Cultura

Palcos públicos têm condições limitadas e programação escassa

Apesar de receberem apresentações, quase todos os teatros têm dificuldade para manutenção e precisam de reparos

Nas principais salas de teatro públicas de Porto Alegre, o cenário encontrado é paradoxal. Se, por um lado, os espaços seguem recebendo apresentações – à exceção do Teatro de Câmara Túlio Piva; por outro, praticamente todos precisam de reparos pontuais e sofrem com a falta de recursos e dificuldade de obtê-los junto ao poder público.

A seguir, uma perspectiva sobre a situação dos teatros públicos da capital.

 

Centro Municipal de Cultura Lupicínio Rodrigues

Sede do Teatro Renascença e da Sala Álvaro Moreyra, o Centro Municipal de Cultura responde institucionalmente à Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre. Praticamente na esquina das avenidas Érico Veríssimo e Ipiranga, o espaço recebe apresentações via edital público de seleção, além de contrapartidas esporádicas da iniciativa privada. A partir das inscrições, os espetáculos são selecionados por uma comissão curadora escolhida pela coordenação de Artes Cênicas da capital.

De acordo com o coordenador Fernando Zugno, que trabalha há mais de dez anos no festival Porto Alegre em Cena, o objetivo da administração atual é tornar o local uma espécie de centro de convivência. “Queremos revigorar o lugar, torná-lo mais agradável e aconchegante, pensando em apresentações com fôlego de mídia e de público e promovendo discussões do público com os artistas”, declara.

Administração do Centro Cultural Lupicínio Rodrigues pretende torná-lo um espaço de convivência. Foto: Paulo Egidio/BetaRedação

Centro Cultural Lupicínio Rodrigues reúne duas salas de teatro que pretendem promover convivência. Foto: Paulo Egidio/BetaRedação

 

Zugno também afirma que a ideia da coordenação é inverter a lógica hoje posta, em que grupos de teatro apresentam-se em escolas púbicas municipais. “Quero trazer os alunos aqui, para que eles percebam a magia do teatro sem improvisações, permitindo que vejam apresentações na plenitude e sejam capazes de instigar o olhar”, entusiasma-se. E completa: “O público da periferia deve se apropriar, pois o espaço também é deles”.

O lançamento do edital de ocupação para o segundo semestre está previsto para o mês de maio. Assim, o calendário será preenchido até o final do ano. Além dos grupos de teatro selecionados, o Centro Municipal Lupicínio Rodrigues recebe também apresentações de dança e música, além de espetáculos do Porto Alegre em Cena e do Festival Palco Giratório do Sesc.

Ambas as salas sofrem com dificuldade na manutenção e em alguns equipamentos, o que não se repete na parte técnica, na qual profissionais especializados em som e luz atendem à demanda da casa. O centro conta ainda com estacionamento para cerca de 40 veículos, além de possuir um bar no espaço, que serve, inclusive, almoço aos visitantes.

 

Com capacidade para 273 pessoas, o Teatro Renascença é a maior sala municipal em atividade. O ambiente dentro da sala é agradável em dias de outono, já que o ar condicionado se encontra avariado e não possui previsão de conserto. “Os ventiladores e splits até amenizam o calor, mas não dão conta em dias muito quentes”, revela Fernando Zugno. Cerca de um quarto do assoalho do palco também está comprometido e alguns assentos estão sem o encosto. Segundo Zugno, não há expectativa de destinação orçamentária para realizar as recuperações necessárias.

Palco do Renascença sendo preparado para receber espetáculo. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

Palco do Renascença sendo preparado para receber espetáculo. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

 

A Álvaro Moreyra é uma sala multiuso, que possui 90 cadeiras móveis e recebe, além de espetáculos de teatro, palestras, seminários e outras apresentações. Diferentemente do Renascença, seu ar condicionado opera de forma eficaz. Os únicos reparos apontados pela coordenação de Artes Cênicas são a troca de alguns assentos e a aquisição de um ciclorama – tela clara para projeções.

