Política

OPINIÃO: “O Mercado de Notícias”, uma aula de ética sobre jornalismo

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Cena de O Mercado de Notícias/Divulgação: Casa de Cinema de Porto Alegre

É através da encenação de uma peça do dramaturgo inglês Ben Jonson e entrevistas com 13 jornalistas que o diretor e roteirista Jorge Furtado trata do jornalismo e da mídia de forma bem-humorada em “O Mercado de Notícias”.

O documentário fala sobre notícia, mídia e democracia, contando um pouco da história da imprensa. Entre os temas principais, também são discutidos tópicos como construção da opinião pública, demanda e credibilidade da notícia, além de interesses econômicos e políticos que, muitas vezes, movem a mídia. Os jornalistas expõem, através das entrevistas, suas opiniões e experiências como profissionais da área.

“A peça faz uma leitura irônica de uma crítica ácida ao fato de que, naquele momento, a informação tenha se transformado em uma mercadoria”, explica a jornalista Renata Lo Prete, entrevistada para o documentário. Mercadoria que nós, jornalistas e sociedade, acompanhamos no dia a dia. O jornalismo pouco tem tratado a notícia com o devido valor, perdendo grandes oportunidades de sair da mesmice e partir para uma área que perde no quesito rentabilidade, mas engrandece quanto à credibilidade.

Outro entrevistado é o jornalista José Roberto de Toledo. Ele acredita que “vivemos agora uma outra revolução em que a informação, exclusivamente como mercadoria, perde um pouco do valor de mercado, porque está muito mais ao alcance de todos sem necessidade de uma mediação que antes esses jornais faziam”.

Os blogs, que hoje são inúmeros dentro do meio midiático, têm um papel cada vez mais importante, mas, que segundo Toledo, não suprem a necessidade de informação da sociedade. Isso porque o jornalismo e seu processo de produção é coletivo (quanto mais coletivo, melhor), e nos blogs o que predomina é a autossuficiência. Mesmo noticiando algo muito relevante e com diversos pontos de vista, desde a apuração até a publicação o processo todo foi realizado, na maioria das vezes, por uma única pessoa. O que significa que tudo partiu de um único indivíduo opinante.

“’O Mercado de Notícias’ debate critérios jornalísticos. É também uma defesa da atividade jornalística, do bom jornalismo, sem o qual não há democracia”, explica Jorge Furtado. O filme todo, pode-se dizer, é uma aula de ética, trazendo os pontos de vista dos jornalistas a respeito do mercado, da função do jornalista e dos desafios da profissão também como atividade econômica.

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