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Opinião: Armas. Sim ou não?

Um homem armado entra em uma universidade americana e mata 10 estudantes. Isso poderia chocar todo um país – até o sensibiliza –, mas não é algo fora do comum, infelizmente. O caso ocorrido na cidade de Roseburg, no Oregon, foi o 45º de ataque a escolas no país e sensibilizou até o presidente Barack Obama. “De alguma forma, isso se tornou rotina. As notícias são rotina, minha responsabilidade aqui nesse pódio acaba virando rotina”, lamentou o governante ao perceber a situação cotidianamente.

Isso alertou o presidente americano sobre as leis de porte de armas do país. Segundo ele, essa é uma escolha política, uma vez que os Estados que possuem as leis mais rígidas, tendem a ter um número de mortes, provocadas por tiros, menor. Apesar dessa preocupação, há estudos que apontam que a criminalidade caiu, após um considerável aumento no número de cidadãos armados.
No Brasil, existe a Lei nº 10.826/03, mais conhecida como Estatuto do Desarmamento, que determina que o cidadão não pode portar arma de fogo, salvo algumas entidades, como as Forças Armadas. Desde então, dados mostram que o número de homicídios cometidos com armas de fogo apresentou uma queda nos últimos anos. Se entre 1993 e 2003, o número de mortes cresceu 7,8% (36.115), em 2012, seguindo essa estatística, o número deveria ser de 71.118 vítimas, mas foram pouco mais de 40 mil, salvando assim, 31 mil vidas, de acordo com o Mapa da Violência 2015.
Em contrapartida a isso, o Projeto de Lei nº 3722/12 quer acabar com o Estatuto do Desarmamento. O deputado federal Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC), autor do projeto, prevê a liberação do porte de arma para pessoas com mais de 21 anos, que não possuam antecedentes criminais e não esteja sendo investigado por crime doloso. Quem também apoia a decisão é o deputado federal Delegado Waldir (PSDB-GO), que em uma postagem no Facebook, conseguiu quase 14 mil curtidas e mais de 24 mil compartilhamentos, ao tentar motivar o público a apoiar essa decisão.
Trazendo todas essas discussões, tanto dos Estados Unidos, quanto no Brasil, podemos nos perguntar: o quanto vale armar ou desarmar o cidadão? Será que realmente é o método mais seguro para a população? Não há como saber. O cidadão considerado apto em ter a sua arma, pode ser aquele que em determinado momento não saberá utilizá-la, por possuir um psicológico abalado, tendo como consequência alguma tragédia. E não necessariamente um homicídio, mas até mesmo um suicídio.
Podemos até comparar o Brasil ao Estados Unidos no sentido de desenvolvimento. O país norte-americano é superior ao nosso e nem por isso se torna seguro ter armas disponíveis a qualquer um. Lembra sobre o atirador do início? Ele poderia ser um homem “do bem”, mas nada fez ele mudar de opinião ao invadir aquela universidade e matar aquelas pessoas. No Brasil, isso poderia acontecer da mesma forma. Será que a solução não está em pensar e desenvolver projetos que garantam uma segurança maior à população, do que deixar que ela mesma se proteja? Acredito que o Brasil fez o certo ao impedir o uso de arma pelos cidadãos, agora nos resta esperar por uma segurança de qualidade ou, caso contrário, esse projeto de lei continuará sendo prioridade para continuar a esconder falhas no sistema.

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