Política

Politicamente Mulher: Conheça a trajetória da primeira prefeita negra do Estado

Série da Beta Redação irá apresentar as sete prefeitas eleitas da região do Vale

Daniela Tremarin, Ellen Renner, Graziele Iaronka, Paloma Griesang e Victória Freire

A Beta Redação preparou uma série especial para apresentar as sete prefeitas eleitas na região do Vale. Neste primeiro episódio iremos abordar as estatísticas da representatividade feminina na política. A partir de agora você conhece um pouco sobre cada uma dessas mulheres. Começamos nossa viagem indo até Dois Irmãos conversar com a prefeita Tânia Terezinha da Silva.

Negra, mulher e prefeita

O município de Dois Irmãos é marcado por um acontecimento importante e histórico: elegeu nos anos de 2012 e 2016 a única prefeita negra do Rio Grande do Sul. Tânia Terezinha da Silva, 53 anos, natural de Novo Hamburgo, mostra diariamente o porquê dos cidadãos darem a ela a confiança para governar o município. Empenhada e sempre em busca de um lugar melhor para os habitantes, a prefeita construiu aos poucos a sua carreira política em Dois Irmãos.

Técnica em enfermagem, Tânia se filiou ao PMBD em 1996 para se candidatar a vereadora. Diante do seu perfil solidário, ela se elegeu como a quarta vereadora mais votada da cidade. Entretanto, em 2000, a atual prefeita não se elegeu e acabou assumindo a coordenação do Posto 24 hora de Dois Irmãos. Mas isso só fez com que Tânia ganhasse ainda mais força na política.

Em 2008, ela voltou como presidente da Câmara. Diante de tantos feitos, Tânia foi convidada a concorrer à Prefeitura,  junto com o atual vice-prefeito Jerri Adriani Meneghetti (PP). Dona de um olhar focado em mudanças, ela se tornou a primeira mulher prefeita da cidade em 2012. Com um legado cheio de histórias, a prefeita no ano passado se elegeu novamente ao cargo com o seguinte ideal: “Buscar sempre uma cidade melhor para a população”.

 

 

Cota para as candidatas

Desde 1995, o Código Eleitoral brasileiro determina uma cota para a candidatura de mulheres na política. A Lei 9.100 estabelecia que no mínimo 20% das vagas de cada partido ou coligação deveriam ser preenchidas por pretensões do gênero. Já em 1997, a Lei das Eleições 9.504 determinou a reserva de no mínimo 30% e máximo 70% para candidaturas de cada sexo. Tendo em vista que a redação vigente não resultava na ocupação efetiva de mulheres nas eleições, a Lei 12.034 de 2009 promoveu uma alteração no parágrafo 3, artigo 10, estabelecendo a obrigatoriedade do preenchimento deste percentual.

Meses antes de sofrer o processo de impeachment, a ex-presidenta Dilma Rousseff sancionou a Lei 13.272, instituindo 2016 como Ano do Empoderamento da Mulher na Política e no Esporte. Ambos os setores demonstravam disparidade de gêneros, refletindo a cultura patriarcal sobre cargos de prestígio nacional. Ironicamente, em âmbito global, a petista estava entre as dez mulheres que ocupavam a posição de Chefe de Estado, de acordo com levantamento da ONU Mulheres.

Dados compilados pela União Interparlamentar Internacional em março de 2017, evidenciam que as legislações pouco contribuem para a participação de mulheres na esfera em questão. O Brasil é o 153ª colocado no ranking de representatividade feminina na política, entre os 193 países analisados. Perde para vizinhos como Uruguai, Argentina, Equador e Chile.

Na tentativa de modificar esse cenário, medidas para alternância de gênero vêm sendo discutidas com a reforma política. É o caso da lista fechada, a qual prevê que os partidos incluam um político de gênero distinto em cada grupo de três na lista de candidatos para 2018. Também tramita no Congresso a PEC 98, de 2015, que reserva cadeiras femininas na Câmara dos Deputados, nas Assembleias Legislativas, na Câmara Legislativa do Distrito Federal e nas Câmaras Municipais, nas três legislaturas subsequentes.

As mulheres na política em números

Mesmo com as leis que buscam de alguma forma inserir as mulheres na política, a participação ainda é pequena perto do número de candidatos e eleitos homens. Apesar das mulheres serem a maioria entre os eleitores brasileiros (52,2%), os homens ainda ocupam a maioria dos cargos públicos.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas Eleições de 2016, dos 496.895 candidatos, 338.442 (68,11%) eram homens e 158.453 (31,89%) eram mulheres. Fazendo um recorte regional, podemos ver mais claramente essa diferença.  Dos 28.849 candidatos que disputaram cargos políticos em 2016 no Rio Grande do Sul, 19.613 (67,99%) eram homens, enquanto 9.236 (32,01%) eram mulheres. Entre os candidatos a vereador 17.380 (66,05%) eram homens e 8.933 (33,95%) mulheres, praticamente o dobro. O número é ainda mais gritante entre as candidatura a prefeito.  Dos 1.258 candidatos, 1.147 (91,18%) eram homens, e somente 111 (8,82%) mulheres.

 

 

Mas podemos pensar que se as mulheres são a maioria dos eleitores, elas podem escolher colocar uma maioria de mulheres nos cargos, certo? Errado. Se até aqui os números ainda não bastaram para convencer que as mulheres ainda são uma minoria na política, os números de eleitos podem assustar. As diferenças são ainda maiores. Do total de 63.341 eleitos no país, 54.879 eram homens e apenas 8.462 mulheres. No Rio Grande do Sul dos 5.396 eleitos, 4.558 eram homens e somente 838 mulheres. Entre os 486 prefeitos eleitos, apenas 31 são mulheres.

 

Ainda assim, as mulheres que chegam lá estão ocupando importantes espaços na esfera política e na sociedade em si. Mesmo sendo minoria, representam a inserção feminina nesses espaços. Quando falamos de prefeitas, o impacto é ainda maior.  Das 31 prefeitas eleitas no Estado, sete se encontram no Vale dos Sinos e na Mesorregião de Porto Alegre.

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