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OPINIÃO: Não temos todo o tempo do mundo

Desde o último final de semana, o vídeo de um comercial alemão circula nas redes sociais. A rede de supermercados EDEKA acertou em cheio ao elaborar uma campanha de Natal tão emocionante que nos faz refletir sobre as nossas prioridades. É um retrato perfeito, eu diria, da família moderna.

Quando se fala em Natal, o meu pensamento é, automaticamente, direcionado à minha família. E acredito que isso aconteça com maioria das pessoas quando a pauta é essa. É aquela época do ano em que reunimos pais, irmãos, tios, primos, avós, bisavós, aquele amigo que mora longe da família e não pôde viajar, cachorro, gato, pato, periquito. É um momento de união, de confraternizar e estar junto daqueles que amamos e que, muitas vezes, não pudemos encontrar ao longo dos 11 meses que se passaram.

No entanto, o vídeo mostra um velhinho solitário, que teve de tomar uma atitude radical para reunir toda a sua família no feriado natalino. O comercial mostra os filhos distantes e atarefados, sem tempo para atividades que não estivessem relacionadas ao trabalho, quando eles recebem uma carta comunicando o falecimento do pai. Ao se reunirem para lamentar a perda, são surpreendidos com uma mesa de Natal posta e o pai à espera deles.

Quem não se emocionou ao ver a cena final ou não lembrou de algum ente querido que, por artimanhas do destino, não faz mais parte deste mundo, por favor, me diga. É impossível não nos identificarmos com a rotina corrida dos filhos que foi mostrada no comercial. Quantas vezes colocamos o trabalho, a faculdade, ou até mesmo compromissos fúteis à frente de uma visita aos nossos familiares que tanto amamos por termos a falsa ideia de que “podemos deixar para depois”? Quantas vezes deixamos de lado, até mesmo, uma simples ligação? Quantas vezes deixamos de elogiar ou dizer o quanto aquela pessoa é essencial na nossa vida?

Nestes meus 23 anos, 2015 lidera o ranking de ano mais difícil e pesado de encarar. Em meio a tanta tragédia, crises, guerra, “tombos” pessoais, um comercial como esse me fez parar. Respirar. E ver que, muitas vezes, gastei a minha energia com aquilo que foi ruim, que não funcionou, ou que não aconteceu da maneira como eu esperava, ao invés de valorizar o que eu tenho de mais precioso na minha vida e que me acompanha desde sempre: o amor da minha família e dos meus amigos.

O vídeo choca e não é por acaso. Quem já perdeu alguém? Quem teve a chance de se despedir desse alguém? Clichês à parte, o comercial é um verdadeiro tapa de luva na sociedade atual. É preciso, sim, priorizar e valorizar momentos com aqueles que amamos. Porque não, não temos tempo suficiente. Não sabemos o dia de amanhã. E, infelizmente, ainda não foi inventado um dispositivo que nos permite saber quanto tempos ainda teremos com aquela pessoa especial.

 

 

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