Política

Os possíveis presidenciáveis

A Beta Redação traça o perfil dos possíveis candidatos à Presidência da República para as próximas eleições e ouve especialistas sobre o assunto

O ano de 2018 ainda está longe, mas as eleições presidenciais já estão em pauta devido à instabilidade do governo Michel Temer. Diante do contexto das crises política e econômica que o país atravessa, começam as especulações sobre os possíveis nomes que postulam assumir o cargo de Chefe do Estado Brasileiro e com eles as primeiras pesquisas eleitorais, que podem ou não corresponder à realidade.

Conheça alguns nomes cotados :

Ciro Gomes (PDT)

Foto: Jeso Carneiro, Flickr

Foto: Jeso Carneiro, Flickr

 

Para o ex-ministro Ciro Gomes candidatar-se à Presidente alguns fatores são indispensáveis. Primeiro, deve haver o desejo do Partido Democrático Trabalhista (PDT) em apoiar o projeto de sua candidatura. Depois, o próprio Ciro Gomes também aguarda pela possível candidatura de Lula, colocando-se como possível candidato a vice, numa chapa de coalizão da esquerda nacional. Embora não tenha ofertado a composição ao PT, o projeto não está descartado. Como não foi citado na lista de Fachin, o político já adota um discurso voltado à ética, de combate à corrupção. Recentemente, o alto escalão da Polícia Militar do Ceará declarou que o ex-governador atravessa um problema sério com o uso de drogas e pede a intervenção de familiares numa eventual internação.

Jair Bolsonaro (PSC)

Foto: Agência Brasil, Flickr

Foto: Jair Bolsonaro, Agência Brasil

 

Bolsonaro vem ganhando espaço no cenário político nacional, criando um personagem controverso e polêmico, quase como um Donald Trump Tupiniquim. Faz forte oposição ao governo e tem uma longa história como Deputado, sendo o mais votado do RJ em 2014, inclusive. Possui um discurso homofóbico, flerta com o racismo, defende o porte de armas e a pena de morte. Com essas premissas, recebe o apoio de eleitores identificados com as suas ideias. Possui um perfil conservador e quer utilizar uma estratégia semelhante ao Presidente Norte-Americano, embora as eleições brasileiras tenham diferenças importantes em relação aos EUA, como a participação de vários candidatos e partidos políticos, e o voto obrigatório, o que enfraquece a sua estratégia. Também adota um discurso anticorrupção por não ter seu nome mencionado na lista do Ministro Fachin.

Álvaro Dias (PV)

Foto: Senado Federal, Flickr

Foto: Senado Federal, Flickr

 

Álvaro Dias exerce atualmente o cargo de Senador da República, pelo Paraná. Seu nome cresce na corrida presidencial, principalmente pelos projetos que vem apresentando no Senado, como a PEC 38/2016, de sua autoria, que está em análise na casa, que reduz o número de Deputados Federais dos atuais 513 para 405. Cogita migrar do Partido Verde (PV) para o Partido Trabalhista Nacional (PTN) para ser candidato à Presidência. O PTN mudou de nome para “Podemos”, no final do ano passado.

Geraldo Alckmin x João Dória (PSDB)

Foto: Renato Gizzi, Flickr

Foto: Renato Gizzi, Flickr

 

Um é cria do outro. Aliás, o criador Alckmin foi o político que saiu mais fortalecido das eleições municipais de 2016, pois muitos de seus apoiadores foram eleitos, como o exemplo do próprio João Dória, eleito Prefeito de São Paulo em primeiro turno. Contra ele, o fato de já ter sido derrotado por Lula. Já João Dória é visto como um “fora da política”, o que aumentou a sua popularidade. Com apenas cinco meses de governo, agrada a maioria dos paulistanos. Afirma que terminará o seu mandato, mas justamente a alta popularidade faz surgir rumores de que possa vir a ser um bom candidato em 2018, ainda mais com o sepultamento político de Aécio Neves. A cúpula tucana pretende fazer com que o empresário mude de ideia para que tenham um candidato forte para a disputa presidencial. Caso não consiga candidatar-se pelo PSDB, Alckmin cogita filiar-se ao PSB.

Lula (PT)

Foto: Emmanuel Pinheiro, Flickr

Foto: Emmanuel Pinheiro, Flickr

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva praticamente já está lançado  à Presidência da República. A estratégia tem dois objetivos. O primeiro é aproveitar politicamente a baixa popularidade do governo Michel Temer. O segundo é reforçar a defesa jurídica de Lula. “Lula é nosso candidato para 2018, não temos um plano B”, diz Rui Falcão, ex-presidente do PT. Na última quinta feira, 1º de junho, na abertura do 6º Congresso Nacional do PT, intitulado de “Marisa Letícia Lula da Silva” , o ex-presidente do Brasil falou durante o discurso que um dia receberá desculpas de quem não acredita em sua lealdade ao país e aproveitou para declarar guerra contra a Rede Globo. Segundo ele, todas as informações dadas pelo canal a seu respeito são de cunho duvidoso e mentirosas. Lula é acusado pelo Ministério Público Federal por lavagem de dinheiro e corrupção passiva, enquanto a defesa do ex-presidente alega inocência e completa falta de provas. Caso seja indiciado e tenha seus direitos políticos cassados, embora o Partido dos Trabalhadores negue,  Jaques Wagner, mesmo fragilizado pela delação da Odebrescht, Gleisi Hoffmann, atual presidente nacional do PT, e Fernando Haddad, considerado o mais preparado por Lula, correm por fora como possíveis candidatos em 2018.

