Política

Padilha e Maia teriam recebido R$ 5 milhões, segundo delatores

Políticos estão entre os quatro gaúchos envolvidos na lista do ministro do STF Edson Fachin, que determinou abertura das investigações

Johnny Oliveira e Laís Albuquerque

A Procuradoria Geral da República vai investigar a suspeita de que o ministro Eliseu Padilha (PMDB) e deputado federal Marco Maia (PT) tenham recebido ilegalmente, juntos, R$ 5 milhões nas obras de expansão da Trensurb na Região Metropolitana. Eles estão entre os quatro gaúchos envolvidos no pedido de abertura de inquérito emitido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Facchin nesta terça-feira (11). O inquérito trata sobre possíveis pagamentos de “vantagens indevidas” nas obras de ampliação da Trensurb, no trecho entre São Leopoldo e Novo Hamburgo.

Além de Maia e do ministro-chefe da Casa Civil, dois ex-diretores-presidentes da Trensurb, Humberto Kasper e Marco Arildo Prates da Cunha, ex-diretores-presidentes da Trensurb, são investigados. O inquérito também atinge o paulista Paulo Bernardo da Silva (PT), que na época era ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, durante a gestão do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Montagem sob foto de Rodrigo Bertoti e Romério Cunha

Foto: Montagem sobre fotos de Rodrigo Bertoti/Câmara dos Deputados e Romério Cunha/Casa CIvil

Os pagamentos irregulares teriam acontecido entre 2009 e 2010, pelo Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht. Segundo o pedido de abertura de inquérito, Eliseu Padilha teria pedido 1% do valor do contrato “em decorrência de sua possível interferência no processo licitatório”. Paulo Bernardo da Silva também teria pedido 1%, por sua vez, para propiciar a inclusão das obras no Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC. Já Marco Maia teria pedido 0,55% “em razão da ausência de entraves durante o exercício da presidência da companhia”, durante uma reunião com os ex-presidentes da Trensurb Kasper e Cunha no restaurante do Hotel Intercity.

O valor do contrato da Linha 1 da Trensurb, conforme o pedido de inquérito, era de R$ 323.977.829,28 à época. Esse montante é significativamente menor do que consta atualmente no próprio site da Trensurb como valor final da obra: um investimento aproximado de R$ 953 milhões.

A se calcular pelo valor total do contrato no pedido de inquérito, Padilha e Paulo Bernardo teriam recebido R$ 3.239.778,28 cada, e Maia, R$ 1.781.878,06.

As obras iniciaram em fevereiro de 2009 e começaram a ser entregues em 2012. Em julho daquele ano foram entregues as estações Rio dos Sinos, em São Leopoldo, e Santo Afonso, em Novo Hamburgo. Já em novembro de 2013 foram entregues mais três estações: Industrial, Fenac e Novo Hamburgo. As obras ampliaram o percurso do trem em 9,3 quilômetros. Com isso, segundo  estimativas da empresa, a Trensurb passou a atender 30 mil novos usuários.

Na noite de terça (11), a Beta Redação tentou entrar em contato com as partes citadas no inquérito que possuem ou possuíam relação com a Trensurb e também com representantes da empresa, mas até o fechamento desta matéria não foi possível falar com eles. Os assessores de imprensa Jânio Ayres e Kauê Menezes foram procurados quatro vezes, mas todas as ligações caíram direto na caixa postal. Ayres também foi contatado pelo WhatsApp, mas não houve retorno das mensagens. A reportagem também tentou contatocom os ex-diretores-presidentes Humberto Kasper, que não atendeu às quatro ligações efetuadas, e Marco Arildo Prates da Cunha, cujo telefone se encontrava fora de área em todas as tentativas.

A reportagem também tentou, sem sucesso, contato com a Casa Civil e com o deputado Marco Maia.

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