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Os novos rumos do jornalismo

Com as transformações do mercado, jornalistas optam por sair das redações tradicionais e levam seus conhecimentos para outras áreas

As mudanças no mercado e a pluralidade da profissão permitem que jornalistas ampliem suas áreas de atuação. Seja pelo enxugamento das redações, por questões financeiras ou até mesmo por interesse próprio, muitos profissionais optam por ingressar em outras áreas e levam consigo as experiências da formação.

Depois de 15 anos trabalhando em redações tradicionais, entre elas do portal Terra, ClicRBS e Diário Catarinense, a jornalista Alexandra Zanela decidiu abrir seu próprio negócio. Junto com o sócio, Carlos Guilherme, ela é uma das fundadoras da Padrinho Agência de Conteúdo, especializada em assessoria de comunicação e produção de conteúdo para empresas. “Fiquei muito tempo nas redações e chegou um momento onde decidi fazer algo diferente, pensei em um novo modelo de negócios. Conversei com o Carlos, que é meu amigo de longa data e meu parceiro de trabalho, e decidimos começar o projeto”, explica.

Fundada em 2014, a Padrinho atua principalmente prezando o relacionamento entre o público e a empresa. “No começo, nosso foco era em um jornalismo mais puro e consistente. Mas hoje a agência se preocupa em pensar a comunicação em si, buscando formas de interagir com os diversos públicos e segmentos”, comenta.

Alexandra Zanela é uma das fundadoras da Agência Padrinho, que assessora e produz conteúdo para empresas. (Foto: Arquivo Pessoal)

Alexandra Zanela, da Padrinho. Foto: Arquivo pessoal

Segundo Alexandra, a diferença de ritmo de trabalho em uma redação e na Padrinho foi uma das mudanças mais notáveis. “Pude compreender que esse modelo novo de negócios tem uma velocidade totalmente diferente da que estava acostumada, das redações tradicionais. Mas tudo vai se adaptando”, frisa.

Na sua opinião, o sucesso da profissão, seja qual for a área escolhida, depende apenas da dedicação de cada um. “Hoje o jornalista não precisa ser somente o empregado e trabalhar somente em redações. Existem muitas opções. É preciso juntar a cabeça criativa, tirar as ideias do papel, ler muito e correr atrás. Precisamos ir atrás de tudo o que não aprendemos na faculdade e lutar para chegar mais longe”, aconselha.

Aos 38 anos, o jornalista Gustavo Azevedo trocou as redações pelo trabalho de assessoria jurídica na prefeitura de Pelotas. Com passagem por veículos como Zero Hora, Correio do Povo e Rádio Gaúcha, ele hoje é responsável pelo núcleo digital e pela área política da prefeitura. “Foi difícil ter que deixar o trabalho nas redações. Sinto saudades, mas chegou um momento que tive que abdicar de um trabalho sem horários definidos, salário reduzido e sem finais de semana”, relata.

Gustavo não descarta, porém, que um dia possa retornar ao ambiente das redações. “Não posso afirmar que não, afinal sempre gostei desse trabalho e não sei o que acontecerá amanhã. Mas procurei a estabilidade e me sinto adaptado ao ritmo do trabalho atual”, destaca.

Pluralidade da profissão

Em palestra realizada na última quarta-feira (17), na Unisinos, o jornalista Nilson Vargas, editor-chefe do jornal Zero Hora, falou sobre o mercado jornalístico e suas transformações. Para ele, a mudança do mercado é benéfica para o profissional . “O mercado está diferente, mais pluralizado e com mais opções de negócios. Hoje, jornalistas trabalham em coletivos, agências de comunicação, assessorias… É um curso de pessoas ecléticas”, salienta.

De acordo com Nilson, as diversas oportunidades no mercado valorizam o profissional. “A profissão não está mais fácil ou difícil, apenas diferente. Existem inúmeras possibilidades para se trabalhar como jornalista”, salienta.

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