Política

OPINIÃO: O 30 de junho e as greves que não mudaram nada

Está na hora de o povo buscar uma alternativa de protesto

Em meio à era tumultuada que vive a política brasileira, greves e protestos vêm sendo uma ferramenta bastante utilizada pelos manifestantes de oposição. Porém, algo de errado aconteceu na última tentativa, no fim de junho. Após o sucesso da tentativa no final de abril e dos protestos organizados de última hora na metade do mês de maio, devido ao vazamento dos áudios do presidente Michel Temer com o dono da JBS, era de se esperar que a próxima greve geral fosse de grande adesão.

O ato, entretanto, foi um fracasso. O transporte público, por exemplo, seguiu funcionando normalmente, os rodoviários não aderiram – até houve uma tentativa de bloqueio das garagens, que logo foram liberadas, após ação da polícia nas primeiras horas do dia. Alguns funcionários da Trensurb não compareceram ao trabalho, porém isso não impediu que os trens também operassem normalmente. Pelo contrário: devido à falta de pessoas nos guichês, as roletas foram liberadas, e a população viajou de graça, apenas com alguns atrasos.

A única grande diferença que se percebeu em Porto Alegre no dia 30 de junho foram as ruas desertas no centro da cidade. Agora, por que, em meio a tantas insatisfações com o atual governo, as pessoas não aderiram à greve? Será que perderam a esperança? Não estaria na hora de buscar uma outra alternativa? A paralisação realmente funciona?

Em entrevista ao Nexo Jornal, o cientista político Carlos Pereira, referindo-se à greve geral anterior, do dia 28 de abril, apontada como uma das maiores da história do país, respondeu o seguinte sobre os resultados desse tipo de ato: “É um efeito muito baixo ou mesmo inexistente, porque se trata de um governo que tem vida curta e que já não desfruta de popularidade. A estratégia de reforma é a estratégia de um presidente que não se preocupa em se reeleger, e é também a forma de sobrevivência de todos esses políticos que vivem essa enxurrada de denúncias, e que dão sustentação ao governo”.

Ou seja, Pereira ressalta que o governo atual não deve tentar se reeleger em 2018, então a impopularidade de suas medidas pouco influenciará nas suas decisões. Se ao final de abril, quando tivemos uma das maiores paralisações da história do país, a mesma pouco surtiu efeito, pergunto se insistir na organização de greves gerais realmente está resultando em algo ou se está apenas demonstrando a insatisfação do povo.

Faço aqui uma crítica ao modelo, não às adesões. Se voltarmos um pouco, nos grandes protestos de junho de 2013, a adesão nacional foi gigantesca e mesmo assim, no ano seguinte, o governo se reelegeu, a corrupção continuou, e as insatisfações do povo com quem comanda nosso país seguem as mesmas.

Não sou político, não sou sindicalista e não consigo pensar em uma solução, mas acredito que insistir em um formato que não vem dando resultado não é o caminho correto. Se quem realmente tem o poder de mudar as decisões e influenciar no futuro do país não está sendo afetado pelas manifestações, que sentido há em realizá-las?

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