talita aponta que algumas multinacionais e grandes empresas já disponibilizam políticas sobre diversidade. “Podemos citar a SAP, a Dell, a rede de hotéis Ibis e o mercado Carrefour”, aponta.

Em 2016 a rede de marcados Carrefour lançou uma cartilha de valorização da diversidade, onde trabalha sobre várias questões como etnia, sexualidade, pessoas com deficiência, classes sociais, entre outras. Para acessar a cartilha clique aqui, e para saber mais aqui.

Iniciativa Freeda

“Com o maior acesso a informação e direitos, hoje, as pessoas já não suportam mais preconceitos”, comenta Guilherme Ferreira, co criador da Freeda, uma iniciativa que tem como foco empoderar as mulheres e a população LGBT na luta contra a bi-homo-lesbo-transfobia e toda forma de sexismo, envolvendo entidades públicas e privadas na promoção de boas práticas.

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Ferreira explica que a iniciativa começou em 2014, e partiu da ideia de criar um aplicativo que mapeasse os locais onde a diversidade fosse respeitada, principalmente quanto ao público LGBTQ. A ideia foi adaptada e se tornou o selo “ESPAÇOS DE DIVERSIDADE”  , que tem o objetivo divulgar e valorizar instituições dispostas a adotar políticas de respeito à diversidade e à igualdade de gênero em suas atividades com o público e em suas políticas internas.

Para receber o selo as empresas devem se comprometer a seguir os princípios da Freeda e precisam passar por um curso de capacitação. “O curso é oferecido de duas maneiras: em turma, ou inCompany, onde estudamos as necessidades da empresa se adaptando aos seus horários”, comenta Guilherme.

O Espaço 900  recebeu o selo em dezembro de 2016. “Um de nossos sócios sempre foi engajado em causas LGBTs e tinha conhecimento da Freeda. Como nossos princípios são parecidos com os propostos pelo selo, resolvemos realizar o curso com nossos funcionários”, conta César Marroni Burigo, sócio da empresa. Burigo comenta que outra questão que os levou a procurar o curso da Freeda foi para melhor atender o público que frequenta o estabelecimento.

“Queríamos saber mais para poder tratar melhor nossos clientes”, César Marroni Burigo.

Outra questão importante para aderirem ao selo é a falta de posicionamento das empresas. “Sabemos que nem todos os lugares são receptivos com as diferenças. Queremos nos posicionar e mostrar que todos são bem acolhidos em nossa casa”, destaca César.

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Equipe do Espaço 900 com o selo Espaços de Diversidade. (Reprodução/ Facebook)

Até hoje, os locais que já receberam o selo em sua maioria são bares, restaurantes ou estabelecimentos com atendimento direto ao público, porém Guilherme acrescenta que ele é destinado a qualquer tipo de empresa. “Acaba que por atenderem pessoas, bares e restaurantes acabam por nos procurar mais, mas o curso é a todas as empresas, principalmente por ele também trabalhar com as relações entre funcionários”, destaca Guilherme Ferreira.

Para saber mais sobre a Freeda e seus trabalhos, acesse o site aqui.

 

 

 

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