Cultura

OPINIÃO: O rock morreu?

Será que o estilo musical que movimentou gerações realmente decretou seu fim?

A Ipanema FM ajudou a criar a identidade rock na capital dos gaúchos. Idealizada por Nilton Fernandes e Mauro Borba, a rádio que tocava rock em Porto Alegre era totalmente inovadora para os anos 80. Os locutores tinha liberdade para tocar e falar o que quiserem e a estação adotou por muitos anos a identidade de alternativa por agregar vários estilos musicais na programação. O tempo passou e a rádio conquistou um público fiel, principalmente os roqueiros gaúchos. Em julho de 2014, a Ipanema adotou o slogan “a rádio rock de Porto Alegre”, com a intenção de se colocar como referência para o gênero rock. Mas o resultado não deu certo e após um ano a rádio rock de Porto Alegre saiu do ar depois de 32 anos ocupando o mesmo dial. Mas qual seria o verdadeiro motivo para o fim das transmissões? Será que o rock não toca mais em Porto Alegre?

O surgimento do gênero musical rock’n’roll é marcado pela política conservadora da guerra fria e os rigorosos códigos morais e sexuais nos anos 1950, com a intenção de transmitir uma mensagem e símbolos de rebeldia, mudança social e sentimentos. Tudo começou em 1950, quando o estilo buscava um movimento libertador do corpo com uma batida forte e dançante, época que foi o grande marco da geração baby boom. Alguns anos depois, na década de 1960, o gênero musical foi marcado pela junção do folk, blues e jazz dando origem ao rock conhecido como “clássico”.  Em 1970, surgia o punk rock com muita força e colocou como lema principal do movimento a mensagem o “no future. Seguindo os mesmos ideias, o estilo largado do grunge chegou para colocar mais desordem nos anos 80. Agora os roqueiros gritavam para o mundo a mensagem de “I don’t care”. Toda negação é deixada para trás e jeito mais adolescente toda conta dos anos 1990. Com a influência das composições brasileiras do forró, surge Os Raimundos – criando mais uma junção do gênero com outros estilos musicais.

Durante todos esses anos, o rock inspirou multidões com suas características de rebeldia, autenticidade e caráter alternativo, mas tudo isso não foi suficiente para suportar o início dos anos 2000. Foi nessa época que surgiram os refrões chicletes do sertanejo, do axé e do pagode – e que roubaram os topos das listas de pedidos da rádios brasileiras. Na lista das 100 músicas mais tocadas nas rádios em 2014, o gênero rock é representado apenas pelo Skank que se encontra na 93ª posição. Para o cantor Samuel Rosa, do Skank, a culpa disso tudo é do público brasileiro que não se reinventou e não buscou aperfeiçoamento musical – preferindo sempre os refrões pobres. Já para os pesquisadores e seguidores, o verdadeiro motivo para tocar e ouvir rock’n’roll é fugir do lugar-comum e ser oposto dos padrões da mídia, quebrando os códigos tradicionais e afirmando sempre o caráter alternativo e underground. E por isso, o gênero ainda vende muito, lota grandes estádios e conquista novos seguidores.

O que é realmente o rock’n’roll? Um estilo musical que está perdendo força ou um movimento identitário que marcou gerações em torno do mundo? Arrisco afirmar que o rock’n’roll se difundido tanto com outros gêneros que foram surgiram ao longo das décadas, como o indie rock que acabou virou um gênero indefinido e vive do passado glorioso. Se ele parou de tocar em Porto Alegre e nas outras capitais? Não sei, mas ele está passando por uma crise existencial.

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