Esporte

OPINIÃO: A vida do Inter na série B

Mesmo com estrutura superior aos outros clubes, Internacional não pode esperar vida fácil na Segunda Divisão

Pela primeira vez, em seus 108 anos de história, o Sport Club Internacional disputa a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Para um time com a estrutura que possui e que conquistou tantas glórias em seu passado, o rebaixamento em 2016 foi uma decepção enorme e que deixou os torcedores do clube tristes, envergonhados e desconfiados com uma possível recuperação. Ao mesmo tempo, o ano de 2017 começou com a reestruturação da equipe de jogadores, nova direção e técnico, mas com irregularidade no Campeonato Gaúcho e derrota para o Novo Hamburgo. O que se pode esperar do Inter para a série B?

A primeira partida do Inter na segunda divisão aconteceu nesse último sábado, dia 13 de maio. O Colorado foi até o Paraná para enfrentar o Londrina em seu estádio, em um jogo que iniciou com o estranhamento dos jogadores ao clima da partida, campo e entrosamento da equipe, mas que com o andar se tornou tranquilo e, relativamente, fácil. No final, a vitória do Inter por 3 x 0 poderia ter sido com um placar mais elástico. Mesmo assim, o que importa são os três pontos conquistados e uma perspectiva melhor do que aquela que tínhamos com a perda do Gauchão.

Foto: Ricardo Duarte / divulgação Inter

Foto: Ricardo Duarte / divulgação Inter

Com a saída de mais de 30 jogadores do elenco anterior, a nova direção tomou uma postura diferente. No ano passado, o discurso arrogante da equipe diretiva do Inter, a constante mudança de treinadores e a escolha de um elenco que se mostrou ineficiente foram grandes causadores do rebaixamento. Agora as coisas estão diferentes.

O novo grupo e os novos comandantes do clube receberam uma missão complicada e difícil, mas sabem da importância de se trabalhar controlando a pressão e tentando fazer o melhor para o Inter. A série B do Campeonato Brasileiro é extremamente equilibrada, principalmente quando falamos das quatro primeiras posições, que classificam para o acesso à série A. Nos últimos cinco campeonatos, a maior diferença entre o último classificado e o primeiro não-classificado foi de apenas três pontos, ou seja, uma vitória não conquistada foi o suficiente para que os times não se classificassem.

É lógico pensar que com todo o investimento, estrutura e dinheiro, o Internacional tem a obrigação de subir para a Série A, no mínimo. Mas essa lógica não pode ser aplicada no futebol brasileiro. Dentre todos os campeonatos do mundo, o Brasileirão tem essa paridade entre clubes grandes, com alto poder aquisitivo e clubes menores, onde o investimento é pequeno, mas a determinação e a competência muitas vezes superam esses obstáculos. Vide o campeão Gaúcho de 2017.

Os times que vão disputar o campeonato são tradicionais na competição. Mesmo que não tenham subido no ano passado, lutaram até a última rodada e sempre se mantém equilibrados no campeonato. Em 2016, por exemplo, o Bahia subiu com 63 pontos, enquanto o Brasil de Pelotas, com nove pontos a menos, ficou em 11º lugar. Analisando friamente os números (sem considerar os outros critérios), com três vitórias o time gaúcho poderia ter se classificado.

Acostumados a jogar em gramados de menor qualidade e em estádios com estruturas inferiores às de série A, os outros clubes estão prontos para passar por essas dificuldades que enfrentam todos os dias. Será que os do Internacional estão? O Gauchão foi uma pequena mostra de que não está, mas que pode chegar no ponto ideal para isso. Vontade não faltou.

Além disso tudo, o próprio Internacional pode se tornar um problema para ele mesmo. Manter o foco em todos os jogos é essencial e encontrar um time que tenha um equilíbrio para se manter confiante e vencedor não é tarefa simples. Como um grupo, o Inter conseguiu se formar muito melhor do que no ano passado e, analisando jogador a jogador, tem mais qualidade técnica que os outros times. Mas colocar essa teoria dentro de campo é outra história, pois é preciso que os jogadores sejam uma equipe e não apenas um amontoado de pessoas em campo.

Foto: Ricardo Duarte / divulgação Inter

Foto: Ricardo Duarte / divulgação Inter

A parte emocional conta muito, também. O ano de 2016 mostrou que os jogadores não estavam preparados para superar dificuldades. Uma prova disso é que não teve força para virar os jogos em que saiu perdendo. O apoio do torcedor, mais uma vez, será fundamental neste aspecto. Obviamente, o que a torcida quer é voltar para a série A e disputar os campeonatos que condizem com a sua grandeza. Sem o “ranço” dos jogadores que estavam no rebaixamento (e já não estão mais no clube), o apoio, que foi praticamente incondicional ano passado, só aumentará daqui pra frente.

É importante frisar, também, que a velha história de que “time grande não cai” ou “vamos ganhar no peso da camisa” nem deveria ter surgido. Passado a vergonha e a decepção do ano anterior, podemos dizer que é um marco histórico na vida do clube. É claro, não aquele que nós torcedores gostaríamos, mas ele serve para lembrar as origens de “Clube do Povo”. De certa forma, a conquista de diversos títulos subiram a cabeça de torcedores, jogadores e dirigentes. O que o Inter precisa é resgatar a garra e a vontade de querer ser sempre melhor e batalhar para isso, pois assim, voltará de onde nunca deveria ter saído.

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