Entrada da Sala Álvaro Moreyra. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

Entrada da Sala Álvaro Moreyra. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

 

Para o mês de maio, está prevista a realização da primeira edição do Festival #JuntosPelaCultura, no estacionamento do Teatro Renascença. É uma parceria das secretarias municipal e estadual da cultura. Há, ainda, a programação do Palco Giratório, que se estende por todo o mês. O destaque vai para a peça Caio do Céu, com textos de Caio Fernando Abreu, marcada para o domingo, dia 07, às 21h.

Praticamente todos os espetáculos (de teatro, música, dança e afins) têm a mesma tabela de ingressos: R$ 10 para comerciários e dependentes com Cartão Sesc/Senac, estudantes, classe artística e maiores de 60 anos; R$ 15 para empresários e dependentes com Cartão Sesc/Senac; e R$ 20 para o público em geral.

Há também apresentações do projeto Usina da Artes agendadas para a Sala Álvaro Moreyra. Está previsto o infantil A Arca de Noé, agendado para o dia 07, às 15h, o espaço receberá, nos dias 20 e 21, O Casal Palavrakis e, em todas as quartas-feiras do mês, às 20h, o espetáculo Vermelho Esperança. Os ingressos variam entre R$ 20 e R$30.

 

Teatro de Câmara Túlio Piva

Fechado há cerca de quatro anos, o Teatro Túlio Piva precisa de reparos substanciais em sua estrutura. Com a base do edifício seriamente deteriorada, uma reforma é urgente para que o prédio volte a funcionar e a receber apresentações de teatro. De acordo com o coordenador de Artes Cênicas de Porto Alegre, Fernando Zugno, já existe um projeto de reconstrução do local, feito pela Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov), não executado por falta de recursos.

O custo total da obra giraria em torno de R$ 3,5 milhões. “Estamos determinados a buscar um projeto de fomento – seja privado, de pessoa física, o que for – para devolver o Teatro à cidade”, declara Zugno. Ele admite que a saída mais provável é a realização de uma parceria público-privada. “O importante é ‘amarrar’ bem para que o ente privado não tome conta da programação, mas se não for dessa forma, não será”, lamenta.

Portões do Túlio Piva estão fechados há 4 anos. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

Portões do Túlio Piva estão fechados há 4 anos. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

 

Usina do Gasômetro

Um dos maiores centros culturais da América Latina, a Usina do Gasômetro respira arte. Hoje, de oito a dez espaços em seus seis pavimentos recebem apresentações de teatro, selecionadas por meio do programa Usina das Artes. Contudo, as atividades no local estão prestes a sofrer uma longa interrupção: até o final de maio, a Usina do Gasômetro iniciará seu processo de revitalização completa, ficando fora de operação por cerca de um ano e meio.

Com US$ 3 milhões captados a fundo perdido da Cooperação Andina de Fomento (mesma que financia a obra na Orla do Guaíba), a Usina sofrerá reparos importantes e muitas modificações em sua estrutura. Assim, mais de 90% dela já foi totalmente desocupada.

Conforme o diretor do espaço, Luiz Armando Capra Filho, mais do que uma reforma espacial, a Usina terá uma nova forma de administração depois de reaberta. “O prédio será gerido por uma organização social, que poderá explorá-lo comercialmente”, revela. Segundo ele, isso possibilitará que o gestor público responsável trabalhe apenas na área cultural, ao invés de se preocupar com “lâmpadas queimadas ou vazamentos”. “O ente público fará a política pública, e o ente privado gerenciará o espaço – que, hoje, é a base de preocupação em 90% do tempo do gestor”, argumenta.

