Política

OPINIÃO: Afinal, a casa é de quem?

Um dia da caça e outro do caçador em plena Assembleia Legislativa do Estado

Nesta semana fomos surpreendidos por algo histórico: manifestantes bloquearam por mais de sete horas todas as entradas da Assembleia Legislativa do Estado. Eram servidores públicos revoltados pelos 10 projetos do Executivo que seriam votados pelos parlamentares na ocasião. Todos fazem parte do pacote de ajuste fiscal proposto pelo governo de José Ivo Sartori. A grande ferida dos servidores estava justamente na proposta que institui a previdência complementar. Isso significa que os novos servidores públicos terão de pagar mais se quiserem se aposentar ganhando acima do teto do INSS. Atualmente o valor chega a R$ 4,6 mil.

Teve empurra-empurra, gritaria e ofensas das mais diversas. E a sessão de votação foi suspensa. A “Casa do Povo”, como é conhecida a Assembleia Legislativa, foi fechada pelo povo – embora os presentes não representem todo o povo, e sim a parte de uma classe. No entanto, no dia seguinte (quarta-feira, 16), o acesso a todos que não fossem servidores da Casa foi bloqueado por soldados do pelotão de choque da Brigada Militar. A decisão foi do presidente da Assembleia, Edson Brum (PMDB). Em sessão fechada, os representantes do povo votaram sem a presença do povo. Dos 10 projetos colocados em pauta, apenas a extinção da Fepps e da Fundergs foram rejeitadas.

De quem é a Casa, afinal? É nossa ou dos parlamentares? Os parlamentares que elegemos para que nos representassem diante das decisões do Estado fecharam as portas na nossa Casa, na nossa cara. E eu não estou defendendo de forma alguma os servidores que no dia anterior fizeram aquela lambança brava, até porque eu concordo com a previdência complementar. Tivesse sido votada há duas décadas, talvez hoje estivéssemos vivendo dias mais agradáveis no Estado.

Nas duas ocasiões houve retrocesso do que entendemos por direitos de todas as partes envolvidas. Os servidores não poderiam de forma alguma bloquear o acesso dos parlamentares e funcionários da Assembleia. Que democracia é essa? Só o que eu concordo pode ser posto em pauta? O que eu discordo simplesmente deve ser coibido, seja como for? E depois, como assim o senhor Edson Brum veda o nosso acesso ao parlamento? O povo do lado de fora, as galerias vazias e os deputados na maior tranquilidade, sem a manifestação de quem paga o salário de cada um deles.

Está errado. Está tudo errado. Mas é como diz o velho dito popular: “um dia da caça, outro do caçador”.

 

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