Política

Participação política feminina: a pequena gigante

Mesmo sendo maioria da população e tendo ao seu lado leis de incentivo à participação política, mulheres ainda têm representatividade mínima entre os políticos brasileiros

Segundo o governo federal, as mulheres são maioria no Brasil entre os eleitores, representando 51,7% do total. Em contrapartida, a atuação delas em cargos políticos ainda é bastante pequena. Embora esteja em constante crescimento, o percentual de candidaturas ocupadas por pessoas do sexo feminino foi de 31,7% do total nas últimas eleições municipais em 2012, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Para Bruno Lima Rocha, cientista político e professor de Relações Internacionais da Unisinos, esse é um problema sobretudo cultural: “O que podemos observar é que o fato de as mulheres serem maioria na população, no mercado de trabalho, no ensino formal (incluindo o superior), não leva imediatamente a uma ruptura dos papéis sociais, e há reprodução de uma cultura onde há elementos de subordinação, ou ao menos de dupla jornada. Também podemos observar que o debate de gênero ficou meio que estigmatizado nos últimos quatro anos em função do avanço de ideias regressivas, retrógradas e conservadoras. Por fim, a garantia de 30% nas nominatas não implica necessariamente em maior participação ou poder das mulheres – menos ainda feminista – no acionar da política tradicional”.

Bruno comenta, ainda, sobre o preconceito sofrido pelas mulheres na sociedade e como isso reflete na sua atuação na política:

“Nos partidos e agrupações à esquerda, a participação das mulheres é corriqueira, usual mesmo. Nas legendas mais conservadoras, vemos participação de mulheres no papel de empresárias ou herdeiras políticas – como esposas, filhas e netas –, e esta condição de partida abre várias portas. Em geral, podemos avaliar que ambientes hostis ou eminentemente masculinos inibem a participação, não apenas na política, mas em ambientes desportivos, de forças policiais, por exemplo, ou espaços sociais onde o comportamento masculino seja desavergonhado, sem ponderações. Nesse sentido, entendo que a política profissional, mesmo a praticada em base fisiológica ou de interesses particulares, tem certa compostura – mesmo quando teatralizada – e formalmente não inibe a participação das mulheres. Nas entrelinhas e na dimensão subjetiva, são mais hostis”.

Para entender melhor o assunto, a Beta Redação mostra essa realidade e seus números através dos traços, dados e reflexões. Confira nos quadrinhos:

 

 

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