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Morador de rua: a vida sem paredes

Confira no minidocumentário da Beta Redação as falas de moradores e voluntários sobre uma situação que é realidade da maioria dos municípios brasileiros.

Alessandro Garcia, Franciele Arnold, Mariana Blauth, Priscila Boeira e Victória Silva

Veja a reportagem em vídeo:

 

Falta pouco mais de um mês para iniciar o inverno, no dia 21 de junho, e as campanhas para arrecadação de agasalhos já começam a ser organizadas no sul do Brasil. A Beta Redação foi às ruas de São Leopoldo para ouvir os moradores em situação de rua e assim compreender como é a sobrevivência longe do conforto e, muitas vezes, perto da  criminalidade.

“Eu tenho 21 anos e tinha família antes de cair nas drogas. Eu apanhei de graça esses dias, sem fazer nada. Quero sair da rua, mas está faltando oportunidade. Conheci meu pai verdadeiro no ano passado. Fui morar com ele, mas depois voltei para a rua. Pensei que minha vida mudaria morando com ele, mas não foi o que aconteceu”, desabafa um entrevistado que prefere não se identificar.

Ele faz parte de um universo de pessoas auxiliados pelo projeto social Anjos da Madrugada. De acordo com a integrante Deise Sprenger, o projeto realiza entrega de marmitas semanalmente. “Neste ano, expandimos para Novo Hamburgo. Nas duas cidades entregamos 60 marmitas toda sexta-feira. Existe uma rotatividade muito grande entre eles [moradores em situação de rua], isso quer dizer que eles não são sempre os mesmos”. São 120 voluntários que trabalham em rodízio: cerca de cinco pessoas preparam a comida e os demais atuam como entregadores. A cada noite, um grupo com pelo menos 60 pessoas sai às ruas  para fazer o trabalho voluntário.

Segundo dados do Centro de Referência de População Adulta de Rua (Crepar), ligado ao Centro de Referência Especializado em Assistência Social do Município de São Leopoldo (Creas), não há número estimado da população de rua. Sabe-se apenas que são naturais da própria região. Também é comum andarilhos passarem pela cidade e permanecerem por pouco tempo. O Poder Público oferece três locais para essa população se reintegrar: a Casa de Convivência, o Albergue Municipal Bom Pastor e o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop).

O encaminhamento é feito pela Secretaria Municipal de Assistência Social. Os assistentes sociais buscam construir o projeto de vida do morador em situação de rua, desde a reaproximação e fortalecimento dos vínculos familiares até a inserção em uma atividade que gere renda. Quando necessário, o cidadão participa de um programa de desintoxicação de substâncias psicoativas.

 

 

Conheça os locais de reintegração em São Leopoldo

Casa de Convivência – Promove o resgate da identidade do sujeito em situação de rua, retomando rotinas por meio de orientação, apoio e acompanhamento técnico. A opção é escolhida por pessoas mais interessadas a saírem da situação. O serviço abre nos finais de semana e feriados. As atividades incluem planejar o futuro, ter limpeza corporal, organização e reconstrução do estilo de vida. Endereço: rua São João, 428 – bairro Centro. Contato: [email protected]

Albergue Municipal Bom Pastor – O serviço oferece alimentação, higiene pessoal, espaço para lavagem de roupa, pernoite, café da manhã e atendimento com acompanhamento do Serviço Social. O Albergue é considerado uma instituição de passagem de curta duração. Em 2014 foram albergados 585 pessoas: 88 mulheres e 497 homens. Desses, 421 usuários de drogas. Em 2015, o total subiu para 726 pessoas: 88 mulheres e 638 homens. O horário de atendimento é das 19h às 7h e tem capacidade para alojar 50 moradores de rua: 43 do sexo masculino e sete do sexo feminino. Endereço: rua General Osório, 402 – bairro Hamburgo Velho. Dias e horários de atendimento: das 19h às 7h, todos os dias da semana . Contato: (51) 3568-5291

Centro Pop – É um serviço público da política de Assistência Social, especializado para as pessoas em situação de rua acima de 18 anos. O objetivo de ofertar um espaço de acolhimento e convivência propiciando o resgate de cidadania e autonomia. São ofertados atendimentos psicossociais, oficinas, encaminhamento para documentos, doação de roupas, banho, espaço para lavar roupa e agendamento para Cadastro Único (CadÚnico). Endereço: Avenida Caxias do Sul, 194 – bairro Rio dos Sinos. Telefone para contato: (51) 3568-5291 | (51) 8923-0640. Dias e horários de atendimento: Segunda à Sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h. E-mail: [email protected]

Banco Municipal do Agasalho (BMA) – Para ter acesso aos serviços do Banco do Agasalho, basta realizar cadastro social nas redes de atendimento socioassistencial (CRAS) próximo da sua residência. Endereço: avenida Dom João Becker, 271, Centro (Ginásio Municipal Celso Morbach). Contato: (51) 3575-1744. Dias e horários de atendimento: Segunda à Sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h30min às 17h.

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