Cultura

O teatro que motiva e transforma

Até dezembro, Teatro Geração Bugiganga realiza oficinas todas terças-feiras

Conversas animadas, interação, sorrisos e gargalhadas. Assim teve início a oficina do Teatro Geração Bugiganga (TGB), em São Leopoldo. As aulas ocorrem todas as terças-feiras, divididas entre turmas de crianças, adolescentes e adultos. Porém, em comemoração ao Dia Mundial do Teatro, 27 de março, a oficina foi especial, em uma aula com todas as turmas juntas.

Segundo o professor e fundador do TGB, Marcelo Schneider, a ideia era fazer um encontro de todos, promovendo a integração e o conhecimento para celebrar a data. O “aulão” iniciou com um papel comprido disposto no chão, onde todos sentaram em volta. Com lápis coloridos e recortes de revistas, os participantes escreviam e montavam palavras que representam o universo do teatro. Ao fim, a arte feita por eles foi colada em um grande espelho na parede principal da sala, que é objeto fundamental para as práticas que desenvolvem ali.

Ao longo da aula, foram feitas atividades práticas, em grupos e duplas, desenvolvendo criatividade, trabalho em equipe e coletividade, além de alguns exercícios individuais, onde os integrantes conseguiam se expressar à sua maneira. Ao final, os alunos, divididos em três grupos, apresentaram uma cena criada por eles, que unia tudo que haviam feito até então. Para concluir as atividades, todos sentaram no chão, formando um círculo, e ali puderam demonstrar suas impressões sobre a aula, sobre as pessoas que haviam conhecido, e também sobre as angustias e problemas do dia a dia.

“Aqui é um espaço onde eles sentem-se à vontade para falar, aqui esquecem alguns problemas, são livres para se expressar e manifestam sentimentos de ânimo para enfrentar todos os impasses”, contou o professor.

A aluna Gilvana dos Santos, 21 anos, apaixonou-se pelo teatro quando presenciou uma intervenção artística de rua do TGB, aos nove anos. Mesmo sem saber ao certo o que era teatro, ela pediu à mãe que a levasse para participar de uma oficina, onde está até hoje. Atualmente, ela cursa faculdade de teatro e o principal objetivo para o futuro é ser professora, levando essa arte a outras pessoas.

Para ela, o teatro é de grande importância para a vida como um todo, pois desenvolve a criatividade, a evolução, facilita a visualização dos problemas sociais e pessoais. Quem tiver oportunidade, ou só mesmo curiosidade, ou ainda problemas físicos, psicológicos, procure grupos de teatro”, indicou.

A escola de teatro TGB foi fundada em 16 de janeiro de 1993, segundo Schneider, a partir do movimento popular. Queremos o teatro de rua nas comunidades, não somente como entretenimento, mas sim como transformação social”, disse.

A partir desse pensamento, criou um grupo de oficinas de crianças, adolescentes e adultos, que desenvolviam trabalhos sociais com idosos e nas entidades, como por exemplo a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE).

Paralelo a isso, o grupo monta espetáculos, colocando em prática a metodologia embasada na filosofia pedagógica “Educação Transformadora”, do educador e filósofo Paulo Freire e com o método teatral “Teatro do Oprimido”, do diretor de teatro, dramaturgo e ensaísta, Augusto Boal. “A fusão desses dois pilares gera a base do trabalho do TGB”, explicou.

Esses espetáculos são infantis e adultos, realizados em escolas, sindicatos, teatros e empresas. O grupo também realiza algumas temporadas especiais, como por exemplo, início do ano letivo, Natal e Páscoa.

Ocasionalmente, as oficinas também contam com o auxílio do filho de Schneider, João Marcelo Lucas Schneider, que faz teatro há 14 anos e realizou diversos cursos no estado e também no Rio de Janeiro. Além disso, ele é educador social e realiza um trabalho em uma casa de crianças e adolescentes com vulnerabilidade social, onde também leva um pouco do teatro e da música. É recompensador quando vejo um aluno correndo atrás dos seus sonhos, melhorando tanto no pessoal, quanto no profissional, porque o teatro tem essa capacidade de mudar uma vida”, disse.

Conforme explicou, o teatro aflora a criatividade, a criação e ajuda em questões como timidez, mas isso depende de cada pessoa. Estamos em constante transformação e todas as atividades desenvolvidas no teatro ajudam em várias questões da vida, da sociedade em geral”, finalizou.

De acordo com o professor, as inscrições são abertas para todas as pessoas, com ou sem experiência, e podem ser feitas no local (Avenida Feitoria, 530, sala 5, no bairro Rio Branco).

 

 

 

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