Economia

O que levar em conta na hora de alugar um imóvel

Segundo índice da FipeZap, enquanto preços de venda sobem, valores de locação caem

Ter um lugar para morar é uma necessidade básica de todo cidadão. E concretizar o projeto de adquirir um imóvel próprio é uma decisão importante e que deve ser muito bem analisada. Muitas pessoas, no entanto, enquanto refletem o momento de contratar um financiamento ou resgatar algum investimento, encontram no aluguel uma solução.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio do Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC), os custos com habitação (de quem paga e quem não paga aluguel) consomem em média 14,79% dos rendimentos dos moradores da grande Porto Alegre. Incluído neste montante,  estão 2,69% gastos diretamente com o aluguel residencial. Este valor pago mensalmente é despesa não incorporada ao patrimônio da pessoa. Assim, acompanhando a variação do índice FipeZap (medido pela Fipe utilizando a base de dados da plataforma Zap Imóveis) ao longo dos últimos cinco anos, podemos identificar uma relação direta entre a variação nos preços de venda e de aluguéis.

Comparativo demonstra que variação de preços de venda e aluguéis costumam andar para lados opostos, refletindo as flutuações entre as demandas. (Fonte: Fipe Zap)

Comparativo demonstra que preços de venda e aluguéis costumam andar para lados opostos, refletindo as flutuações entre as demandas. (Fonte: Fipe Zap)

Segundo Felipe Calegari, corretor imobiliário (CRECI-RS 42613), o cenário econômico do Brasil tem feito com que muitas pessoas adiem, ou até mesmo desistam do sonho da casa própria. “O panorama de incerteza que perdura no país há pelo menos dois anos fez com que o mercado de locação estagnasse”, afirma. Para ele, o que há alguns anos era um bom negócio, permitindo que o locador definisse o melhor preço para seu retorno financeiro, mudou. “Os proprietários tem visto que as condições não são as melhores para cobrança de valores muito altos e estão cada vez mais abertos a negociar com os inquilinos”, observa.

Felipe acredita que o desejo de adquirir a própria residência ainda vive. Contudo, as altas taxas e as garantias necessárias para um financiamento inviabilizam a contratação para muitas pessoas. “O interessado em financiar um imóvel de R$ 200 mil, que pode ser um apartamento de até dois dormitórios em uma zona periférica de Porto Alegre, precisa ter à disposição uma entrada de pelo menos R$ 40 mil”, ilustra a questão. Assim, o comprador terá que financiar R$ 160 mil, com taxas a partir de 8,66% a.a., e conforme informa o corretor seria necessária uma comprovação de renda de pelo menos R$ 6 mil para atender esse contrato do exemplo.

Vista aérea de Porto Alegre (Foto: Ivo Gonçalves / PMPA)

Vista aérea de Porto Alegre (Foto: Ivo Gonçalves / PMPA)

Contudo, o aluguel pode ser a primeira opção. “Pessoas vindas de outros estados ou do interior do Rio Grande do Sul optam pelo aluguel enquanto não estabelecem maiores vínculos com a cidade”, afirma Felipe. “Imóveis próximos às grandes universidades da capital são as principais escolhas para os estudantes, além da região central ou lugares próximos aos seus locais de serviço, quando são transferidos por questão de trabalho”, revela.

Este é o caso do bancário Paulo Vignoto que mora há um ano e meio em Porto Alegre. Natural de Mandaguari (PR), ele já viveu em Maringá e Curitiba, ainda no Paraná, e em Brasília (DF). Com um imóvel próprio na capital paranaense, Paulo optou pelo aluguel em razão da situação transitória em Porto Alegre.

Além disso, a questão financeira pesou na decisão. “Cogitei adquirir um apartamento que proporcionasse as mesmas condições de conforto que tenho em minha residência no Paraná. Contudo, o valor aplicado rende mais que o valor do aluguel que pago”, admite. Com o apartamento em Curitiba alugado pelo mesmo valor que paga de aluguel em Porto Alegre, Paulo ainda levou em consideração a necessidade de ter uma vaga para seu veículo e a proximidade do serviço. “Estou morando a cerca de 1,2 km do trabalho. Não fico preso no trânsito complicado de Porto Alegre, preocupado com as chuvas e manifestações que tornam o centro da cidade inacessível e aproveito para cuidar da saúde. São pelo menos dois 2,4 km de caminhada por dia”, brinca o bancário.

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