Economia

O preço Netflix

Comparado com o norte-americano, o brasileiro desembolsa quatro vezes mais pelo mesmo serviço

Na metade de julho, o aumento dos preços da Netflix começa a valer para todo mundo. Os planos “padrão” e “premium” passam para R$ 27,90 e R$ 37,90, respectivamente. Um aumento de mais de 20% em relação ao preço antigo. Os assinantes do plano básico continuam com os R$ 19,90. A empresa diz o ajuste é para melhoramentos em seu serviço, como os downloads e a produção de conteúdos exclusivos.

A medida vem pouco depois da MP 157/16, sancionada em dezembro passado, começar a valer. A MP colocou os serviços de streaming na mira do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS). Nos Estados Unidos, o valor é de US$ 9,99 no plano padrão, ou R$ 32,86 na cotação do dólar em R$ 3,29. Na Europa, o serviço sai por € 9,99, ou R$ 36,86 no valor convertido.

Comparado assim, o valor investido pelo brasileiro para usar o Netflix parece uma bagatela: por um pouco a mais, dá para se ter o melhor plano e fazer maratona em 4K, por exemplo. Mas se formos comparar, o salário de um cozinheiro no McDonald’s nos Estados Unidos é de 1.634 dólares, segundo a Forbes. Convertidos, são R$ 5.375,86. Segundo a mesma revista, o mesmo cozinheiro no Brasil ganha, em média, R$ 1.097,00. Logo,o brasileiro gasta uma porcentagem maior de seus rendimentos para  ter o mesmo produto. E é isso que importa na hora da conversão.

O empregado de uma rede de fast food no Brasil gasta 2,54% de seu salário, se pegar o plano padrão. Nos EUA, o mesmo chapeiro tem de desembolsar 0,61% de seu orçamento. Uma diferença e tanto. Ainda mais se considerarmos que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o gasto com comunicação (internet, tv por assinatura, assinatura de veículos jornalísticos) representa 3,69% do orçamento brasileiro médio, ou seja, um pouco menos com que o dispensado com Netflix.

Agora, outros sites de streaming não ficarão tão distantes na precificação,  como o HBO Go (R$ 34,90) e o Amazon Prime (R$ 32,00). O jeito é encontrar novas formas, como Firmino Michelin, estudante de Caxias do Sul que divide sua conta Premium do Netflix com sua prima. “Vou passar para o básico e experimentar o HBO Go”, afirma. O consumo de séries e filmes, aliás, acontece principalmente em serviços gratuitos, porém, piratas. “Assino pela qualidade, né. Principalmente das legendas. Mas a maioria vejo pelo Strem.io mesmo. Filmes nem vejo Netflix. Só séries”, completa.

Carla Franco, 22 anos, também não gostou da mudança anunciada pelo serviço. “Deixar de assinar por enquanto não, mas vai depender do que eles fizerem daqui pra frente”. Ela também não é muito fiel ao aplicativo e afirma utilizar principalmente meios não pagos para acompanhar as séries que gosta, como The Walking Dead, e assistir filmes. O aumento, de qualquer forma, passa a valer para todos assinantes no dia 15 de julho. Os que entraram agora já entraram na nova tabela. 

Lida 661 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.