Política

OPINIÃO: Valentina, #PrimeiroAssedio, Shemale Calendar e a regulação da Internet

Valentina é uma menina de 12 anos. Ela é uma das concorrentes da edição júnior do MasterChef, programa em que amadores disputam o prêmio de melhor cozinheiro do Brasil. Ela é, também, a mais recente vítima da cultura do estupro vigente no país. Na última terça-feira (20), o Twitter foi palco de comentários machistas, que incitavam a pedofilia enquanto o programa ia ao ar. Frases que a culpavam por ser bonita e que a sexualizavam se disseminaram rapidamente. 

Como resposta ao ocorrido, o coletivo feminista Think Olga criou uma campanha para que mulheres relatassem o primeiro caso de assédio de que lembravam. Histórias de abuso, cantadas e assovios vieram à tona na rede social com a hashtag #PrimeiroAssedio. O mais chocante eram as idades: seis, nove, 10 anos. Além de exporem diversas situações traumáticas, elas usaram esse meio para dar suporte umas às outras e muitas lamentaram o fato de essa cultura ser comum no país. 

Um dos tweets com a #PrimeiroAssedio

Um dos tweets com a #PrimeiroAssedio.  Foto: Twitter

Outro caso que mereceu atenção nos últimos dias foi o do Shemale Calendar. Estampado com fotos de travestis, o calendário da marca de sistemas automotivos Meritor foi produzido pela agência publicitária Leo Burnett Tailor Made. A campanha que incentivava o uso de peças originais tinha como slogan “se não é original, mais cedo ou mais tarde você sente a diferença”. Além do slogan, o fato de as modelos não terem sido informadas sobre a finalidade das fotos gerou polêmica. A “campanha” foi divulgada quarta-feira (21) na página do Facebook do 39º Anuário do Clube de Criação.

Casos como esses retomam um debate por vezes abafado: a internet deve sofrer regulação? A discussão é recorrente, apesar de ter deixado de ser vista nos meios de comunicação. Há aqueles que defendam que ela deve ser livre, sem intervenções. Por outro lado, parte dos teóricos e da população acredita que devem, sim, existir diretrizes que norteiem tudo o que acontece na web. 

O fato é que, com tantos episódios de discriminação e machismo, devemos pelo menos voltar a refletir sobre o assunto. Já ultrapassamos todas as barreiras possíveis; não há necessidade de agredir mais ninguém. É hora de argumentos contundentes, de percepções realistas, de mais seriedade e solidariedade. É hora de nos colocarmos no lugar de quem sofre com as consequências desses comentários e de quem tem sua imagem ligada justamente àquilo contra o que luta. É hora de o bom senso voltar a ser pauta.

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