Cultura

OPINIÃO: O rock morreu

Aproveitem o que restou. Não vai durar muito.

Toquem os sinos do inferno. Soem a marcha fúnebre. O rock and roll morreu. Otimistas ainda veem restos de vida nos tímidos pulsos do eletrocardiograma. Mas não se enganem: só em Hollywood a linha fica totalmente reta logo após o momento final.

Os sinais de fraqueza apareceram logo no início dos anos 90. E a doença diagnosticada era grave. O rock sofria de grunge. Letras agressivas e, por vezes, sem sentido, muita distorção, experimentação, repetição, repetição e repetição. Quase uma releitura do punk. Acontece que estava desconectado de sua época.

Ficar revoltado nos anos 60, 70 e 80 era mais fácil, visto as guerras em curso, a economia em declínio e as transformações sociais em ascensão, para citar apenas três exemplos. E o rock teve uma importância tremenda nessa efervescência. Mas e os 90? A economia já estava ok, pedaços do Muro de Berlim já eram vendidos como souvenires, ser gay já não era considerado doença. Não havia grande sentido em dizer que “ninguém morre virgem. A vida [email protected]& todo mundo antes disso”.

Kurt cometeu o suicídio e selou o fim da última grande banda de rock. Foo Fighters aproveitou o embalo e reuniu os saudosos em torno de seus hits. A adaptação do estilo com as novas tecnologias foi traumática, vide o caso Metallica chorando por ter suas músicas em mp3 disponibilizadas para quem quisesse ouvir. De alguma forma, achavam isso ruim. Já o pop e a música eletrônica despontaram justamente por essa adaptação aos novos tempos. Darwin já dizia desde o séc. XIX: É o mais adaptado que sobrevive, não o mais forte. Vieram os meteoros da globalização e o rock ainda era dinossauro, pois fugiu da escola décadas antes.

A música emo foi um bom último suspiro. Tirou as roupas pretas do armário depois de tanto pop. Foi rejeitado pela ala mais puritana do Rock, sem um AC/DC para se agarrar. Nem se importaram ao ver o rock na UTI. Preferiram reviver os grandes momentos da época dourada. Foram montados grandes templos para essa contemplação.

Aerosmith, Bon Jovi, Kiss, Rolling Stones e muitos outros saíram em cruzada, digo, turnê. Mais do mesmo. Típico de um situação sem volta. Os viúvos do rock buscam consolo em tempos felizes. O indie rock vem fazendo a linha alternativa, uma trilha sonora que faz muitas misturas e quebra os mandamentos do refrão ou notas dó, mi e lá em todas as canções. Não movimenta multidões. Nem quer. Os fãs se orgulham ao dizer “ninguém ouve o que eu ouço” ou “conheci esse artista quando eles lançaram o primeiro álbum”.

Para o fim com todas as letras e todo o peso de um encerramento, faltam algumas mortes de cânones do estilo. Até lá, vamos celebrar com festa, velório e caixão.

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