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OPINIÃO: Cidade ou canteiro de obras?

Há quatro anos, porto-alegrenses vivem em meio a escavadeiras, guindastes e cimento

Não é novidade que Porto Alegre tem obras atrasadas, algumas prometidas para a Copa do Mundo de 2014. Os canteiros de obras espalhados pela cidade dificultam a mobilidade dos cidadãos, que têm caminhos desviados e, por muitas vezes, obrigam-se a fazer percursos mais demorados em função disso. Coincidência ou não, algumas obras importantes estão sendo entregues ou retomadas semanas antes da eleição.

Um caso que chama atenção pela representatividade para o Estado – e que não está ligado ao conjunto de obras da Copa – é a retomada das obras da Sala Sinfônica, futura sede da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA). Mais de uma empresa participou do início das obras. A última, antes da retomada das obras, a assumir a responsabilidade foi a Cisal, que alegou problemas nas estruturas anteriores. A situação exigiu perícias e processos judiciais por parte da empresa e do Estado. O resultado foi o rompimento do contrato e a paralisação das obras por quase três anos. Durante esse tempo, o terreno ficou vazio e abandonado, criando mato e servindo como lixão e até mesmo como moradia para alguns moradores de rua.

Finalmente, a situação foi contornada e a obra deve ser retomada pela construtora Porto Novo, que aguarda somente o contrato para iniciar os trabalhos, o que deve acontecer em outubro. Por conta de uma atualização de valores, o projeto tramita pela Secretaria de Obras e pela Controladoria e Auditoria Geral do Rio Grande do Sul. A construção do prédio tem um orçamento de cerca de R$ 22 milhões, valor garantido por um convênio da Secretaria da Cultura do Rio Grande do Sul (Sedac) com o Ministério da Cultura.

Outra obra que foi destaque nos últimos dias é a passagem de nível da Rua Anita Garibaldi. Essa sim estava inclusa no “pacote” de obras da Copa e foi entregue quase três anos e meio após o prazo inicial. A entrega foi realizada na segunda-feira (26), porém sem as alças de conversão. O prefeito José Fortunati afirma que a previsão para a entrega das alças faltantes é de mais um mês. Mais um mês.

O atraso, neste caso, ocorreu devido ao planejamento equivocado, que não previu a enorme rocha que atravancaria seu caminho. Segundo especialistas, já na primeira fase do projeto os responsáveis deveriam ter previsto o problema, já que a chance de haver uma rocha no local era de 90%. Como sabemos, isso não ocorreu, e a rocha foi descoberta depois do canteiro de obras já aberto. Em razão disso, a obra parou e o custo passou de R$ 10,7 milhões para R$ 13,4 milhões.

 

Trincheira da Anita Garibaldi já em funcionamento. (Foto: Ricardo Giusti/PMPA)

Trincheira da Anita Garibaldi já em funcionamento. (Foto: Ricardo Giusti/PMPA)

 

Não se sabe precisamente se essa pequena evolução tem objetivos eleitorais, já que o atual vice-prefeito Sebastião Melo (PMDB) está concorrendo à prefeitura da Capital nestas eleições. De qualquer forma, Porto Alegre está tomando ares de cidade novamente. É claro: as obras supracitadas são apenas duas de ao menos 11 obras que estão atrasadas. Contudo, é melhor (ou “menos pior”) que elas se movam a passos lentos do que fiquem paradas. Nossa Capital, sem pressa alguma, bem aos poucos, deixa de ser um canteiro de obras para um dia ser uma cidade pronta para sua população.

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