Economia

Pioneiro do crowdfunding no Brasil estará no TEDx Unisinos

Evento, que começa na manhã desta sexta (30), contará com transmissão ao vivo na web

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Carlos Pereira é responsável por um dos primeiros projetos de crowdfunding no Brasil / Foto:  TEDx Unisinos

Você ajudou a financiar o projeto de alguém hoje? E ontem? E na semana passada? Desde 2011, quando o crowdfunding chegou ao Brasil, o financiamento coletivo tem sido uma alternativa para quem quer colocar em prática a sua ideia. Nesta sexta-feira (30), às 9h, o TEDx Unisinos abrirá a sua programação com o palestrante Carlos Edmar Pereira, criador de um dos primeiros esquemas de crowdfunding no Brasil.
Em 2008, Pereira lançou uma campanha para arrecadar 40 mil dólares para o tratamento da sua filha – a primeira brasileira a fazer um tratamento com células-tronco. “Eu comecei o crowdfunding com apenas R$ 10 em uma conta poupança que abri no nome da minha filha. Fiz tudo pela internet e no final de seis meses arrecadei os 40 mil dólares para o tratamento”, conta.
Com esse espírito inovador e com a repercussão do tratamento da filha de Pereira, investidores estrangeiros olharam para o Brasil e questionaram se valeria a pena abrir uma clínica de fisioterapia no país. “Eu respondi que sim, e que Recife seria o melhor local. Trabalhei bastante para convencê-los disso e, em 2009, eles enviaram um contêiner com 2,5 toneladas de equipamentos médicos”, relata.
A vinda de Pereira para o TEDx Unisinos também se dá por sua habilidade em inovações. “Depois de um ano que a clínica estava funcionando, eu vi que minha filha estava tentando se comunicar. Foi daí que surgiu a necessidade de criar o Livox – aplicativo que permite que pessoas com deficiência se comuniquem em português. Eu criei o Livox na minha casa, mas a clínica foi um excelente laboratório, pois pudemos testá-lo com centenas de deficiências diferentes”, conta Pereira.

O TEDx Unisinos tem como tema “ideas for everyday life” (ideias para a vida cotidiana), seguindo o lema do TED – “Ideas worth spreading” (ideias que merecem ser espalhadas). O evento ocorre no Teatro do Sesi, na FIERGS (Av. Assis Brasil: 8787, Porto Alegre – RS) e o credenciamento inicia às 8h. A abertura oficial ocorre às 9h, com encerramento previsto para às 15h. Caso você não tenha se inscrito ou não poderá se fazer presente, haverá transmissão ao vivo, via streaming, pelo site, onde também está disponível a programação completa.

 

Crowdfunding segue como tendência

Valor arrecadado ultrapassou o que era pedido/Foto: Reprodução Catarse

Valor arrecadado ultrapassou o que era pedido/Foto: Reprodução/Catarse

Campanhas de financiamento coletivo não são exatamente uma novidade desde que surgiram programas como Criança Esperança e Teleton. No entanto, esse tipo de campanha tem crescido desde que Pereira buscou fundos para o tratamento da filha, por exemplo. Para que tais campanhas não dependessem somente de doações em contas bancárias, surgiram alguns sites que facilitaram os financiamentos, como a Catarse, por exemplo. E prova do crescimento do crouwdfunding no Brasil é a pesquisa realizada pela própria Catarse, em 2013. Entre os 3336 entrevistados, 54% apoiaram entre dois e cinco projetos de financiamento coletivo. Além disso, 68% dos empreendedores que participaram da pesquisa afirmaram o potencial dos financiamentos coletivos.

Para o jornalista Douglas Hinterholz Cauduro, 22 anos, o financiamento coletivo possibilita que as pessoas consigam realizar um projeto e colocá-lo à disposição de mais gente um trabalho interessante. “Ele demonstra uma boa capacidade de solidariedade, pois é a oportunidade de ajudar o outro”, afirma.
Cauduro conseguiu em setembro, junto à catarse, o valor necessário para a publicação do seu livro “Ditadura militar: a cobertura de cinco jornais de porto alegre em 1964”. A campanha durou 50 dias e os livros ficarão prontos em fevereiro de 2016. O montante arrecadado (R$ 5.040)  foi ainda além do que o que era pedido (R$ 4.900). “Eu estava preocupado  se conseguiria o valor, pois considerava relativamente alto e, na Catarse, caso tu não consiga o valor solicitado, tu não leva nada”, comenta.
Em troca da doação, Cauduro disponibilizou a quem repassou R$ 25 ou mais, um volume do seu livro. “Eu queria que as pessoas conseguissem o livro a baixo custo, então, quem doasse já garantia o seu”, explica, afirmando que também ajudará em outras campanhas.  

Vamos juntas?

Campanha pretende arrecadar valor para criação de portal/Foto: Reprodução/Catarse

Campanha pretende arrecadar valor para criação de portal/Foto: Reprodução/Catarse

A Catarse também está hospedando uma campanha de crowdfunding para a criação de um portal para o movimento Vamos Juntas? (que tem como objetivo incentivar meninas, jovens e mulheres a andarem acompanhadas umas das outras como forma de evitar casos de violência). Segundo a criadora do movimento, Bárbara Souza Santos, mais conhecida por Babi Souza, o objetivo é criar um portal para continuar fazendo com que o Vamos Juntas? cresça através da página no Facebook e também em offline. “Sabemos que a página reúne milhares de meninas (a maioria muito jovem) que tem vontade de saber mais sobre empoderamento, feminismo e sororidade além de necessitar saber mais sobre formas de driblar a violência contra a mulher. Acho que o mundo precisa de mais conteúdo sobre esses assuntos e queremos muito dar esse presente para as nossas fãs. E acho que é essencial pelo fato de que a página atinge meninas muito jovens que estão conhecendo o feminismo e a sororidade através da página. Plantar essa sementinha é a certeza de um mundo mais igualitário mais ali na frente”, explica Babi.
Os valores das doações variam entre R$ 20 e R$ 1.000, fazendo com que as recompensas se diferenciem pela doação.

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