Esporte

OPINIÃO: Para poucos verem

Paralimpíada não recebeu a mesma cobertura que as Olimpíadas

No dia 18 de setembro, encerrou-se as Paralimpíadas do Rio, e o que fica, é o vazio. Não só pela saudade dos jogos e pela movimentação que causou no país, mas pela falta de informação sobre o evento.

Cerca de um mês antes, ocorreram as Olimpíadas. Foram duas semanas de intensa cobertura por todos os meios de comunicação, ao ponto de ficarmos perdidos sobre o que assistir. A mudança de canal era constante, pois cada um cobria uma modalidade diferente e a vontade de presenciar o máximo de esportes possíveis fazia com que assistíssemos um pouco de tudo.

Choramos e vibramos com vitórias e derrotas. Com histórias. Ao final dos jogos, aquela sensação de que eles poderiam durar mais do que duas semanas permanecia com grande parte das pessoas. Mas não tinha problema. Logo ali na frente, viriam as Paralimpíadas para emocionar (ainda mais).

Bruna Alexandre - medalha de Bronze do Tênis de Mesa. Foto: Agência Brasil Fotografias

Bruna Alexandre foi medalha de Bronze no Tênis de Mesa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

E de fato, vieram. No feriado de 7 de setembro, foi dada a largada, com um show de abertura tão elaborado quanto das Olimpíadas, mas que quase ninguém viu. Enquanto aguentamos firmemente durante duas horas, a passagem de todas as delegações participantes dos jogos olímpicos, não nos foi possível apreciar a cerimônia das Paralimpíadas.

Bom, se você possui televisão por assinatura, teve acesso a competição. Você, e mais 32,1% da população brasileira, segundo dados do IBGE (2014). Agora, se você faz parte da grande maioria da população, a história foi outra. As opções? Procurar informações pela internet (perdidas entre inúmeros acontecimentos do futebol), ou esperar até a madrugada para assistir os chamados “compactos”.

Não se pode negar. As Olimpíadas comportam 39 modalidades. As Paralimpíadas, apenas 22. A delegação brasileira olímpica possuía 465 atletas. A paralímpica, 278. Mas isso não deveria ser levado em conta. A preparação e o comprometimento dos paratletas é igual ou até maior do que o atleta sem deficiência.

Mesmo com uma delegação menor e com menos modalidades, a equipe brasileira somou 72 medalhas. Setenta e duas. Delas, 9 foram de apenas um atleta: Daniel Dias. O que a cobertura endeusou Phelps com suas 5 medalhas, não deu o mesmo valor para um brasileiro que conquistou quase o dobro, também na natação.

Com essa soma, o Brasil chegou a 8ª posição no ranking de medalhas. Eles queriam a 5ª. Mas isso não desmerece as 14 medalhas de ouro, 29 de prata e 29 de bronze conquistadas ao longo da competição. As modalidades, foram as mais variadas: atletismo, ciclismo de estrada, futebol de 5, tênis de mesa, vôlei sentado, hipismo, canoagem.

Sergio Oliva, ganhador da medalha de Bronze no Hipismo. Foto: Agência Brasil Fotografias

Sergio Oliva, ganhador da medalha de Bronze no Hipismo. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A popularidade de um evento desse porte se mede pelo envolvimento do público. E quem assiste, se interessa pela competição. Por ver quem vai ganhar e perder, mas principalmente, pela história de superação. Tudo isso está presente não só na Olimpíada, mas na Paralimpíada.

O que aparenta é que o tipo de cobertura feita, segue a mesma linha de raciocínio que a campanha de divulgação dos jogos com a Cleo Pires e o Paulinho Vilhena. Como se a Paralimpíada não tivesse força nem audiência sozinha, e assim, precisasse ser levada de forma alternativa, reduzida.

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