Esporte

OPINIÃO: Será Tite um novo Vanderlei Luxemburgo?

Após sucesso por diversos clubes , Tite tem a chance de assumir a Seleção Brasileira

Futebol. Onze contra onze. Isso acabou, definitivamente. Na primeira copa vencida pelo Brasil, em 1958, a notícia era que a antiga Confederação Brasileira de Desportos (CBD) disponibilizaria um dentista para cuidar da saúde bucal dos jogadores. Hoje, equipes de médicos, fisiologistas, nutricionistas, analistas e quantos mais “istas” quiserem ser solicitados fazem parte da equipe de “apoio” das comissões técnicas responsáveis por extrair o melhor de cada atleta. Antigamente, o que se extraia eram só os dentes mesmo.

O treinador figura hoje como um 12° jogador. Respaldado por toda essa equipe, ele é responsável por conseguir conduzir grupos de atletas a resultados que nem eles esperem atingir. No entanto,  é importante lembrar que o sentido de responsabilidade é ambíguo, ou seja: quando ganha, ganha o grupo. Quando perde, o primeiro a cair é o professor.

Possivelmente, o último professor da era Pré-moderna do futebol tenha sido Vanderlei Luxemburgo. Sua forma de trabalhar o esquema tático e as variações dentro de campo eram magníficas. Ainda hoje, em pleno 2016, não é difícil ver em diversas mesas redondas, o “pofexô”, em alusão ao seu sotaque e a supressão da letra “R”, ser cotado para assumir equipes de primeiro escalão do Brasil, ou até ser denominado como melhor estrategista do futebol brasileiro.

No entanto, do mesmo jeito que sua subida foi meteórica, chegando ao poderoso Real Madrid, a sua descida foi galáctica, com um nocaute que deve tê-lo feito “ver estrelas”. Personalidades como Roberto Carlos, Zidane, Beckham, Raúl, Ronaldo e Owen foram obrigados a atuar em seu antes inovador, mas agora teimoso esquema, o 4-4-2. Com a formação de um losango no meio, onde apenas um volante seguraria todo ímpeto da dupla de meias abertos das outras equipes, Luxemburgo fracassou. A cultura do futebol espanhol era de dois meias mais abertos, com dois volantes na contenção das equipes adversárias. Além disso, um camisa 11 que flutuava em frente a área, e um camisa 9, o popular “fazedor de gols”.

A teimosia do treinador era arrogante. Querer doutrinar um futebol que jogava há anos assim parecia idiotice, e foi. Sem resultados expressivos, o treinador foi demitido do comando da equipe madrilenha.

Me referi a Luxemburgo como treinador da era Pré-moderna. Uma era onde as imagens ainda não constituíam tão claramente o imaginário dos treinadores e a concretização de movimentos táticos por parte dos atletas. Adenor Bachi, o Tite, é o professor da Era Moderna. Tática, técnica, mentalidade e coração se unem para uma das colocações mais emblemáticas do treinador – “Futebol não é ganhar a qualquer custo. Jogar bem para ganhar. Mostrar desempenho pra conseguir as vitórias”, são compilados de colocações de Tite quanto a forma que trabalha suas equipes para vencer.

Capas da revista Placar mostram indefinições e dúvidas da Seleção Brasileira desde a Copa de 2012. Foto: Guilherme Rossini/Beta Redação

Capas da revista Placar mostram indefinições e dúvidas da Seleção Brasileira desde a Copa de 2012. Foto: Guilherme Rossini/Beta Redação

Talvez seja utópico, ou até mesmo um pouco hipócrita, mas o professor Tite vem mostrando que isso é possível. Sua evolução é notória, dentro e fora de campo. Dentro, ganhou tudo o que podia nos últimos 5 anos. De Campeonato Estadual a Mundial de Clubes. Mas não foram só os títulos dentro de campo, mas o respeito fora das quatro linhas. Em 2014, o treinador teve um comentadíssimo “ano sabático”, conhecendo profissionais como Marcelo Bielsa, multicampeão pelo Boca Juniors, e Carlo Ancelotti, campeão da Liga dos Campeões da Europa pelo Milan e Real Madrid. Em 2015, implementou uma nova palavra a seu trabalho: INTENSIDADE. O 4-2-3-1, antes campeão, virou o mágico 4-1-4-1, onde a equipe trabalha ataque e defesa em blocos. Entre palavras, táticas, e resultados, Tite chegou a Seleção Brasileira.

Há um ditado popular que diz que “toda unanimidade é burra”. Ao assumir a Seleção, Tite era unanimidade. No entanto, bastou a primeira convocação para a unanimidade acabar. Paulinho e Taison seriam os responsáveis por isso. Na convocação dos dois, o treinador foi severamente criticado e, com isso, acabou a unanimidade. Até nisso Tite acertou. Se toda unanimidade é burra, o treinador agora tinha o aval até dos ditos populares para salvar a nossa pátria amada.

Com 6 pontos em dois jogos perigosíssimos contra Equador e Colômbia, Tite ganhou a confiança dos atletas, da torcida, e da imprensa. Luxemburgo já esteve em situação parecida. Portanto, apesar das diferenças entre os treinadores, será Tite um novo Luxemburgo?

O Brasil espera que não.

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