Esporte

O pano de fundo para arte e esporte

Práticas circenses têm se popularizado entre as atividades físicas

As práticas que unem arte e esporte têm se tornado comuns em estúdios e academias. Dança, teatro e circo – todos garantiram espaço na rotina de quem não gosta de musculação. Esse também é o caso da companhia de dança DCDA, espaço fundado por Marilice Bastos há cerca de três anos, que tem como principal motivação a transdisciplinaridade. Formada em Educação Física pela UFRGS, ela convive com a dança desde os quatro anos.

Entre ballet clássico, jazz, dança flamenca, moderna e contemporânea, encara tudo como uma forma de linguagem. “A dança contemporânea em si mescla diversas linguagens que não só a dança propriamente, mas as artes cênicas, as artes plásticas, as artes visuais, linguagens da atualidade”, explica. A professora é faixa preta em taekwondo, além de ter praticado caratê, judô, kung fu, capoeira e outras modalidades como yoga, natação, alongamento e flexibilidade, ginástica e musculação.

A trajetória na dança foi a porta de entrada para as práticas circenses. Seu professor, Joca Vergo, montou um espetáculo de dança contemporânea com essa temática. Por isso, os alunos tiveram de fazer aulas de tecido acrobático, trapézio e lira circense e, dessa forma, aprenderam mais sobre a movimentação corporal que o estilo exige. Alguns anos depois de iniciar a prática, Marilice decidiu investir nesse segmento de outra forma: lecionando. Foi quando abriu o DCDA. “A gente usa diversas ferramentas para envolver a cultura, envolver a arte e englobar todas as pessoas”, conta.

“Até um tempo atrás, quando eu aprendi [as práticas circenses], não tinha muito a questão de aulas de circo. Geralmente eram pessoas da área artística que se uniam nos grupos e a gente ia treinar em algum lugar visando apresentações, visando performances” (Marilice Bastos)

Essas práticas consistem em usar movimentos comuns do circo como atividade de aumento do condicionamento físico, metabólico e da coordenação motora. Além, disso, trazem outros benefícios como redução de medidas, aumento da massa magra e da resistência. A professora tem alunos de diferentes idades, desde crianças de quatro anos a idosos de 78. “Eu tenho alunas de 78 anos que fazem tecido acrobático. A gente tirou esse mito de que era só para jovens e para pessoas com o corpo em forma”, comenta.

As aulas, que duram uma hora e meia – com 45 minutos de alongamentos e trabalho de força -, são dadas em turmas de até oito pessoas, que revezam os tecidos em duplas. Embora não haja contraindicações, Marilice lembra que é necessária uma reavaliação médica em casos de doenças mais graves. Segundo ela, os alunos mais velhos ainda encaram a prática com certa desconfiança. “As pessoas que vêm até aqui, no geral, pensam que nunca vão conseguir fazer, que é uma arte que é destinada a crianças ou jovens que estão recém aprendendo e que vão conseguir fazer as coisas, o que não é verdade”, pontua.

Para ajudar os alunos, Marilice procura usar uma didática que facilite para todos. “É como se estivessem brincando”, explica. Dessa forma, ela procura dar graça e expressividade aos exercícios, algo que não se encontra em qualquer academia. Essa é a proposta das aulas para agradar ao variado público. De acordo com a professora, muitos alunos que fazem aula visando à qualidade de vida, seja por estarem acima do peso ou qual for o motivo, acabam gostando da prática e querendo se apresentar.

Marilice durante treino de tecido acrobático. / Foto: Arquivo Pessoal, Marilice Bastos

Marilice durante treino de tecido acrobático / Foto: Arquivo Pessoal, Marilice Bastos

“Quando temos algum sarau, alguma apresentação, eu convido a todos [os alunos] porque todos sabem fazer, todos conseguem fazer. Então não tem um limite de idade, não tem a questão cultural de o corpo ser um corpo que está na moda ou não”, explica ela. Entre treinos e apresentações, formam-se amizades. Os alunos treinam juntos; não há distinção de níveis porque cada um treina no seu próprio ritmo. A timidez e a vergonha do início mudam de acordo com o avanço de cada um.

Uma das curiosidades fica por conta de um recurso inusitado: no lugar de espelhos, mais comuns em academias, o grupo lida com fotografias. “No início, os alunos estranham”, conta Marilice. “As pessoas questionam o porquê, mas eu não uso justamente por esse ganho do corpo e a percepção do corpo por um todo”, explica ela, garantindo que não se depende da imagem no espelho para ver o que se está fazendo. É preciso sentir o movimento.  “A fotografia é um recurso interessante porque eles se veem e veem o quanto estão bem. Isso os motiva para que cresçam bem rapidamente”, complementa.

Texto: Francine Malessa, Pedro de Brito e Thaciane de Moura

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Comentários

Um comentário sobre “O pano de fundo para arte e esporte”

  1. Adorei! Venham para o DCDA!! Av. Protásio Alves, 3150. Porto Alegre – RS/Brasil Ligue: 51 9911-5907 ou [email protected]

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