Economia

OMBUDSMAN: Títulos de capitalização, letras e dados miúdos

A matéria de Guilherme Ravadoschi, que narra a história de algumas pessoas que perderam dinheiro comprando títulos de capitalização – bem como mostra a popularização deste tipo de negócio – está bem construída, no entanto sinto falta, entre outras coisas, de gráficos que me ajudem a entender os números que são expostos no texto. Quando o repórter cita o crescimento do mercado em 20% ao ano, gostaria de ver o que esse número significa em arrecadação.

Guilherme explica bem os três tipos de títulos de capitalização existentes, trazendo curiosidades que não são de conhecimento do grande público, peca apenas quando não dá nome aos bois. Evidentemente a matéria requer silêncio em relação aos nomes dos títulos quando eles são citados pelas fontes – evitando qualquer processo judicial ao nosso veículo – no entanto poderiam ser nomeados quando são explicados, para o leitor associar o título com o exemplo.

Quando o diretor executivo da Federação Nacional de Capitalização é acionado e propõe ao consumidor procurar seus direitos quando se sentir lesado, o repórter poderia ter apontado na matéria quais são esses direitos e como funciona a fiscalização para este tipo de atividade, bem como citar exemplos de quando as letras miúdas “traem” o comprador. Por outro lado, o economista trazido para a matéria agrega um valor bastante importante ao texto, explicando como o investimento funciona (e não funciona). No geral, todas as fontes buscadas pelo repórter me parecem excelentes.

Diante de tantos exemplos (de tipos de títulos de capitalização), seria interessante ver quais dão mais prêmios e quais mais faturam, talvez em um gráfico ou em um ranking. Esta organização poderia inclusive ajudar consumidores interessados em fazer este tipo de investimento. Embora eu dificilmente acredite que vá existir algum interessado depois de ler a matéria. O repórter narra casos de quem perdeu dinheiro e encerra o texto de forma irônica (e corajosa). “Malícia entre os lábios” me soou como se o vendedor fosse um ladrão (ele pode até ser, mas cabe ao leitor chegar a tal conclusão, sem a ajuda do repórter).

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