Política

OPINIÃO: Ippon na política gaúcha

João Derly anuncia sua saída do PCdoB e filiação à Rede de Marina Silva

Deputado João Derly anuncia sua saída do PCdoB. Foto: Luis Macedo / Agência Câmara.

Deputado João Derly trocou o PCdoB pela Rede / Foto: Luis Macedo, Agência Câmara

A Rede Sustentabilidade não tem nem um mês de fundação e já chama a atenção pela quantidade de adesões. Heloísa Helena, vereadora de Maceió – e uma das principais lideranças do PSOL –, deixou o partido que ajudou a fundar para se ligar à sigla. Randolfe Rodrigues, senador pelo Amapá, também eleito pelo PSOL, anunciou desligamento do partido para fazer parte do novo time de Marina Silva. Eliziane Gama (PPS do Maranhão), Miro Teixeira (PROS do Rio de Janeiro) e Aliel Machado (também PCdoB do Paraná), deputados federais, foram outros parlamentares que decidiram se desvincular de seus partidos para fazer parte da Rede.

Na última segunda-feira, as articulações de Marina repercutiram na política do Rio Grande do Sul. João Derly anunciou sua saída do PCdoB para militar agora no partido da ex-senadora. A saída repentina foi criticada pelos comunistas em nota oficial. Manuela D’Ávila, deputada estadual e principal cabo eleitoral de João Derly, também se mostrou descontente com o ex-colega. “Depois de ter reafirmado sua permanência no partido, fui surpreendida com a notícia da saída de João Derly do PCdoB. João fez um grande mandato como vereador por nosso partido e com isso foi escolhido nosso candidato a deputado federal. Nesse período em que atuou no PCdoB João contou com o apoio firme de nossa militância. Sei que todos estão frustrados e surpresos. Milito há 17 anos em um único partido, acredito que fazemos escolhas pela visão de mundo que temos. Não compreendo mudanças repentinas”, disse a deputada em seu Twitter.

O fato é que o ex-judoca João Derly deu um Ippon em Manuela D’Ávila. João foi convidado justamente por ela para entrar no partido. Além disso, Manuela foi a principal figura da campanha de João ao Congresso. A comunista realmente deve estar frustrada, afinal, graças a ela o “monstrinho” se criou (convenhamos, por mais que tenha sido medalhista olímpico, João Derly sozinho não teria força para ir a lugar algum, não foi um ídolo como Romário, Danrlei ou Jardel). Apesar de tudo, João agradeceu Manuela em nota oficial e ela retribuiu lhe desejando sorte. O PCdoB-RS perde seu único nome em Brasília. Derly tem seus motivos: o deputado foi repreendido publicamente pelo seu ex-partido por votar contra as novas regras do seguro-desemprego, enquanto o PCdoB votou a favor, e isso não se faz.

Essa mudança de galho me incomoda. Aliás, Marina Silva, presidente da Rede, é especialista no assunto. Concorreu nas últimas eleições pelo PSB, militou grande parte da vida pelo Partido Verde, começou a vida pública no PT e nas últimas eleições apoiou Aécio Neves (PSDB) no segundo turno. Confesso não entender Marina, muito menos sua ideologia. A que veio a Rede Sustentabilidade? Apesar das rápidas adesões à sigla, o futuro do partido da acriana ainda é uma incógnita. Trata-se de um partido de direita ou de esquerda? A Rede não possui uma linha pragmática clara, e Marina é conhecida apenas por ser ambientalista, o que não significa nada. Pesa contra sua imagem o fato de ser religiosa e, por isso, conservadora em diversos temas que hoje bombam nas redes sociais (e são capazes de destruir com a imagem de um parlamentar). Apoiada na bandeira da “nova forma de fazer política”, slogan que levou para a última campanha presidencial, Marina funda um partido para, aparentemente, satisfazer seu ego. E João Derly, nessa história toda, não sei onde se encaixa. Procurei alguma foto dos dois juntos, algum encontro, alguma reunião de que ambos tenham participado, e não encontrei nada. Será que se conhecem pessoalmente? De onde partiu esse convite? Me parece que a Rede foi o galho menos frágil que João Derly encontrou para pular, afinal, todos os outros parecem estar prestes a quebrar com a crise de identidade que assola a política nacional.

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