Cultura

Um olhar ocidental sobre a China

Ano em que a Revolução Cultural completa 5 décadas, é possível observar drásticas mudanças

Foto: Roberto Caloni

Opera de Pequim. Foto: Roberto Caloni

Em 1966, Mao Tsé-tung liderou a Grande Revolução Cultural Chinesa, com o propósito de fugir do sistema soviético de comunismo. Mao queria que os chineses esquecessem a velha cultura, os velhos hábitos e pensamentos, substituindo-os por suas ideias socialistas. Assim construiriam uma sociedade mais altruísta e livre de dominação. Com o apoio da juventude urbana, Mao combateu o conservadorismo e derrotou seus rivais, chegando ao comando do país. Com a sua morte, em 1976, a revolução teve seu fim. Cinquenta anos do início dessa revolução, a China se tornou a segunda potência mundial e está na corrida para se tornar a primeira.

Quando pensamos em um país socialista não imaginamos o consumo como engrenagem central. A China lidera como país mais consumista do mundo. Se formos aos grandes centros chineses como Pequim e Xangai, o que mais veremos são shoppings, lojas e a disputa entre marcas para vender mais. O desejo por bens de luxo e a vontade de se tornar mais “ocidental” fazem da China um país um tanto peculiar. Nas ruas vemos muitas propagandas, de cartazes dentro do metro a grandes telas nas fachadas dos prédios. Somos constantemente motivados a consumir. Facilmente, encontramos lojas de grandes marcas mundiais, de fast foods à eletrônicos. As marcas já sabem como atrair o consumidor chinês.

Um dos muitos shoppings de Pequim. A curiosidade pelo diferente. Chinês tirando fotos de brasileiras. Foto: Roberto Caloni/ Beta Redação

Um dos muitos shoppings de Pequim.  Foto: Roberto Caloni/ Beta Redação

Fazer compras por lá não é tão fácil quanto parece. Se fugirmos das grandes lojas, nada tem um preço definido. Tudo é à base da negociação. Comprar algo no primeiro lance é visto quase como ofensivo. O vendedor diz um valor, que normalmente é 90% maior do que realmente vale o produto, você diz quanto quer pagar e o jogo começa. É como uma dança onde cada um dá um passo de cada vez. No final, se o seu preço estiver dentro do imaginado pelo vendedor, ele aceita sua proposta.

A grandiosidade é uma outra característica chinesa. Como a população de seu país, tudo também deve ser grande. Grandes praças, grandes shoppings, grandes parques, grandes arranha-céus. Tudo é grandioso, e se não for, eles pretendem chegar lá.

Vista do topo do Palácio de Verão. É possível ver o contraste entre a cidade e o parque. Foto: Roberto Caloni/ Beta Redação

Vista do topo do Palácio de Verão. É possível ver o contraste entre a cidade e o parque. Foto: Roberto Caloni/ Beta Redação

O moderno e o antigo se mantém lado a lado. Você pode visitar lugares com a mais alta tecnologia e outros que foram construídos há milhares de anos. Essa diferença também pode ser notada na população. Vemos tanto jovens com roupas da moda, quanto pessoas que parecem ter saído de um filme de época.

A curiosidade pelo diferente. Chinês tirando foto com brasileira. Foto: Roberto Caloni/ Beta Redação

A curiosidade pelo diferente. Chinês tirando foto com brasileira. Foto: Roberto Caloni/ Beta Redação

A curiosidade, ou a admiração do povo com estrangeiros (ocidentais de padrão europeu), é percebida de imediato. Eles tiram fotos, olham e não se importam de serem percebidos te observando. Os que sabem falar inglês puxam assunto e procuram ficar perto de você. Ter amigos estrangeiros é muito bem visto. Essa curiosidade é compreensível devido à pouca diversidade étnica. Praticamente, 91% da população pertence ao mesmo grupo étnico. Isso equivale a 1,26 bilhão de pessoas.

O grande número de pessoas aumenta a competitividade entre os jovens que almejam bons empregos. Estudar em uma universidade de renome é visto como o primeiro passo para uma grande carreira. A pressão é tanta para que os jovens de ensino médio passem para as melhores universidade, que a jornada de estudo pode passar de 12 horas por dia. E, ao entrar na universidade, essas rotinas continuam para que possam se destacar entre os demais. Esta é uma constante na China de hoje, se diferenciar dos demais.

Policiais no centro comercil Wangfujing em Pequim. Foto: Roberto Caloni/ Beta Redação

Policiais no centro comercial Wangfujing em Pequim. Foto: Roberto Caloni/ Beta Redação

O controle do governo perante o povo é visível. Se sentir vigiado na China não é apenas uma impressão, é real. A todo momento vemos guardas, detector de metais ao entrar no metrô, câmeras por todos os lugares, inclusive dentro da sala de aula, sem contar com a alta censura  e a falta de liberdade de expressão. Sites como Google, Facebook, Instagram, e alguns jornais como The New York Times são bloqueados pelo governo.

Se analisarmos, percebemos que se várias premissas da Grande Revolução Cultural tivessem sido cumpridas, teríamos uma China totalmente diferente da atual. Se seria melhor ou pior, não podemos dizer. Hoje, temos um país mais aberto ao mundo, mas que visa manter sua cultura.

Confira mais fotos na galeria. Fotos: Roberto Caloni/Beta Redação

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