Esporte

Os primeiros passos de um jogador de futebol

Apenas 20% dos alunos das categorias de base conseguem seguir na carreira de jogador profissional

Há duas maneiras para os atletas de base realizarem o sonho de ser jogador de futebol. A primeira está ligada à seleção dos alunos. Normalmente, antes de entrar nas escolinhas é feita uma boa peneira entre as crianças, e somente aquelas que apresentam bom rendimento conseguem uma vaga. Já a segunda são as peneiras reconhecidas dos grandes times. Mas no Centro de Ensino de Futebol (Cefa), coordenado por Anderson Cerino, é bem diferente. Para ele, todos os meninos que sonham em ser jogador de futebol merecem uma chance. “Aqui, todos são bem-vindos, porque eu acredito que o trabalho pode render lá na frente. Muitas vezes um bom jogador foi mal preparado, por isso tem um rendimento mais lento e acaba ficando pelo caminho. Aquele que tem uma educação física desde o início e leva com seriedade acaba realizando o sonho”, afirma o coordenador.

A escolinha de futebol oficializada pelo tricolor gaúcho fica no bairro Morada do Vale I, em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Os meninos das categorias sub11, sub13 e sub15 têm de seis a 16 anos e treinam em turnos alternados. “Essas seleções são como portas abertas para os futuros jogadores e servem de publicidade para o público”, afirma o ex-jogador Anderson. Os treinos têm duração de uma hora e meia de intensidade, em cada categoria, depois ocorrem os treinos dentro de campo, como técnicas, fundamentos e jogos. Tudo conforme a faixa etária, a categoria e a dificuldade física. “Trabalhamos mais recreação e fundamentos com os menores. Já com os maiores, da seleção sub15, os trabalhos têm mais intensidade física”, explica o idealizador do projeto.

 

Crianças em treino (Foto: Tainá Rios)

Crianças em treino (Foto: Tainá Rios)

 

As avaliações do Grêmio normalmente acontecem durante uma semana e são compostas de três etapas. O primeiro processo ocorre no Centro de Treinamento do Cristal, na frente da Arena. Depois, caso aprovado o desempenho em campo, o pretendente é encaminhado para o CT de Eldorado. Os alunos têm a possibilidade de fazer algumas avaliações no campo do tricolor. Elas funcionam por meio de competições organizadas pelo próprio time, em que os meninos são avaliados. Alguns jogadores são chamados para fazer mais avaliações se corresponderem às expectativas do clube. Ao longo do ano ocorrem alguns jogos para treinamento dos alunos, em especial na Copa Tricolor e no Gauchão.

 

Uma porta para o futuro dos pequenos jogadores

 

Atualmente, os pais estão muito ocupados e preferem que os filhos tenham atividades extraclasse, como o esporte. Há também o papel social do futebol. Muitos alunos são resgatados pelo coordenador Anderson para melhorar a saúde, a condição física, a aparência e as notas escolares.

A divulgação do Cefa ocorre por meio de panfletos distribuídos pelo bairro, publicidade nas escolas e muito apoio dos pais dos pequenos jogadores. “Com experiência de atleta, aqui no Sul é tudo vermelho ou azul, e nós estamos localizados em um bairro majoritariamente colorado. Nossa equipe hoje é 60% torcedora do Inter. Então eu ensino para os meninos que torcer é uma coisa e a busca profissional é outra”, afirma o educador.

 

O pequeno goleiro vê na camisa tricolor o sonho de jogador futebol. (Créditos: Tainá Rios)

O pequeno goleiro Andrey vê na camisa tricolor o sonho de jogador futebol. (Foto: Tainá Rios)

 

“O incentivo que o Anderson dá é geral, para todos, independentemente da posição em campo. Ele explica bem como funciona, dá apoio. A escolha de ser jogador de futebol é difícil, tem que passar por muitas etapas nas categorias de base do Grêmio”, afirma Andrey Oliveira de Andrade que sonha em seguir a carreira de goleiro. Inspirado por Marcelo Grohe, do Grêmio, e Alisson Becker, do Inter, o adolescente de 14 anos recebe todo o apoio da família para continuar treinando e crescendo dentro de campo.

Andrey é colorado, mas defende a camisa do tricolor com orgulho, pois, segundo ele, existem mais escolas de futebol para crianças do Grêmio do que do Internacional.

 

O sonho precisa de ajuda!

 

Uma dificuldade que todas as escolas de futebol passam: a falta de patrocínio. Apesar de vivermos em um país apaixonado por esse esporte, a escolinha de futebol Cefa passa algumas necessidades para manter o sonho do técnico e dos jogadores. Dentro do campo, todos os alunos estão uniformizados e, em cada intervalo, bebem água gelada para repor as energias. O gramado não está em boas condições, assim como as goleiras, os cones para a preparação física e o principal, a bola de futebol.

A organização dos planos de aula é realizada pelo coordenador Anderson Cerino com ajuda de professores de Educação Física, técnicos especializados em futebol de campo e ex-jogadores. O cronograma de atividades é fornecido pelo Grêmio. A manutenção dos uniformes é feita pelos próprios alunos. Cada um tem o compromisso de cuidar e limpar as camisas, os calções e as meias. Além disso, os pais pagam uma mensalidade, que segundo Anderson é uma contribuição simbólica, para manter o sonho dos filhos.

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