Política

OPINIÃO: Onda de desilusão

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Saudação utilizada para identificar membros da Onda

Política, economia e convívio em sociedade passam por um momento de total desestabilização. A cada dia, um novo rompimento partidário, um novo gráfico decrescente, uma tabela de alta do dólar e mais impostos – em seu sentido literal, “que se obrigou a aceitar” – tomam conta dos noticiários. A falta de tempo e paciência, recursos hoje tão escassos, contribui para o cenário de caos. Não há garantias e, por consequência, não há estabilidade.

Tempos de descrença são capazes de fazer renascer ideias até então esquecidas, renegadas. Os movimentos extremistas se mostram fortes no Brasil e no mundo e reafirmam que os discursos discriminatórios ainda têm vez.

Por isso, cabe comparar a atual conjuntura àquela retratada no filme alemão A Onda, de 2008. Nele, o diretor Dennis Gansel recapitula a história do professor Ron Jones que, em 1967, em Palo Alto, Califórnia, propôs um experimento diferente a seus alunos: eles viveriam segundo os padrões do nazismo durante uma semana. O filme, no entanto, se passa na Alemanha.

O professor Rainer Wenger (Jürgen Vogel) é designado a dar uma aula sobre autocracia por uma semana. No primeiro dia, tem a ideia de fazer com que aquele ambiente se torne um pequeno exemplo de como funciona o regime totalitário. Preceitos como renovação, disciplina e unidade são postos em prática aos poucos, tornando os integrantes d’A Onda alienados, seja por meio de uniformes, seja por meio do cumprimento que criam. Com o tempo, eles passam a oprimir aqueles que não fazem parte do movimento.

A conturbada relação de empoderamento x discriminação é a mesma vista na sociedade atual. Enquanto movimentos, principalmente religiosos, ganham força por serem vistos como agregadores por seus adeptos, retrocedem ao querer determinar que todos devem seguir seus preceitos. A devoção ali representada é encontrada em cada esquina fora das telas. O filme, nesse caso, é um exemplo dos rumos extremos a que esse panorama pode levar.

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