Cultura

CRÍTICA: Teatro de rua desembarca nas comunidades de Gramado

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A interação do ator após a apresentação faz a alegria das crianças / Foto: Francine Tisiam

Simples, despretensioso e reflexivo. Essas três palavras dizem muito sobre a peça de teatro de rua “Fritz”, do grupo de teatro Nós Mimo de Gramado, na Serra Gaúcha:

Simples: um palhaço, aparentemente introspectivo, mas que aos poucos ganha a confiança da plateia com suas vestimentas surradas e seu chapéu velho, além de fazer um som bastante engraçado com o apito interno na boca.

Despretensioso: teatro de rua, sem cenário, com poucos elementos para a encenação, mas que preenchem o espaço e prendem a atenção dos espectadores.

Reflexivo: com mímica, o palhaço revela aos espectadores o poder do capitalismo e da ambição, envolvendo o imaginário por meio da arte corporal com pantomima (Ação de representar uma história utilizando somente gestos e/ou expressões faciais).

Após ser contemplado pelo 1º edital do Fundo Municipal de Cultura de Gramado, o grupo Nós Mimo, com o projeto Mimicando na Serra, liderado pelos atores Alessandro Müller e Luana Michel, teve a oportunidade de espalhar a arte cênica para diferentes comunidades em Gramado. A experiência com a mímica e a pantomima intriga os olhares atentos, movimentando o íntimo, externando a curiosidade e rendendo bons debates com a história de Fritz e seus chapéus.

 

Breve enredo

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Cerca de 300 crianças e adolescentes assistiram ao espetáculo no bairro Dutra, em Gramado. (Foto: Francine Tisiam)

 

O personagem Fritz, um pouco atrapalhado, encontra um chapéu lindo, colorido com as cores da bandeira dos Estados Unidos. Nesse meio tempo, deixa de lado seu chapéu preto, bem velhinho, e começa a usar o chapéu do “capitalismo”. Aparentemente tudo certo, até o momento em que Fritz começa a ter movimentos involuntários, que surgem quando veste o acessório que encontrou em uma mala. Sem a liberdade de suas atitudes, Fritz, bastante frustrado, busca se desvencilhar do chapéu, compreendendo que a sua realidade é bem melhor do que a proporcionada por um simples chapéu branco, azul e vermelho.

 

Acesso à cultura

Trazer a arte para a rua é uma das bandeiras do grupo Nós Mimo. No final da apresentação, Alessandro Müller, ator que interpreta Fritz, faz um questionamento à plateia, composta por crianças e adolescentes: quantos deles já tiveram a oportunidade de ir a um teatro ou assistir a algum espetáculo? Infelizmente, as respostas positivas podem ser contadas nos dedos.

Nesse sentido, de aproximar crianças e adolescentes com a arte, que o grupo criou o projeto que foi contemplado pelo edital de cultura. O monólogo teve cinco apresentações em bairros e escolas de Gramado, o que deixou o grupo bastante satisfeito em levar essa arte para perto deles. “Se um deles resolver montar um projeto artístico e concorrer a um próximo edital, com certeza nossa mensagem foi passada e a cultura não será abandonada”, projeta Alessandro.

Apesar de Gramado ser uma cidade rica no que se refere à diversidade cultural, há muitas pessoas, principalmente crianças e adolescentes, que não possuem acesso aos movimentos culturais. O projeto idealizado pelo grupo Nós Mimo é simples, de certa forma despretensioso e, acima de tudo, reflexivo. Sem dúvida, é uma oportunidade de apresentar às pessoas o teatro de rua e mostrar que para fazer arte não se precisa de grandes cenários, muitos personagens e coisas mirabolantes. Precisa-se de oportunidade e de uma boa história, que passe verdade e encha os corações da plateia de boas intenções e alegria.

 

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