Cultura

Os saraus do Porto

o cenário de saraus em porto alegre

Um dos modos mais antigos de se propagar a leitura tem alguns espaços importantes na cena literária de Porto Alegre. Os saraus ocorrem em diversos lugares: alguns são mais conhecidos e têm ideias inovadoras; outros são mais simples e se ocupam apenas em reunir os participantes e compartilhar suas leituras. Esqueça a simples roda de leitura de poesias, ou algo monótono e que não chame atenção. Os saraus de Porto Alegre têm algo mais: buscam contar histórias de uma forma diferente, envolver e mostrar ao público não só a importância de ler, mas de viver a leitura de uma maneira diferente.

 

Projeto Eu leio

O centro histórico de Porto Alegre já tem um charme todo particular. Mas num final de tarde de abril, com um clima outonal, um burburinho de vozes ecoava pelos corredores que dão acesso à sala principal do Multipalco do Theatro São Pedro. Assim, a expectativa pelo sarau literário do projeto Eu leio era ainda maior. Esse projeto é uma iniciativa de escritores que homenageiam, uma vez por ano, colegas de profissão já falecidos. O evento traz um ar nostálgico e inspirador. Quarenta amigos escritores de ninguém mais ninguém menos que Moacyr Scliar, reunidos diante de um público de mais de 140 pessoas, cada um sem saber qual trecho ia ser lido, apenas sabendo que não havia possibilidade de repetição, soltaram a voz diante do microfone com seus trechos favoritos do autor, que em vida tanto lhes foi presente.

 

Escritores amigos de Moacyr Scliar leem trechos de sua obra. Foto: Secretaria de cultura, turismo, esporte e lazer do RS

 

A entonação emocionada que se percebia na voz de Patrícia Langlois, que é diretora do Instituto Estadual do Livro (IEL), mostrava a importância do projeto. Em grupos de dez, os amigos de Scliar foram lendo os trechos escolhidos para a noite. O ambiente era de um silêncio que era rompido por risos e aplausos a cada finalização.  A diretora do IEL salienta que o clima é o mesmo desde a primeira edição do evento, que ocorreu em 2015 com o nome Eu leio Urbin. No ano seguinte, já com parceira do Insitituto, intitulado Eu leio Napp,  se percebeu que o público tinha comprado a ideia. Na terceira edição, já consolidado, e com a homenagem foi ao escritor Mario Quintana, o evento não deixou dúvidas que seria um sucesso.

A noite de 18 de abril homenageou Moacyr Scliar, e reuniu escritores renomados como Tabajara Ruas, Ana Mello e Armindo Trevisan. Foi marcada não só pela leitura destes, mas também por um momento em que Judith Scliar, viúva do autor, embargou a voz ao contar histórias até então desconhecidas do menino Scliar. Esse é um dos eventos que mostra o cenário de saraus em Porto Alegre neste ano, inserido em uma série de eventos que vão homenagear o autor que completaria 80 anos em 2017. O início disso foi um jantar na associação Ligia Averbuck, onde os amigos de Scliar se reuniram para contar causos da convivência com o autor.

O projeto Eu leio ocorre uma vez no ano, mas para 2017 está sendo estudada uma edição extra para o segundo semestre. O nome do autor a ser homenageado está em sigilo, segundo a diretora do IEL.

 

Sarau Elétrico

Já consolidado no cenário cultural de Porto Alegre, o Sarau Elétrico, criado em 1999 pela jornalista e produtora cultural Kátia Suman, reúne leitores vorazes e espectadores em bares e locais tradicionais. Nols encontros, leem poemas, conversam, e promovem uma boa dose de descontração. O Sarau Elétrico é sempre às terças-feiras; o próximo ocorre no dia 9 de maio, no Bar Ocidente, às 21h, com custo de R$ 15.

A mistura de poesia e música terá uma participação especial da banda Nenung,  do escritor e tradutor José Francisco Botelho e, como sempre, de Luís Augusto Fischer, Diego Grando e Katia Suman. A proposta é mexer com a imaginação do público, utilizando a dramatização dos personagens e outros recursos de leitura. O Sarau Elétrico proporciona uma experiência diferente do que se imagina ser uma simples roda de leitores: leva o público a realmente entrar no clima do texto e, por vezes, se imaginar na pele do personagem principal. É o que relata Thiago Lima, atualmente morador de Fort Lauderdale no estado da Flórida nos Estados Unidos, mas que quando residia em Porto Alegre, era um frequentador assíduo do evento.

 

arau Eletrizante (suspense e terror) no Theatro São Pedro durante a Feira do Livro. Foto: Sandra La Porta

Sarau Eletrizante trouxe suspense e terror ao Theatro São Pedro durante a Feira do Livro. Foto: Sandra La Porta

 

Palavra falada

A escritora Ana Mello organiza uma vez por mês o sarau Palavra Falada, que sempre na última quarta-feira de cada mês reúne leitores e escritores com a finalidade de compartilhar trechos de poesias próprias ou de outros autores conhecidos. O Café do Margs recebe o evento todos os meses. A edição do mês de abril não teve uma poeta  convidado, como de costume, mas o tema Mulherio das Letras, bastante atual e inclusive de uma maioria feminina, com a presença de dez mulheres e dois homens.  O próximo será realizado no dia 31 de maio no mesmo local; o tema e o convidado ainda não foram definidos.

Lida 852 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.