Cultura

PERFIL: Jones Christ

Desde muito cedo, por volta dos três anos, Jones Christ já demonstrava sensibilidade artística, e foi aos nove que realmente botou em prática os estudos. O incentivo? Partiu da doméstica da escola na qual estudava e de professores que o acompanhavam.

As primeiras experiências foram trabalhos em tecido que, emoldurados, viravam quadros. Foi assim por muitos anos, já que o acesso a materiais nobres era extremamente difícil e caro.

Natural de Salvador do Sul, há 11 anos o artista escolheu Harmonia, também no Vale do Caí, para sua produção artística. Jones mantém um ateliê e galeria no centro da cidade, junto com uma loja especializada em decoração e onde também dá aulas de pintura.

Foto: Castor Becker Júnior/C5 NewsPress

Foto: Castor Becker Júnior/C5 NewsPress

O estilo expressionista permite que ele navegue em temas diversos. Mas algumas pessoas dizem que é impressionista, e há ainda quem diga que ele não segue um estilo padrão, mas sim uma “escola diferente”, nova. Ele começou a expor seus trabalhos participando de exposições coletivas em Montenegro, no Vale do Caí, em 2003, com um grupo de amigos. Em 2004, fez a primeira exposição individual em Salvador do Sul, sua cidade natal.

Com o tempo começou a participar de eventos mistos, até quando, neste ano, expôs a série Sobre Faces e Fases no Centro Cultural Erico Verissimo (CCCEV). Em fevereiro, apresentou seu trabalho na Casa de Cultura Professor José Geraldo Caú, em Araruama, no Rio de Janeiro. Em março, no Instituto Cultural Germânico, em Niterói, e no Sobrado Weber, em Tupandi, em abril. Em maio, irá expor na Academia Calçadense de Letras em São José do Calçado, Espírito Santo. E os trabalhos não param. Para 2017 e 2018 já estão sendo preparadas novas mostras.

Responsável pelo Centro Cultural Erico Verissimo, Verônica Fernandez, 35 anos, conheceu Jones através do Instituto Brasileiro da Pessoa. Ela propôs ao CIEE que fizessem a curadoria de algumas exposições de artistas talentosos do interior do Estado, para que seus trabalhos fossem apoiados.

Esse foi seu primeiro contato com o artista, e a curadoria que fez sobre a montagem da exposição Sobre Faces e Fases resultou em um contato mais próximo, dando a oportunidade para que ela entendesse melhor suas técnicas, seu estilo e o processo de criação.

“Passei, então, a admirar as matizes por ele utilizadas, as camadas. A sensação é que o Jones está num momento de descoberta e de transição dentro da carreira artística dele. Gosto muito do trabalho e tenho uma profunda admiração pela maneira como aprendeu, por ser autodidata e por estar sempre buscando novas técnicas e trazendo isso de uma forma muito presente para as telas que produz”, explica.

 

Exposição de Jones em Araruama, Rio de Janeiro/Foto: Arquivo Pessoal Jones Christ

Exposição de Jones em Araruama, Rio de Janeiro. (Foto: Arquivo Pessoal Jones Christ)

 

Para ela, o artista ainda será uma grande referência no Estado, devido ao seu potencial dentro da linha na qual está se desenvolvendo. Suas obras falam por si, mas o artista, ao mesmo tempo, consegue transmitir esse conhecimento. “Nosso objetivo é traduzir ainda mais a personalidade do Jones, o foco, essa paixão pela arte, envolvendo as pessoas nesse processo criativo. Na próxima mostra, em 2017, vamos trabalhar mais com os retratos, buscando inovar nas referências”, conclui.

Com 31 anos e 20 de estrada, algumas mostras no Estado e obras vendidas a outras partes do país, as exposições de 2016 foram as primeiras dele fora do Rio Grande do Sul. Sobre Faces e Fases reúne mais de 100 obras, cuja produção iniciou ainda em 2014, e tem como inspiração a preservação das riquezas naturais e humanas, utilizando fragmentos da natureza e figura de crianças.

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