Esporte

OPINIÃO: Ruim na Copa, pior nas Olimpíadas?

O Brasil vivia em festa há pouco mais de um ano. Entre junho e julho de 2014, a Copa do Mundo trouxe seleções e, com elas, milhares de torcedores estrangeiros interessados não só nos jogos, mas também na sede do evento. Além das partidas, as paisagens e a cordialidade do povo chamaram a atenção de quem visitou o país.

Mesmo que os principais serviços tenham funcionado como deveriam, a população sabia do caos que havia se instaurado alguns meses antes. O “jeitinho brasileiro” deu as caras mais uma vez. Os últimos detalhes foram ajustados às pressas e alguns projetos foram descartados, mas isso não foi suficiente para corrigir os atrasos.

As obras de mobilidade urbana que deveriam estar prontas no ano passado seguem até hoje na maioria das cidades. Além disso, alguns dos estádios foram entregues a menos de cem dias da abertura da Copa. De acordo com uma previsão feita em 2010, eles deveriam ser financiados pela iniciativa privada. Ainda assim, custaram R$ 8 bilhões aos cofres públicos.

No entanto, esse investimento não foi suficiente para garantir um bom público após o período. O fator contribuiu, inclusive, para o aumento no valor dos ingressos e as consequentes reivindicações dos torcedores. Dos 12 estádios e arenas construídos ou reformados, maioria não atinge a renda suficiente para se manter sem que dependa de aluguéis para eventos de outro gênero, como shows e festas.

A expectativa se volta agora para as Olimpíadas de 2016. A menos de um ano de seu início, a história parece se repetir. Falta de planejamento, atrasos e problemas ambientais ditam o ritmo das obras. Existem ainda impasses sociais, como a remoção de moradores de uma comunidade próxima ao Parque Olímpico, que dificultam a continuidade do trabalho.

A diferença, nesse caso, é que parte da estrutura construída na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, será demolida para dar lugar a um condomínio. No primeiro caso, da Copa, os espaços continuam públicos; neste, das Olimpíadas, ao contrário, serão ocupados por casas e apartamentos de luxo. Isso é suficiente para saber o que esperar como legado dos jogos.

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