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OPINIÃO: tempo e espaço, elementos preciosos na cidade

O número de pessoas em deslocamento ultrapassou a capacidade dos governos de fornecer planejamento urbano de qualidade para as cidades

Congestionamentos causam perda de tempo na vida urbana (Foto: Sergio Trentini)

Congestionamentos causam perda de tempo na vida urbana (Foto: Sergio Trentini)

 

Dois dos elementos mais preciosos nas cidades são o tempo e o espaço. Todavia, o espaço da vida urbana é majoritariamente ocupado por veículos privados e individuais, os carros. E o tempo é, para muitas pessoas, afetado por esse elemento que, juntos, se tornam uma hecatombe espaçoso e prejudicial, inclusive, à saúde e qualidade de vida dos moradores. Ainda assim, se estima que o número de veículos no meio urbano chegue a marca de 2,5 bilhões em 2050. E qual é o impacto desse número?

As pessoas vão para as metrópoles atrás de emprego, cultura e serviços básicos. Esse número de pessoas em constante deslocamento ultrapassou às pressas a capacidade dos governos de fornecer planejamento urbano de qualidade para as cidades. Por isso, as ruas estão dispostas e foram pensadas para os carros, e as pessoas que se deslocam a pé ou de bicicleta acabam sendo reprimidas por essa lógica. Não há espaço para elas. Agora, imagine que a população mundial vai dobrar até 2050. E, hoje, segundo a OMS, o número de mortes anuais por conta da poluição chega a casa dos 7 milhões.

Do estresse emocional à doença pulmonar obstrutiva crônica, a lista de doenças causada pela poluição é extensa. Além disso, eleva o risco de câncer de pulmão e a morte por doenças cardiovasculares e respiratórias. Em uma escala lógica, podemos dizer que as doenças são resultadas das décadas em que o planejamento urbano apenas tornou as ruas maiores para os carros. Mais carros? Um exemplo escrachado é o céu da capital da China, Pequim. Lá, para deixar o céu em sua cor azul original, é necessária uma intervenção governamental. Devido a intensa poluição de carros e fábricas, o céu que os cidadãos de Pequim dispõem todos os dias é acinzentado.

No entanto, quando existem feriados nacionais em que são organizados eventos para a população, o governo proíbe a circulação de carros e o funcionamento de indústrias em determinadas áreas da cidade. Assim, dissipam a névoa de poluição. O resultado são pessoas nas ruas, fotografando o céu azul à exaustão como se fosse uma famosa obra de arte. Imagina? O céu azul é um acontecimento. É uma foto para o Instagram. Algo que deveria ser comum e rotineiro se torna bonito por ser raro.

Poluição em Pequim (Foto: 螺钉/Wikicommons)

Poluição em Pequim (Foto: 螺钉/Wikicommons)

 

Em Pequim, em alguns momentos do ano passado, o número de partículas atingiu a marca de 256 microgramas por metro cúbico. Importante ressaltar que a máxima quantidade que o corpo humano suporta de partículas de poluição, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é de 25 microgramas por metro cúbico. Estar acima do limite recomendado pela OMS não é exclusividade da China. O Brasil ocupa uma posição intermediária no que se refere à poluição do ar, sendo apenas menos poluído que países como Rússia, China, Índia e África do Sul.

Não é apenas na saúde física que o cenário que escolhemos para viver nos afeta. Doenças psicológicas como estresse e depressão também se proliferam por conta da intensidade com a qual a cidade se manifesta em nossas vidas. Precisamos ter sempre em mente que espaços de lazer, parques com áreas verdes e silêncio possuem grande potencial para que relaxemos e tenhamos algum nível de fuga da rotina, necessária para mantermos nossa espiritualidade em dia.

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