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Usina será totalmente revitalizada. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

 

O diretor diz que ainda é cedo para dar maiores detalhes sobre a formatação da concessão, mas garante que a agenda cultural seguirá sendo prioridade. “A atividade de cultura é condição sine qua non para a concessão. Será o item número um do edital”, assevera. Citando a Lei Federal 13.019, Capra diz que este permite que o poder público faça as cobranças necessárias para que o equipamento funcione. “Nosso objetivo é entregar a Usina com espaços melhores, uma estrutura melhor e uma gestão eficiente, para atender melhor o público e os artistas que ocupam o espaço”, resume. O anteprojeto e o projeto geral de reforma da Usina já estão disponíveis na internet.

 

Teatro Elis Regina

Palco que deveria ser utilizado para apresentações teatrais no Gasômetro, o Elis Regina jamais teve seu projeto original completo, apesar de estar “em obras” há mais de duas décadas. Antes de serem desocupadas para reforma, as instalações da sala abrigavam a Banda Municipal e a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. Atualmente, o piso de cimento e as poucas cadeiras de plástico encontradas no local causam tristeza a quem o visita.

Contudo, essa espera tende a terminar com a revitalização da Usina – mas não, sem antes, mais apreensão. De acordo com o arquiteto Tiago Holzmann, da 3C Arquitetura, empresa responsável pelo projeto de restauração do Gasômetro, o contrato não prevê intervenção interna no Elis Regina. “O teatro tem uma equipe de projeto própria, que deveria ser chamada caso houvesse modificações”, explica.

Elis Regina, ainda incompleto, será totalmente finalizado durante a obra. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

Elis Regina, ainda incompleto, será totalmente finalizado durante a obra na Usina do Gasômetro. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

 

Todavia, o arquiteto afirma que as modificações idealizadas pela 3C contemplam melhorias ao acesso e uso da Sala. “Trabalhamos nas áreas externas, projetando um novo foyer de acesso, uma nova escada de serviço para coxias, camarins e áreas técnicas, que serão ampliados e terão acesso direto ao teatro”, destaca. Tiago também afirma que a sala 209 da Usina será integrada ao Elis Regina como área de apoio e que o ar condicionado instalado no teatro será integrado ao sistema geral da casa.

Ao mesmo tempo, Luiz Armando Capra Filho tranquiliza o público que conta com a finalização do teatro. “Buscaremos compatibilizar os projetos e integrar o do Teatro na obra geral, para acontecer durante a revitalização. O Elis Regina será entregue pronto, sim”, garante.

 

Theatro São Pedro

Teatro mais antigo da cidade e administrado por uma fundação vinculada ao estado, o São Pedro é uma exceção na lógica dominante dos demais. Em ótimas condições e sem nenhum reparo urgente a ser feito, o palco principal do prédio histórico tem capacidade para receber cerca de 650 espectadores. De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, isso se deve ao fato de que todos os anos o Teatro é fechado, em fevereiro, para manutenção.

O São Pedro conta também com um moderno sistema de iluminação e, como foi construído em uma época em que não havia grandes tecnologias, sua acústica tem qualidade superior. Quando há espetáculos, a instituição disponibiliza técnicos especializados em som e luz, que dão suporte à produção.

Theatro São Pedro foge à realidade dos demais. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

Theatro São Pedro foge à realidade dos demais espaços teatrais. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

 

Ainda segundo a assessoria, no momento, não há edital público para a ocupação, tampouco a previsão de lançamento. A diretoria artística faz a curadoria dos pedidos enviados e monta, de forma autônoma, a programação, que abrange atividades de teatro, música, dança, circo e direcionadas ao público infantil. Os espetáculos são selecionados com base na qualidade artística, e muitos deles têm preços populares ou entrada franca. Qualquer grupo independente pode solicitar a inscrição, preenchendo a ficha de pauta presente no site.

Apesar de estar localizada no coração do Centro Histórico de Porto Alegre, em frente à Praça da Matriz e próxima ao Palácio Piratini e à Assembleia Legislativa, a casa possui 240 vagas de estacionamento, junto ao Multipalco (equipamento cultural anexo à casa principal). Ainda há cafeteria e bar, localizados na entrada principal do Multipalco.

