Cultura

OPINIÃO: Carnavalescos superam dificuldades pelo amor às escolas

Eleição para nova gestão da Capital impede preparação antecipada do evento

As escolas de samba de Porto Alegre enfrentam dificuldades todos os anos na organização do Carnaval. Assim que acaba uma edição já se iniciam as preparações para o próximo ano. Porém, não é essa a situação do ano de 2016. Por se tratar de um ano com eleições municipais, a troca de gestão de governo influencia negativamente para os amantes do mundo carnavalesco.

As escolas não podem iniciar seus ensaios e os demais preparativos logo no início do ano, pois a atual gestão do município não pode deixar preparada previamente a organização do evento. Nesse contexto, quem sai perdendo são as agremiações, pois além de pouco tempo, a verba também é curta. A data para o desfile, por conta dessa situação, está prevista para março de 2017, após a data do Carnaval, que será no dia 28 de fevereiro, mas a Liga Independente das Escolas de Samba de Porto Alegre (Liespa) ainda não divulgou os dias exatos do evento.

 

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Imperatriz dona Leopoldina recebe troféu de campeã 2016. Foto: Ricardo Giusti/PMPA

 

Segundo a Liespa, a RBS TV não irá fazer a transmissão do evento, como de costume, por questões contratuais. Esse é mais um fator determinante para as escolas, que perdem o apoio de diversos patrocinadores. Até mesmo as seis principais agremiações de Porto Alegre – Imperatriz Dona Leopoldina, que foi a campeã do ano de 2016, Imperadores do Samba, União da Vila do IAPI, Império da Zona Norte, Bambas da Orgia e Estado Maior da Restinga – não estão numa boa situação este ano.

Elas estão na série ouro, composta por 10 escolas. Logo abaixo, estão as séries prata e bronze, onde a situação é bem mais desfavorável. União da Tinga, Império do Sol, Academia de Samba Praiana e Unidos do Guajuviras são algumas das escolas desses grupos.

Segundo os organizadores do evento, 2017 será o primeiro ano, desde 1979, que o CD do Carnaval não será produzido. A notícia impactou o mundo carnavalesco, mas ainda se estuda a possibilidade de ser gravado um CD ao vivo na mostra de samba-enredo, em que cada escola apresenta sua trilha. O evento acontece normalmente em janeiro, sendo conhecido por muitos como um “pré-Carnaval”.

 

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Império da Zona Norte em desfile das campeãs no Porto Seco. Foto: Ricardo Giusti/PMPA

 

O local onde será realizado o Carnaval continua sendo uma questão bastante cobrada pelas escolas. Desde 2004, o evento ocorre no Complexo Cultural do Porto Seco, zona norte da cidade. É um local afastado, quase na divisa com Alvorada. Antes, o desfile era na Avenida Augusto de Carvalho, no centro da cidade. Lá, o acesso era mais fácil para os porto-alegrenses se deslocarem.

Uma notícia boa para os amantes do Carnaval é quanto aos sambas-enredo. A maioria das escolas da série ouro já está com os seus definidos. Para os torcedores das escolas das séries prata e bronze, a ansiedade vai se estender um pouco mais, devido à falta de estrutura para a entrega do samba-enredo. É muito importante a escolha da trilha o quanto antes, pois é a partir dela que cada setor desenvolverá suas apresentações, providenciando figurinos, fantasias, coreografias e demais atividades.

No último dia 14, o site da LIESPA divulgou a ordem das apresentações das escolas das séries ouro, prata e bronze. A série ouro inicia com a escola de samba da Glória e encerra com a Unidos do Guajuviras.

A situação das escolas de samba de Porto Alegre não é favorável. É o maior evento popular da cidade. A participação no desfile é parte do sustento, ou complemento importantíssimo de renda de muitas pessoas. Compositores, músicos em geral e dançarinos. É uma questão muito delicada. O município deveria dar mais estrutura e analisar melhor as propostas de melhoria reivindicadas pelas escolas.

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