Geral

OMBUDSMAN: O uso das redes sociais na Beta Redação

Uma avaliação da utilização do Facebook pelos repórteres da editoria de Geral

Caroline Paiva, Michelle Oliveira, Paola Rocha, Thais Montin

 

O Facebook é utilizado como canal para divulgar conteúdos e atrair mais leitores ao site da Beta Redação (Foto: Thais Montin/Beta Redação).

O Facebook é utilizado como canal para divulgar conteúdos e atrair mais leitores ao site da Beta Redação (Foto: Thais Montin/Beta Redação).

Como forma de divulgação e expansão das reportagens postadas, o portal Beta Redação utiliza uma fanpage no Facebook com 2.215 curtidas – dado coletado até o dia 06 de dezembro de 2016.

É por meio do Facebook que a Beta Redação traz a maioria de seus leitores ao site. No entanto, a rede social poderia ter seu uso melhor explorado. Para a aluna de jornalismo e leitora Jéssica Martins, o trabalho é bem realizado, mas tem aparecido pouco na mídia digital. “O Facebook está cheio de matérias, mas poucas são curtidas. É válido que se pesquise uma maneira em que se tenha mais envolvimento dos próprios alunos na divulgação dos conteúdos”, comenta. A jornalista Isabel Faria concorda. “As matérias são maravilhosas, mas falta uma estratégia mais sólida na hora da divulgação. Vemos que falta esforço na produção de conteúdo específico para o Facebook”, posiciona-se.

A partir de uma análise da página inicial, podemos destacar a necessidade de utilização de um recurso do Facebook, que permite a inclusão de um “botão”, que direciona o usuário diretamente para o site da Beta Redação. Uma vez que nem todos os seguidores do Facebook conhecem o portal. Essa funcionalidade é usada para facilitar o envio de mensagens para a página, mas acreditamos que seja ainda muito mais eficaz utilizá-lo como forma de direcionar o leitor para o site, como muitos outros veículos fazem. Também, há páginas que utilizam deste recurso como forma de contato, colocando o botão “Fale Conosco”, que nesse caso não seria tão apropriado.

A respeito do conteúdo veiculado na página, é necessário que cada repórter, de forma obrigatória, já pense em algum desdobramento para a sua reportagem ser publicada no Facebook. Isso pode ser feito através de um vídeo especial, teaser, card, infográfico, dentre outras diferentes formas, contando que seja algo exclusivo para aquela rede social. Pensamos nesta possibilidade, pois ao longo do semestre percebemos que não tem como isso ser elaborado pelos responsáveis pelas redes sociais, pois não conseguimos obter um bom resultado ou manter um padrão. Além disso, nem sempre há diálogo entre os editores de mídias sociais e repórteres, fato que muitas vezes acabou acarretando na não publicação de um conteúdo diversificado da matéria. Esta falta de diálogo também já resultou na não publicação das próprias matérias do site ou até mesmo na publicação atrasada de uma matéria pontual, fazendo esta perder o timing.

Até então, a maioria das matérias estão sendo divulgadas apenas com o link para o conteúdo completo e algum pequeno lead, o que não se mostrou muito eficaz e não deixa a página muito atrativa. Pensamos que uma boa alternativa seja aplicar conceitos da narrativa transmídia, que se refere ao uso de algumas mídias para estabelecer uma história ou conduzir uma mensagem. Segundo o autor Henry Jenkins, no livro “Cultura da Convergência” (Aleph, 2009):

Uma história transmidiática se desenrola através de múltiplos suportes midiáticos, com cada novo texto contribuindo de maneira distinta e valiosa para o todo. Na forma ideal de narrativa transmidiática, cada meio faz o que faz de melhor a fim de que uma história possa ser introduzida num filme, ser expandida pela televisão, romances e quadrinhos.

No caso da Beta Redação, esses conceitos se aplicam justamente na intenção de que seja produzido um conteúdo exclusivo para aquela página, que complemente o todo. E que, a partir disso, se consiga atrair mais leitores para a reportagem final. As diferentes plataformas devem ser utilizadas de maneira inteligente, uma levando à outra. A utilização do “live” também pode ser uma forma atrativa para angariar mais público, visto que a notificação permite que todos os seguidores da página possam saber que ela está ao vivo e ter o interesse em acompanhar a ação. Este recurso chegou a ser utilizado por outras editorias, mas também há a possibilidade de ser melhor explorado na editoria de Geral. Vale o desafio.