É importante ressaltar o trabalho realizado pela Associação Amigos do Theatro São Pedro (AATSP). Fundada em 1985, ela já conta com mais de mil sócios. Sendo uma associação de direito privado, consegue angariar recursos para manter o local em pleno funcionamento, sem depender, prioritariamente, do orçamento público. Além de desenvolver projetos como produtora, captando patrocínios para trazer espetáculos de outros estados, ela também promove eventos no teatro, sem fins lucrativos.

Concha acústica do Multipalco. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

Concha acústica do Multipalco. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

 

Desde 2003, a AATSP é responsável pela construção do Multipalco, uma espécie de complexo cultural ao lado do Theatro São Pedro. Além de abrigar o estacionamento, café e restaurante, conta com uma Concha Acústica, Sala de Música e Sala de Oficinas, além de sediar o complexo administrativo do órgão. No futuro, a ideia é ter salas para dança e oficinas de teatro, um teatro italiano (semelhante à estrutura do São Pedro) e mais salas para ensaios e workshops.

A Programação para o mês de maio já está definida. Em termos de artes cênicas, destaca-se o espetáculo Sobre Anjos e Grilos – O Universo de Mario Quintana, promovido pela Companhia de Solos & Bem Acompanhado, que acontece no próximo dia 09, às 20h, com ingressos a partir de R$ 20. Também serão apresentados o espírita Nosso Lar (dia 19, às 21, com ingressos a partir de R$ 40), Bailei na Curva (dias 25 e 26, às 21h, com entrada a partir de R$ 30), que retrata a trajetória de sete crianças vizinhas em abril de 1964, e Adolescer – 15 Anos, (dia 27, às 21h e dia 28, às 20h, com ingressos a partir de R$ 30), que relata o universo jovem e temas como drogas, sexualidade e bullying. Todas as peças estão agendadas para o palco principal do Theatro São Pedro.

 

Casa de Cultura Mário Quintana

Encravada no centro de Porto Alegre, na Rua dos Andradas, a Casa de Cultura Mário Quintana (CCMQ) é gerida pela secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer do Rio Grande do Sul. De acordo com a analista em assuntos culturais da CCMQ, Marjory da Motta Martins, a casa possui duas salas de Teatro e recebe espetáculos selecionados, prioritariamente, em uma chamada pública semestral, monitorada por uma comissão curadora montada pelo núcleo artístico do local.

Todas as produções precisam disponibilizar um técnico para som iluminação, que é supervisionado pelo técnico da própria CCMQ. Para se apresentar fora do calendário predefinido, grupos independentes podem apresentar projetos para ocupar as salas. Neste caso, a Associação dos Amigos da Casa de Cultura Mario Quintana (AACCMQ) arrecada uma taxa específica por espetáculo, destinada à manutenção do centro cultural. A exemplo do que ocorre no Theatro São Pedro, cabe a ela viabilizar projetos culturais que permitem a captação de recursos e patrocínios para a sobrevivência da entidade.

A CCMQ também conta com um tradicional café no 7º andar, que também serve almoços, e abre inclusive aos domingos e feriados, proporcionando uma bela vista do pôr do sol do Guaíba. Em uma região bastante movimentada, a casa não possui sequer convênio para estacionamento, o que encarece para quem opta por visitá-la com veículo próprio.

Com capacidade para 170 pessoas, a sala Bruno Kiefer fica no 6º andar da CCMQ. Possui um sistema acústico e de iluminação adequados, mas com alguns assentos que precisam de reforma; recebe, além de apresentações teatrais, espetáculos de dança e shows musicais. De acordo com a assessoria da CCMQ, a taxa diária para apresentação na Bruno Kiefer é de R$ 500, podendo ser menor quando os grupos almejam realizar uma temporada de apresentações no espaço.

