Cultura

Pagliaccio: as várias faces de um mesmo personagem

Entenda como o palhaço tem superado o lugar comum e conheça um pouco mais desta arte

Caroline Paiva, Caubi Scarpato, Sabrina Stieler e Victoria Silva

 

Pagliaccio: as várias faces de um mesmo personagem

Você sabe o que se comemora no dia 10 de dezembro? Presente desde muito cedo no imaginário de crianças, adultos, idosos e automaticamente ligado ao “circo”, os palhaços são figuras que não buscam apenas levar humor e alegria para o público, mas também arte e expressão de si mesmo. Hoje, estes personagens não são mais relacionados somente ao espetáculo e ao palco. Os espaços “oficiais” não são mais somente os fixos: o palhaço transita pelas praças, hospitais, escolas, ruas, fazendo parte dos mais variados momentos e movimentos.

De acordo com o autor José Guilherme Magnani, no livro “Festa no pedaço: cultura popular e lazer na cidade” o termo “palhaço” origina-se do italiano pagliacci, que quer dizer “vestido de palha”, remetendo ao pano utilizado no colchão de palha, semelhante às vestimentas características do personagem, no passado. O palhaço é conhecido também por várias outras denominações, como clown, toni, arlequim, pierrot, auguste, porém, cada uma está relacionada uma vertente.

Atualmente o personagem compõe diversos grupos que extrapolam a proposta inicial do humor sem pretensões. Eles atuam tanto em momentos difíceis das pessoas, como nos hospitais, quanto em movimentos sociais e em áreas de conflitos. Exemplos dessa realidade são os Doutores da Alegria e os Pallasos en Rebeldía.

Seguindo nessa linha, o Doutores P, fundado por Geison Aquino, é um destes grupos que atuam em hospital, levando não só alegria e descontração, como também um pouco de alívio para aqueles que lutam contra enfermidades. “Quando eu entro no quarto do hospital, eu quero estar bonito, eu quero mostrar esse palhaço bonito e vivo naquele momento para aquela pessoa que precisa, às vezes, de um olhar, de um sorriso. Então a gente tem que estar bem para atender esse paciente. Eu faço um esforço muito grande para isso porque acho que eles merecem, e a saúde pública como um todo merece a nossa atenção”, relata. Geison atua no grupo de teatro Mototóti, é contador de histórias e já trabalha há mais de 10 anos com essa linguagem.

Mauro Bruzza, idealizador da “Cia Um Pé De Dois”, ao lado da esposa Mariana Ferreira, acrescenta que o trabalho do palhaço de rua também é um desafio. “Tem que ter muita vontade, porque um artista de rua trabalha na relação com o público. Tu ensaia bastante em casa, fica bastante tempo nessa construção dos personagens, cenas, mas só vai ver se funciona na prática”, comenta. Ele trabalha como ator desde a adolescência e, aos 18 anos, decidiu que queria ser palhaço de rua, iniciando sua formação.

Fundador da escola Construindo seu Clown, Rafael de Moura auxilia aqueles que desejam iniciar sua construção como palhaço. A escola, inaugurada há seis meses, já conta com mais de 30 alunos, provendo diversos eventos. “O dia que eu coloquei o nariz vermelho, foi o dia que eu me transformei, foi uma paixão. De lá para cá, eu comecei a trabalhar com a técnica”, finaliza.

Confira no vídeo um pouco mais sobre a origem e sobre o que é ser palhaço:

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