Política

OPINIÃO: Você seria capaz de ler a história da Chapeuzinho Vermelho?

Chapeuzinho vermelho desrespeitou a vovozinha e caminhou sozinha pela floresta. O resto da história todos nós conhecemos, ou não. As nossas crianças talvez não tenham condições de ler a frase e entender de quem, como e o que está se falando.

Certo? Errado. O governo, através do MEC, anunciou que uma em cada cinco crianças de oito anos não sabe ler frases e avalia a situação como preocupante. Além disso, quem garante que no futuro elas vão conseguir?

O governo até tenta. O Ministério da Educação lançou e coloca (?) em prática o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa – PNAIC -, e com ele tenta educar de forma regular crianças até oito anos, compreendendo o tempo considerado adequado para que se aprenda a ler. Contudo, os números não são nada animadores.

O problema é de quem? Fora questões explícitas, as crianças não têm condições de compreensão, ou seja, o MEC admite que não consegue alfabetizar a todos como se propõe. O modelo até parece “simples”, são quatro princípios e metas estipuladas:

1. O Sistema de Escrita Alfabética é complexo e exige um ensino sistemático e problematizador;

O livros didáticos do pacto até norteiam os professores. Encaminham os educadores a buscar modelos de praticar a alfabetização. Contudo, eles ainda buscam entender as crianças em outros materiais;

2. O desenvolvimento das capacidades de leitura e de produção de textos ocorre durante todo o processo de escolarização, mas deve ser iniciado logo no início da Educação Básica, garantindo acesso precoce a gêneros discursivos de circulação social e a situações de interação em que as crianças se reconheçam como protagonistas de suas próprias histórias;

Didaticamente os livros querem que os professores encaminhem os alunos aos temas do cotidiano. Porém, são temas ou são técnicas que ensinam os alunos a ler? Compreendo que seja interessante abordar o mundo que cerca as crianças, mas, infelizmente, percebo que uma simples história ela não saberá ler;

3. Conhecimentos oriundos das diferentes áreas podem e devem ser apropriados pelas crianças, de modo que elas possam ouvir, falar, ler, escrever sobre temas diversos e agir na sociedade;

Ouvir e falar? Certo. Contando que não exista nenhum tipo de deficiência, a criança tem o dia a dia para se inteirar, encontrar e explorar. Sendo assim, acredita que ela use a escola para ampliar as ideias;

4. A ludicidade e o cuidado com as crianças são condições básicas nos processos de ensino e de aprendizagem.

Nesse quesito parecemos bem preparados. Criar ou melhorar ambiente, aconchegar e dar às crianças a melhor educação parece um ideal – nas escolas particulares, e isso não sou eu que estou dizendo.
Aparentemente o nosso ministro Renato Janine Ribeiro entende o caos. Em coletiva – ou seja, pelo menos na frente das câmeras – ele admitiu que a situação é inadmissível. Claro, não podia ser diferente. Espero que, no fim, a criança que leia a nossa primeira frase seja capaz de saber como termina a história da Chapeuzinho Vermelho.

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