Taxa para ocupação do Bruno Kiefer é de R$ 500. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

Sala Bruno Kiefer é espaço importante da cena teatral do Centro de Porto Alegre. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

 

Espaço menor, com capacidade para 70 pessoas, a sala Carlos Carvalho também recebe apresentações de grupos externos. Com uma boa iluminação e um potente ar condicionado, a sala, que fica no 2º pavimento, possui cadeiras móveis. Possibilita, assim, diferentes montagens para espetáculos. A diária para a utilização da Carlos Carvalho é de R$ 250. Em ambas as salas, a organização da bilheteria é de responsabilidade da produção dos espetáculos.

Teatro Carlos Carvalho com cenário montado para apresentação. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

Teatro Carlos Carvalho com cenário montado para apresentação. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

 

A programação de teatro para o mês de maio na CCMQ conta com poucas apresentações divulgadas. Única peça destacada, Dog Day, discute questões de identidade, gênero e suicídio, e será apresentada de 06 a 21, aos sábados e domingos, na sala Carlos Carvalho, às 20h.

 

Teatro de Arena

Nos altos do Viaduto Otávio Rocha, o Teatro de Arena resiste. Completando 50 anos em 2017, o espaço, hoje administrado pela secretaria da Cultura do estado, foi fundado por Jairo de Andrade e um grupo de artistas independentes em outubro de 1967. Além de abrigar o palco em formato de arena de três lados, com capacidade para 110 espectadores, o espaço abriga também um Centro Documentação e Pesquisa em Artes Cênicas, com um arquivo de textos censurados no regime militar.

De acordo com o assessor administrativo Mauro Soares, um dos responsáveis pela gestão do espaço, assim como os outros palcos geridos pelo estado, ele é mantido por uma associação de amigos (Associação de Amigos do Teatro de Arena), que faz pequenas reformas necessárias e arrecada recursos com a utilização do Teatro – R$ 100 para apresentações artísticas e R$ 200 para eventos fechados, como entrevistas e gravação de vídeos. “Dada a insegurança, e o fato de a zona ser perigosa, os espetáculos passaram a iniciar mais cedo, entre 19h e 20h, para evitar riscos ao público e aos artistas”, declara.

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Obras censuradas durante a ditadura militar. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

 

Atualmente, além de espetáculos marcados via inscrição de pauta – que é analisada pela equipe de curadoria e deve remunerar a associação de amigos -, o Teatro de Arena recebe apresentações dos festivais Palco Giratório do Sesc, Porto Alegre em Cena e Porto Verão Alegre. O palco é estruturado em modelo arena e, apesar de ser um ambiente aparentemente assustador para claustrofóbicos, por parecer pequeno, tem uma boa acústica.

O que deixam a desejar são os camarins e os banheiros, que precisam de uma reforma substancial, pintura e troca dos espelhos, para abrigar melhor os artistas. Por outro lado, oferece técnico de som e luz disponível, apesar de parte do equipamento de iluminação precisar ser modificado.

Palco do teatro de Arena, que tem capacidade para 110 espectadores. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

Palco do teatro de Arena, que tem capacidade para 110 espectadores. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

 

Conforme Mauro Soares, a média de público do teatro varia, geralmente preenchendo meta do espaço disponível. Além dos espetáculos agendados, nas segundas e terças-feiras, o grupo Teatraria ministra aulas de escola de teatro e, aos sábados, acontece a Escola de Espectadores, em quese discute a cena teatral de Porto Alegre. Para maio, programação do Teatro de Arena ainda não foi anunciada.

 

Salas da UFRGS

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul também conta com duas salas de teatro em condições de receber espetáculos: a Qorpo Santo e a Alziro Azevedo, sendo ambas focadas prioritariamente em atender à demanda acadêmica. Sem uma agenda fixa, elas recebem público externo para acompanhar as apresentações dos próprios alunos do curso de Teatro e esporádicas participações de grupos independentes.

