Economia

Pedalar em busca de novos negócios

Com maior mobilidade, bicicletas são as novas "queridinhas" para quem busca empreender de uma maneira diferente

Talvez o jovem Pierre Lallement, que à época tinha apenas 20 anos, nem soubesse que sua invenção faria tanto sucesso. Na Paris de 1963, o jovem fabricante de carrinhos de bebê criava a primeira bicicleta com pedais. Hoje, jovens empreendedores usam a obra do francês para alavancar seus negócios.

Magrelas, elas estão em diversos mercados

As bicicletas são a nova febre para quem quer apostar em um negócio próprio de maneira diferente. Sem pontos fixos, as bikes, como são carinhosamente chamadas pelos seus donos, trazem liberdade para que o empreendedor esteja em diversos lugares diferentes.

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Quem passa pela estação São Leopoldo no final da tarde e começo da noite, por exemplo, sabe que vai encontrar uma bicicleta um tanto diferente. É a do Gustavo Stofel. Ele criou uma food bike para vender panchos uruguaios, a Yuca Food Bike. Sabe aquela cena clássica em que o Chaves vende refresco em uma barraquinha em frente à vila? Foi esse episódio que despertou em Gustavo a vontade de ter um projeto diferente, quando ele ainda era um guri. “Lembro que vi um personagem vendendo limonada, eu ainda era criança, mas já sonhava em ter meu próprio negócio”, conta.

Já adulto, ele trabalhou como garçom até juntar dinheiro para abrir o próprio restaurante. O local era temático e trazia tudo do universo futebolístico. “Infelizmente não deu certo, porque era muito específico”, explica. Então, Gustavo voltou a sua antiga função e, novamente, fez uma poupança e guardou uma verba para investir em um novo negócio.

Lendo sobre os food trucks, que são pequenos caminhões equipados com cozinha e que vendem lanches, descobriu as food bikes. Gustavo, que é muito preocupado com a questão de sustentabilidade, viu que este formato seria perfeito para seu novo empreendimento. Diferente da maioria das bicicletas, que tem o carrinho atrás, a de Gustavo fica bem na frente. Ele encomendou uma grande bancada de madeira para guardar os condimentos e montar seus pratos.

Em agosto de 2016, ele saiu pela primeira vez com a bike pelas ruas de São Leopoldo. O jovem empreendedor começou vendendo wraps, uma espécie de sanduíche enrolado e recheado com alface, cenoura e frango. Porém, como ele utilizava muitos produtos diferentes, a comida acabou ficando muito cara. Gustavo começou a pensar, então, em algo diferente, que fosse mais em conta para o público e que, além disso, tivesse uma boa saída e ainda não existisse na cidade. Foi aí que ele começou a vender os panchos. Além de ter seu ponto fixo na estação, ele ainda leva a bike para a praça Amadeo Rossi, no centro.

Yuca Food Bike vende panchos uruguaios no centro de São Leopoldo (Foto: Yuca Food Bike/ Facebook)

Yuca Food Bike vende panchos uruguaios no centro de São Leopoldo (Foto: Yuca Food Bike/ Facebook)

No início, Gustavo percorria as ruas da cidade com a bike, mas, como o seu invento ficou muito pesado e ele já estragou duas rodas, agora ele empurra a magrela até o lugar onde vende os lanches.

Para o arte finalista Adriano Trindade Ribeiro, a ideia das bikes é muito boa. “É uma ótima proposta, porque eles conseguem estar exatamente onde o público está. Ele não fica preso a uma loja, pode levar o negócio para qualquer lugar”, opina Adriano, que é cliente de Gustavo e aprova os lanches.

Bikes além das comidas

Mas se engana quem pensa que as bikes estão ligadas apenas à gastronomia. O negócio criado pela Engenheira Civil e Designer de Produtos Cristiane Philippsen é a prova disso. Ela desenvolveu a marca Borbulha Sabonetes Artesanais e usa uma bike para vender os produtos em feiras na cidade de São Leopoldo.

Bicicleta recebeu pintura, banco de couro e flores (Foto: Borbulha / Facebook)

Bicicleta recebeu pintura, banco em couro e flores (Foto: Borbulha / Facebook)

Cristiane conta que começou a fazer os sabonetes depois de ver um vídeo no Facebook. “Achei legal e queria fazer sabonetes com bichinhos dentro para os meus filhos”, explica. Ela começou a pesquisar sobre o assunto, assistir tutoriais e comprou os primeiros materiais para produção. “A ideia inicial não era vender, mas, sim, presentear”, revela.

A produção começou em outubro do ano passado, com a proposta de fazer lembrancinhas de Natal para seus familiares. O resultado foi tão bom, que logo alguns amigos começaram a sugerir que Cristiane vendesse. Foi então que ela fez kits especiais de Natal e Ano Novo, e as vendas foram muito boas. Com o saldo positivo, começaram as indicações e Cristiane passou a ser convidada para participar de bazares. Mas então surgiu a dúvida: como apresentar o trabalho nas feiras? Foi aí que surgiu a ideia da bike. Na verdade, a grande criadora da ideia foi a mãe de Cristiane. “Em uma viagem ao Rio de Janeiro, ela viu muitas bikes de vendas por lá, tirou fotos e me mandou”, conta.

A bicicleta é nova, tem apenas um mês, mas Cristiane percebe que ela chama atenção nas feiras, o que ajuda muito na hora de vender os produtos. “Ainda é novidade por aqui, então as pessoas vêm até a bike para ver. E dá pra usar a criatividade e decorar de várias formas”, acrescenta. Cristiane também fez algumas adaptações na bike: pintou a caixa, colocou logo da empresa, trocou o banco e colocou flores.

Outro exemplo de negócio sobre duas rodas é a Empório Makephyna. A loja bike itinerante foi criada pela vendedora Rossana Romero. Ela faz vendas diretas de produtos de beleza desde 2015, mas conta que, na segunda metade de 2016, as vendas não foram tão boas. E como alavancar as vendas em um momento tão delicado na economia? Rossana pensou na bike!

Produtos de beleza são vendidos pelas ruas da capital (Foto: Empório Makephyna/ Facebook)

Produtos de beleza são vendidos pelas ruas da capital (Foto: Empório Makephyna/ Facebook)

“Eu via muitas pessoas vendendo comida em bikes, foi assim que surgiu a ideia de vender cosméticos em uma bicicleta”, explica. Ela começou a pesquisar e descobriu um fabricante em Sapucaia do Sul. Encomendou uma magrela-loja e, em janeiro, ela ficou pronta. Sob um guarda sol, ao lado de placas indicando as marcas dos produtos, Rossana atende com bom humor as clientes que chegam até a sua bike loja itinerante. Os resultados estão sendo favoráveis, conta a empreendedora. Ela circula pelos bairros Bom Fim, Rio Branco e Cidade Baixa, na capital.

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