Marina Silva (Rede)

Foto: Adriana Spaca, Flickr

Foto: Adriana Spaca, Flickr

 

Ex-candidata pelo Partido Verde em 2010, ficando em terceiro lugar nas eleições de 2014, ao substituir o candidato Eduardo Campos (PSB), após o acidente aéreo que causou a sua morte, a ex-ministra do governo Lula deverá novamente ser candidata. Atualmente filiada à Rede, admite convidar o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa como vice para compor sua chapa, mas em caso de recusa do magistrado aposentado, Cristovam Buarque, do PPS, será sua opção. Como também possui a ficha limpa adota um discurso ético e contra a corrupção.

A Beta Redação conversou com especialistas e projetou o futuro político do Brasil diante do quadro eleitoral, questionando se há uma mudança na cultura da política nacional e se algum desses nomes representam uma transformação na política com o fim das crises política e econômica que a nação atravessa.

O economista Adriano Beuren, assessor parlamentar da Fecomércio-RS, acredita que, dependendo da eleição, as mudanças mais expressivas serão na economia. Para Beuren, em termos políticos é difícil vislumbrar uma mudança. “Apesar de expectativa da eleição de um Presidente com um perfil mais voltado ao empreendedorismo ou da possibilidade de um mais conservador, com um forte viés populista, o Congresso não deve sofrer grandes alterações”, projeta.

Para ele, as mudanças mais expressivas devem emanar do parlamento, onde há um grande distanciamento entre os interesses da população e de seus representantes. “Um dos casos mais ilustrativos foi as 10 Medidas contra a Corrupção, projeto de forte apelo popular, totalmente modificado no Congresso”, destaca. O assessor acredita que a crise política infelizmente permanecerá ainda por um bom tempo, pois embora o judiciário mostre-se mais duro em relação à corrupção, o Congresso ainda apresenta uma postura leniente com casos de corrupção.

O cientista político Paulo Moura, professor de Marketing Político e Pesquisa de Opinião Pública na Ulbra, afirma que nenhum desses nomes representam ideias inovadoras ou possuem um perfil que aponte nessa direção. “Bolsonaro e Dória podem ser percebidos como inovadores, mas Dória é filho da política tradicional e o fato de ter um estilo diferente não o faz inovador. Bolsonaro ainda está por provar que tem condições de defender uma agenda econômica que não seja a do nacional desenvolvimentismo praticado por Geisel (Ernesto, Presidente do Brasil na época da ditadura militar), Lula e Dilma”, considera.

Para Moura, o Brasil vive um tempo de incerteza e imprevisibilidade. O professor não se surpreenderia se alguns desses nomes caíssem e nomes não previstos fossem fortalecidos. “Rupturas, quando acontecem, vêm do imponderável. Vivemos o conflito entre dois ‘brasis’, um que parasita o Estado e outro que paga a conta. Se o Brasil parasita vencer vamos estacionar no tempo. Se o Brasil que produz e paga a conta vencer, vamos decolar para o futuro”, projeta.

Já o cientista político Bruno Lima Rocha, professor do curso de Relações Internacionais da Unisinos, entende que a cultura política compõe uma forma de fazer política e dificilmente deve mudar. Lima Rocha chama a atenção para o fato de o inverso ser mais perigoso. “O novo pode representar a falta de experiência e com isso corremos riscos, como aconteceu na eleição de Fernando Collor em 1989, ou com o Primeiro Ministro italiano, Silvio Berlusconi, nos anos 90, com diversos escândalos de corrupção”. Para o professor, Dória, por exemplo, não representa uma mudança, pelo contrário, poderia gerar maiores problemas, enquanto Bolsonaro seria uma surpresa, representando a nostalgia do período militar.

Lima Rocha destaca que o Brasil vive um presidencialismo de coalizão, o que diminui o poder do Chefe de Estado, compartilhando-o com o parlamento. “O presidencialismo de coalizão é uma fonte permanente de instabilidade, ainda mais com tantos partidos. Acho que mudanças importantes, como o lobby legalizado (negociação aberta entre setores público e privado), trarão menos instabilidade. Precisamos concluir a Lava-jato também, é inadmissível uma operação durar tanto tempo”, conclui.

Para Juliano Maciel, cientista político e assessor parlamentar da Assembleia Legislativa do RS, os possíveis candidatos não trarão essa mudança cultural. Para ele isso só é possível com um conjunto de fatores como a Reforma Política, Assembleia Nacional Constituinte, para atualizar a nossa Carta Magna e a ampliação da estrutura dos órgãos de controle. “Também é fundamental um nome para conduzir em um período de mudanças e reformas. Lula e Álvaro Dias são de uma geração anterior aos demais, Dória e Bolsonaro representam um voto de protesto, já Marina e Ciro são opções do campo da centro-esquerda nacional que procura retomar o poder e dar outro fôlego aos projeto iniciado por Lula”, afirma.

Para Maciel, aliado às reformas, é fundamental eleger um Presidente que consiga minimamente pacificar o país. “Precisamos de alguém que consiga trazer um sopro de esperança para uma população tão desacreditada nas instituições nacionais. A saída para a crise econômica passa pela resolução da crise política. A ascensão de um nome com conduta ilibada para conduzir os destinos da nação se impõe, neste momento. Se conseguirmos identificar um candidato com estas credenciais, creio que estaremos dando um passo decisivo em direção a transformação das relações políticas no nosso país”, considera.

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