Inaugurada em 1987 e reaberta em 2016 após cinco anos inativa, a Qorpo Santo localiza-se junto ao Campus Centro da UFRGS. Com capacidade para 163 espectadores, o espaço abriga as apresentações do projeto Teatro, Pesquisa e Extensão (TPE), desenvolvido pelo Departamento de Artes Dramáticas (DAD) do Instituto de Artes da UFRGS. Os espetáculos são realizados de forma gratuita, às quartas-feiras, às 12h30 e às 19h30. No final do semestre, a Mostra de Teatro do DAD, que reúne trabalhos de conclusão da graduação, também é exibida.

Qorpo Santo recebe espetáculos gratuitos às quartas-feiras. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

Qorpo Santo recebe espetáculos gratuitos às quartas-feiras. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

 

Apesar da reforma recente, o teatro ainda precisa de melhorias. De acordo com Marco Fronchetti, administrador da Sala Qorpo Santo, o mais urgente é sinalizar a sala, que não conta com nenhuma indicação na entrada, para que “as pessoas saibam que ela existe”. “Também precisa-se trocar algumas cadeiras, que são muito antigas, e o carpete”, diz ele. A iluminação e a acústica do local são satisfatórias, coordenadas por um técnico terceirizado com o auxílio de alunos bolsistas.

Atualmente, é realizada a obra para colocação de um elevador para cadeirantes, que é objeto de um impasse e, por isso, tende a demorar a ser concluída. “Os engenheiros da UFRGS e a empresa responsável não entraram em acordo sobre o aterramento a ser feito”, explica Marco. Sobre a possibilidade de trazer apresentações externas, o administrador é taxativo: “Estamos estudando, mas ainda não se sabe como viabilizar e não há nada concreto”.

Também reformada recentemente, a Alziro Azevedo está localizada junto ao Departamento de Artes Dramáticas da UFRGS (Avenida Senador Salgado Filho, 340) e tem capacidade para 70 espectadores. Entregue há cerca de três anos, ela teve a parte elétrica totalmente renovada, com a inserção de novos equipamentos,  de acordo com o professor Francisco de Almeida Jr., coordenador da sala. “A pintura também foi refeita e as cadeiras reformadas, deixando-a adequada em termos técnicos”, assegura.

A exemplo da Qorpo Santo, é utilizada majoritariamente para o TPE e para as Mostras do DAD. Porém, de acordo com o coordenador, há interesse em construir uma “agenda cultural robusta” para o local. “O que nos impede de receber apresentações externas é o fato de não podermos cobrar ingresso, por ser uma instituição pública”, alega Francisco. Ele expõe que, para a permissão da prática, é necessária a discussão e aprovação do Conselho Universitário (Consun). Ainda de acordo com o professor, a sala, atualmente, não está pronta para operar de forma comercial. “Não temos o Plano de Prevenção Contra Incêndios (PPCI), por exemplo, e cobranças como essa surgiriam, por isso não estamos preparados para esse salto”, elucida.

Alunos de Teatro utilizam Sala Alziro Azevedo para aula de apresentação. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

Alunos de Teatro utilizam Sala Alziro Azevedo para atividades de aula. Foto: Paulo Egidio/Beta Redação

 

Além de atender à comunidade acadêmica, servindo como teatro laboratório para disciplinas como Direção, Cenografia e Interpretação, a Alziro Azevedo recebe aulas abertas e apresentações gratuitas do Palco Giratório do Sesc. A curto prazo, a administração almeja atrair festivais gratuitos e eventos com relação artística, como seminários e palestras.

Sem rampa de acesso a cadeirantes, tem na composição da sala materiais considerados inflamáveis; não possui camarins, necessita modificações estruturais importantes para receber mais peças e mais público. Por hora, tramita no setor de Patrimônio da UFRGS o projeto de revitalização da fachada do prédio. “Como depende de captação de recursos privados, via lei de incentivo, deve demorar cerca de 5 anos para que saia do papel”, lamenta Francisco.

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