Esporte

Os desafios do skate feminino

Entenda como é a prática feminina no estado

Os esportes radicais fazem parte da realidade brasileira, mesmo que em menor escala se comparados a outros. Contudo, quando pensamos em mulheres nesse tipo de esporte, não é tão fácil lembrarmos de nomes femininos, ainda mais quando relacionamos o gênero com um esporte como skate.

Com origem norte-americana, por volta da década de 50, a história mais disseminada é a de que o esporte surgiu na Califórnia devido a surfistas procurarem outra alternativa quando o mar não estava propenso ao surf. No Brasil, há nomes conhecidos como o de Sandro Dias (Mineirinho), Bob Burnquist e Rony Gomes, e mulheres como Letícia Bufoni e a jovem Pâmela Rosa.

No Rio Grande do Sul, há iniciativas em diversas regiões da Grande Porto Alegre, mas sempre vias alternativas de um esporte ainda pouco valorizado. O responsável pela Federação Paulista de Skate Roberto Maçaneiro conta que o skate, esporte inicialmente considerado masculino e de classes mais baixas, vêm evoluindo com o tempo. Ele revela que o estereótipo da contracultura sempre existiu e vai existir, mas que a repercussão midiática e os bons resultados femininos em competições, conquistando títulos ao país, abrem o cenário para um esporte menos discriminado.

Questionado sobre os investimentos para a prática feminina do esporte no Brasil, Maçaneiro acredita que não há investimento para mulheres e homens como um todo. “Pela profundidade social que o skate tem, hoje em dia ele se tornou uma prática elitizada, mudou de uma contracultura para uma cultura. O skate se elitizou pelos atletas, roupas, marcas, música, cultura. O skatista não é mais aquele garotinho pobre, agora ele é um profissional que atinge os mais diferentes níveis de qualidade”, revela.

A skatista Isabelle Espinosa Villa, de 17 anos, conta que conheceu o esporte por meio da televisão. Ao se interessar de imediato, pediu para a mãe como presente de Natal um skate, e ao ganhar, começou a andar e não parou mais. A jovem conta que a maior dificuldade inicial foi a de achar um lugar para praticar, já que em sua cidade não há pista de acordo com a modalidade que pratica.

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal

Villa nunca sofreu nenhum tipo de preconceito pela prática. Por ter amigos também envolvidos com skate, isso nunca foi um problema. A família pensou que seria apenas uma fase, mas respeitaram ao ver que estava se tornando algo sério. Ela acredita que o esporte está sendo visto de maneira mais positiva nos últimos tempos, tanto o esporte em si como a prática feminina nele. Com patrocínio, ela representa sua cidade em competições estaduais e sente-se orgulhosa por isso, já que pratica por amor.

Com apenas 15 anos, Ariadne de Souza Silveira se interessou pelo esporte ao ver vídeos no YouTube. Inicialmente, achou difícil a questão do equilíbrio e as lesões, mas vê como aspecto positivo a vida saudável e ativa que o esporte proporciona. Com preconceito dos pais na prática, a jovem conta: “Meus pais não curtiram muito a ideia e hoje são as provas vivas da quebra dos paradigmas em relação ao preconceito”.

No vídeo abaixo, você confere as manobras de Ariadne do seu arquivo pessoal:

Já a jovem Kamila Eduarda Pacheco da Silva, de 17 anos, conta que começou a andar de skate aos 11 anos, após tempo de insistência para ganhar um skate. “O que me atrai é que mesmo sendo um esporte individual, existe muita união, todo mundo junto, se ajudando, e juntando aquela graninha para por um refrigerante no fim da sessão, além de proporcionar momentos e tantas outras coisas boas”, revela Silva.

A jovem conta que se houvesse mais incentivo, mais meninas praticariam, mas revela que o esporte vem evoluindo, até mesmo na forma como as mulheres são vistas dentro dele.

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal

 

 

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