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OMBUDSMAN: Os processos de uma redação em fase beta

Uma análise sobre os bastidores da construção das pautas na Beta Redação

Desafios de apuração e concepção das pautas foram superados ao longo do semestre. Foto: Derya, CC BY 2.0

No decorrer deste semestre da editoria de Geral, o enfoque dos alunos e professores não foi apenas na produção e apuração das matérias. Houve um olhar aprimorado, também, sobre o processo na hora de conceber cada pauta. Exercitamos nossa compreensão para identificar como e onde encontrar assuntos merecedores de uma abordagem na Beta Redação.

Foi por isso que, logo no início do semestre, assistimos ao filme Spotlight: Segredos Revelados, que mostra a história do grupo de jornalistas de Boston que reúne milhares de documentos capazes de provar diversos casos de abuso de crianças, praticados por padres católicos.  Dali, tiramos diversas lições: desde a importância de mergulhar fundo na apuração, até a relação com as fontes.

Spotlight

Filme Spotlight serviu de inspiração para pensarmos os processos da redação. Foto: Divulgação, Facebook

Bem, o desafio estava lançado. Pensar em pautas criativas. Explorar novas formas de construir as notícias, reportagens e comentários. Usufruir dos recursos multimídia. Localizar fontes adequadas de acordo com a temática. Descrever (e discutir) a pauta com o editor. Essa era a fórmula que deveríamos seguir.

“O leitor tem que saber como funciona a operação jornalística, caso contrário ele não tem elementos para construir uma análise”, observou o jornalista Alberto Dines ao conduzir uma entrevista do Observatório da Imprensa. Essa é a função do Ombudsman. É por isso que, a seguir, vamos abordar como foi o processo da Beta, ao longo do semestre.

Afinal, como já era de se esperar, na prática a aplicação se mostrou mais desafiadora.

Da teoria à prática

Em termos gerais, neste semestre foram identificados alguns desafios já ponderados em edições anteriores da disciplina. Especialmente o curto período de tempo (uma semana) para localizar fontes relevantes, investigar o tema pautado e finalizar a matéria. O fato é que muitos alunos estão no fim do curso de Jornalismo, em vias de entregar o Trabalho de Conclusão e com tarefas de outras disciplinas – igualmente exigentes.

Outro quesito que merece destaque é que, para muitos estudantes, a Beta representa quase um “terceiro turno de trabalho”. Afinal, a maioria já passa o restante do dia em uma redação, ou agência.  O desafio de fazer um real aprofundamento na cobertura, assim, se torna maior. Isso abre margem para um problema que o jornalista Caio Túlio Costa, primeiro Ombudsman da imprensa brasileira, observa recorrentemente: a preguiça de mergulhar na nuvem de pesquisa.

Na primeira postagem do semestre, por conhecer o processo estipulado, acreditamos que muitos alunos tiveram a intenção de produzir um conteúdo completo e relevante, como sugerido na reunião de pauta. Na prática, porém, seja pelos prazos curtos ou pela pressão, observamos que algumas matérias, como “Jogos promovem a reocupação dos espaços públicos” e EPTC tolera infração à noite por causa da insegurança nas ruas”, poderiam ter sido melhor contextualizadas.

De forma geral, porém, as postagens da Beta evidenciam que houve uma evolução notável durante o semestre. Por outras palavras, isso demonstra que os alunos (em sua maioria) souberam encontrar formas de lidar com os desafios de localizar fontes e apurar os temas, mesmo com pouco tempo à disposição.

A evolução

Algo que se destacou no decorrer do semestre é que, como forma de driblar o prazo curto para publicações e manter o compromisso de entregar uma boa pauta, muitos alunos encontraram uma opção viável: pautar acontecimentos de seus próprios municípios de origem. Funcionou.

Alguns exemplos que demonstram como esse recurso fluiu bem para muitos estudantes podem ser observados nas matérias como “Agroecologia: a sustentabilidade do futuro plantada no presente”, “Empresárias criam a Academia da Mulher Empreendedora” e “Esteio inaugura Centro de Referência da Mulher”.

Em tais pautas, houve um aprofundamento, uma coerência nas fontes, uso de recursos. Tudo isso prezando pelo principal: noticiar algo relevante. O que descobrimos? Não é preciso ir muito longe para encontrar um bom assunto a ser pautado – com qualidade.

Ousamos dizer, porém, que isso não foi por acaso. No decorrer do semestre, justamente para pensar sobre o processo jornalístico, recebemos em sala de aula os jornalistas Moreno Osório e Letícia Duarte. Sem dúvidas, suas contribuições foram de extrema relevância para o aprimoramento dos trabalhos.

A Beta por quem já passou por ela

Já que estamos falando do “processo da Beta”, optamos por trazer alguns depoimentos de quem já fez parte dessa redação – e suas considerações que hoje vêm “de fora”.

Depoimento do jornalista Jacson Dantas, formado pela Unisinos em 2015. Integrou a primeira turma da Beta.

“Ter participado da Beta foi muito bom, pois a experiência aproxima o aluno do mercado de trabalho. Para muitos, estar na Beta significa o primeiro contato com uma redação. Neste ambiente podemos colocar em prática tudo aquilo que até então vínhamos acompanhando somente na teoria. No meu caso, que já trabalhava em uma redação e tinha passado por 3 assessorias de Imprensa, a Beta me ajudou ainda mais, através do compartilhamento de experiências por parte dos professores, a olhar para o jornalismo com mais cuidado.

Aprendi a desenvolver melhor o texto, a apuração, o contato com as fontes…Além de produzir algo com mais qualidade, a Beta também me ajudou a pensar na melhor forma de transmitir aquela informação para o público. Enfim, foi uma experiência e tanto e, confesso,  sinto falta de estar na Unisinos trocando ideias com os professores e colegas.”

Depoimento do estudante de jornalismo Guilherme Rovadoschi. Integrou a Beta Redação no segundo semestre de 2015 e no 1° de 2016.

“A Beta para mim foi a maior experiência do curso. A maior e melhor, porque fui a única disciplina na qual eu pude exercer um pensamento de liberdade plena sobre o meu conteúdo. Todas as ações que eu quis ter dentro do jornalismo, a Beta me possibilitou. Pude ir para o vídeo, para o podcast, pro texto opinativo e explicativo. Tudo com o aval do ‘comando da Beta’ (professores). Eles apostam no novo. Posso citar com muita gratidão que até ganhei três prêmios universitários pela Beta, pois tive a possibilidade de ousar, de criar. Justamente porque a Beta possibilita isso, a vejo acima de muitos veículos de jornalismo no mercado. Vale citar também a chance que temos de trabalhar o processo de edição. Foi uma experiência muito engrandecedora.”

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