Esporte

Paixões e desafios que movem as mulheres gandulas

Gandulas femininas do Grêmio relatam sobre o prazer de exercer a atividade

No mundo do futebol, todos os olhares do público são voltados para a partida e para o desempenho dos jogadores. Enquanto isso, outras pessoas contribuem de maneiras diferentes para que o jogo possa ser realizado.

A reposição correta de bolas ao jogo é uma tarefa realizada com amor pelas gandulas Monique Alves da Silveira, 26, e Letícia Souto, 25. As duas, que atuam no Grêmio há um ano, falaram sobre os desafios e prazeres da atividade.

Escaladas para serem gandulas nas partidas do Campeonato Gaúcho de 2017, elas apontam a proximidade com os jogadores e a oportunidade de assistir aos jogos dentro de campo como pontos positivos da atividade. “É um privilégio que poucas pessoas têm de poder trabalhar junto com o time do coração”, comenta Monique, que se interessou pela atividade no ano passado, quando a Federação Gaúcha de Futebol (FGF) anunciou seleção para contar com gandulas femininas nos jogos do Gauchão.

Para Letícia, que é apaixonada por futebol e gremista desde pequena, a atividade é realizada com prazer e entusiasmo. “Eu já frequentava a Arena e participava dos jogos, e logo quando fiquei sabendo dessa oportunidade, fui atrás de mais informações. No começo, eu ficava nervosa pra atuar, mas agora é tudo mais natural”, declara.

Estudante de Educação Física da Unisinos, Letícia garante que a oportunidade de trabalhar junto com o clube do coração é mais gratificante do que o salário recebido. “Nem faço pelo dinheiro, mas sim pelo prazer de estar ali perto dos jogadores no momento da comemoração, sentir de perto o clima do estádio. Tudo isso é único”, relata.

Grupo de gandulas em foto tirada no jogo contra o Novo Hamburgo. (Foto: Divulgação)

Mesmo em um ambiente onde impera o prazer de trabalhar, elas não estão livres das cobranças. Entre os maiores desafios enfrentados, Monique cita a concentração exigida durante o jogo. “É preciso ficar sempre muito atenta. Ter cuidado para não errar, não acelerar o jogo para o adversário. Em uma cobrança de lateral, por exemplo, tenho que entregar a bola e ao mesmo tempo visualizar se a defesa do meu time está organizada, para que não seja surpreendida com um gol do adversário”, aponta.

Monique relata que já sofreu alguns episódios desagradáveis dentro de campo. “O fato de sermos mulheres pesa um pouco, existe uma certa diferença. No calor do momento, os jogadores gritam pedindo a bola, tentam nos intimidar. Comigo não acontece com tanta frequência pois fico atrás do gol, mas sei que essa cobrança existe repetidamente”, comenta.

A decisão da Federação Gaúcha de Futebol decretou em 2016 que apenas meninas poderiam atuar no Gauchão. Ao todo, são dez mulheres que trabalham como gandulas no tricolor gaúcho. Elas chegam nos jogos com uma hora de antecedência, vestem o uniforme e ganham remuneração para atuar nas partidas. O próximo passo vislumbrado pelas meninas é a oportunidade de atuar no Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores.

“Já temos a prática, estamos acostumadas com o ritmo do jogo. Apesar da prioridade serem os meninos gandulas, as coisas vêm mudando e esperamos ter espaço para atuar em outras competições”, comenta Monique.

O futuro, por enquanto, é incerto. Mas a vontade de seguir trabalhando é a grande motivação para quem um dia deseja ir mais longe.  “Enquanto continuarem me chamando, estarei sempre à disposição. Para mim, fazer o que gosto é gratificante”, completa Letícia.

 

 

 

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