Página da Beta Redação no Facebook (Foto: Paola Rocha/Beta Redação).

Página da Beta Redação no Facebook (Foto: Paola Rocha/Beta Redação).

Além de pensar em algum conteúdo exclusivo, acreditamos que seja necessário um acordo prévio com os repórteres para compartilhamento das matérias em suas redes pessoais, se assim quiserem. Em muitos casos, por falta de marcação do autor na divulgação do Facebook, nem o repórter chega até a postagem. Pensamos que seria eficaz haver um combinado para que os responsáveis pelas redes sociais façam isso ou, se não quiserem marcar os autores, que informem que a matéria em questão foi divulgada no Facebook. A importância do uso dessa estratégia se justifica, pois de acordo com a autora Sílvia Araújo, no livro “A Revista e seu Jornalismo” (Penso, 2013):

No momento, o Facebook proporciona uma proximidade entre leitores e jornalistas que jamais existiu. O jornalista pode acompanhar tudo o que parte de seus leitores faz, o que comenta, do que reclama, o que compartilha, as fotos postadas etc., basta adicioná-los. Tenho cerca de 300 amigas em meu Face que nunca vi pessoalmente. São leitoras que têm a vida atentamente observada por mim; em contrapartida, elas também podem acompanhar a minha vida pessoal.

No entanto, caso o jornalista ou a edição opte por não ter seu nome marcado, a marcação das fontes entrevistadas e/ou instituições citadas na matéria torna-se imprescindível. Porque desta forma é possível um feedback dos entrevistados, que podem (e provavelmente farão) republicar o conteúdo em suas páginas pessoais, utilizando do compartilhamento direto da página, bem como comentar, curtir e marcar outras pessoas.

Em entrevista para o Observatório da Imprensa, o humorista Fábio Porchat fala sobre a “não notícia”, que muito se vê nas páginas de grandes veículos, como forma de obter mais cliques e visualizações. Estas “notícias”, na verdade, só possuem o objetivo de chamar a atenção do público e acabam muitas vezes trazendo textos que não informam nada. No caso da Beta Redação, este tipo de publicação inexiste e esta prática não tem ocorrido. Os conteúdos possuem qualidade e informação. No entanto, como disseram até mesmo as leitoras, não têm obtido o retorno pretendido. Na entrevista, Fábio Porchat também comenta sobre o desafio constante que é pensar “Como fazer diferente?”. Podemos perceber então que este sentimento é compartilhado na Beta Redação. Observado isso, fica claro que é preciso, ainda, continuar a pensar em um forma de divulgação mais eficiente.

Esta forma poderia vir através de posts patrocinados. Embora este seja um ponto que envolve questões mais complexas do que a linha editorial e qual conteúdo deve ser publicado, acreditamos que seja interessante para a divulgação da própria Beta, pois vai além do consumo dos alunos e professores. Neste caso, os conteúdos e reportagens que tiverem um grande resultado poderiam ser patrocinados na rede social para receberem um maior alcance e, assim, chamariam para outras matérias. Mas, compreendemos que por ser um produto acadêmico, talvez seja muito complexo de conseguir que isso seja feito. Como a Beta Redação vem se consolidando um veículo – que embora ainda engatinhe, tem potencial para se tornar como a rádio e tv Unisinos – quem sabe mais a frente, se houver um investimento, este ponto possa ser pensado?

Além de todos estes fatores, existe no grupo de editores da Beta, um pequeno “manual” para publicações nas redes sociais. Mas, acreditamos que este manual não esteja sendo lido e seguido. Lá, há dicas importantes e valiosas para que se mantenha a padronização das postagens, também outras dicas para aumentar o alcance. Para os próximos semestres, talvez seja interessante a obrigatoriedade do seguimento deste manual, ou algum outro que pode vir a ser feito, visando melhorar a qualidade das postagens.

Lida 656 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.