Economia

O mercado dos influenciadores

Influenciadores revolucionam a publicidade brasileira

Você já ouviu falar no mercado de influenciadores digitais? Os influenciadores (ou creators) são pessoas que utilizam a sua produção de conteúdo autoral, ou sua imagem, para gerar publicidade para empresas. O conteúdo pode aparecer no Youtube (os youtubers), no Instagram (os instagrammers) ou em plataformas de blog (os bloggers). Embora seja recente, essa é uma forma de publicidade que tem crescido muito – especialmente nos últimos dois anos.
Já surgiram pessoas e especialistas para discutir essa produção, que está cada vez mais profissionalizada. O site youPIX, por exemplo, foi criado pela Bia Granja, que hoje trabalha como consultora de creators e lança eventos especiais para esse tipo de profissão e mercado. Bia afirmou, no blog do site, o que pensa sobre a nova forma de publicidade: “A internet transformou em um diálogo de milhões o que antes funcionava super bem como uma mensagem controlada e de mão única. Anunciantes viraram publishers. Consumidores passaram a ter parte na construção das marcas. E uma nova onda de influenciadores apareceu pra complicar ainda mais o meio de campo”, conta.
As marcas estão se reinventando e aprendendo a lidar com esse tipo de criação. Antigamente, era mais comum que elas utilizassem meios tradicionais de marketing, como outdoors, propagandas de TV ou rádio. Elas migraram para o digital: site, blog e redes sociais. Agora, é preciso mais para se destacar e falar com o público de verdade. É preciso que haja pessoas que falem diretamente com os consumidores da marca. Por exemplo, se uma marca de sapatos quer falar com meninas de 18 anos, gostem de moda e ouçam pop, é possível encontrar uma blogueira que fale sobre essa marca de forma mais natural, autoral e real.
Bia complementa seu pensamento: “De dois anos pra cá, influenciadores passaram a figurar com mais peso na estratégia de comunicação das marcas, o que levou o ecossistema a se diversificar e também pediu por uma maior profissionalização desse mercado”, conclui.
O mercado tem crescido tanto que, atualmente, existem agências de influenciadores. Elas têm como objetivo intermediar ações de marcas com influenciadores para fazer a seleção correta de qual creator cabe melhor para uma campanha e divulgam um relatório de números alcançados. Andressa Griffante, jornalista, encontrou esse nicho no Rio Grande do Sul e lançou a rede RSbloggers, um serviço para facilitar as entregas às marcas. Esse tipo de agência já atua em todo o país, especialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde os influencers são vistos como extremamente relevantes para as marcas.
 Para entender a lógica desse mercado, é “simples”: primeiramente, as marcas – ou as agências de publicidade – identificam que precisam criar uma estratégia de comunicação mais nichada e específica para seu público. Elas procuram um influenciador que fale diretamente com os seus clientes. Então, decidem que tipo de ação ficaria mais engajadora para o seu público, podendo variar de formatos.  “Os mais procurados são publiposts, posts nas redes sociais, presença em eventos, banners, divulgação de promoção ou cupom de desconto, guest posts (quando o blogger produz para o canal da marca)”, conta Andressa. Por fim, os influenciadores geram conteúdo, engajam seus seguidores, fazem um buzz e tcharan! Mais vendas, mais presença de marca, mais diálogo com os consumidores.
O youPIX fez uma pesquisa recente acerca do mercado de influenciadores, que, por muitos, não é visto como profissão. Porém, eles mostram que esse tipo de investimento tem valido muito a pena e trouxe dados concretos.
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Fonte: youPIX

As empresas estão investindo nessa publicidade alternativa, independente do porte. Isso porque elas têm percebido que propagandas tradicionais já não surtem tanto efeito devido à falta de personalização e à falta de realismo. Nilce Moretto, dos canais “Coisa de Nerd” e “Cadê a Chave”, fala sua opinião acerca da produção de conteúdo dos creators: “Os influenciadores falam com quem a TV já não fala”.
A Coca-Cola é um excelente exemplo. Recentemente investiu na campanha da Tocha Olímpica, das Olímpiadas Rio 2016. Foram chamados os youtubers Lucas Rangel (2,3 milhões de seguidores), Chris Figueiredo (6,5 milhões de seguidores no canal “Eu fico Loko”) , Felipe Castanhari (7,9 milhões de seguidores no Canal Nostalgia) e Bruna Vieira (1,2 milhões de seguidores). Só o vídeo, no Youtube, teve mais de 3 milhões de visualizações. Afinal, que fã não gostaria de ver o seu youtuber favorito na propaganda de uma marca tão conhecida e tradicional como a Coca?

Um dos motivos pelos quais as pessoas gostam tanto dos influenciadores é porque eles retratam a vida com realismo. A Kéfera, por exemplo, é uma das maiores influencers do Brasil, com mais de 9,7 milhões de seguidores (quase 20% da população brasileira!). Ela fala, em seu canal 5inco Minutos, sobre seu dia a dia, problemas pessoais, opiniões de forma muito descontraída e sem censuras – coisa que a TV não permite.
Dessa forma, fica mais fácil interagir com o público. As pessoas gostam de estar próximo do que é real e perceber que os “famosos” pensam como elas, por exemplo. Algumas empresas já deixaram de contratar atores globais famosos para chamar instagrammers ou youtubers. É uma revolução na publicidade, que sempre foi dominada por rostos conhecidos da televisão. Além disso, o público jovem já não assiste mais à TV e, por isso, os influencers chegam onde esse meio de comunicação não chega: na casa das crianças, adolescentes e jovens adultos.
E é possível ganhar bastante dinheiro com esse tipo de produção de conteúdo. No caso do Rio Grande do Sul, Andressa diz que há menos procura do que no centro do país e, por isso, as marcas costumam oferecer a troca de produto por divulgação (ou permuta).  Mas ela acredita que isso tem mudado: “Esse interesse das marcas no investimento em dinheiro tem aumentado cada vez mais, já que o trabalho dos influenciadores tem se profissionalizado cada vez mais e ganhado uma relevância cada vez maior naturalmente”, constata.
Alguns dos maiores influenciadores do Brasil em diversos segmentos, tais como Whindersson Nunes, Kéfera Buchman, Christian Figueiredo, Maju Trindade, Thássia Naves, Camila Coutinho, Camila Coelho, Nah Cardoso, Bruna Vieira podem faturar mais de 500 mil reais por mês (segundo o site Social Blade, site de estatísticas de redes sociais). Thássia Naves, por exemplo, já contou que comprou uma mansão e diversas cabeças de gado com o dinheiro que fatura com o blog e Instagram.
Mas a boa notícia é que não é preciso ter milhares (ou milhões) de seguidores para ganhar dinheiro ou ser reconhecido. Na verdade, tudo depende da proposta da ação de vendas de uma marca: “Se a proposta foi obter mais cliques em site, se ter alcance maior nas redes sociais, se foi atrair pessoas a um determinado evento… Sabendo o objetivo, é possível estipular o ROI em cima disso. O quanto foi investido e como o objetivo foi alcançado e se foi alcançado”, afirma Andressa.
Por isso, o que “vale é a qualidade e não a quantidade”, diz Andressa. Algumas ações são extremamente específicas e pretendem falar com um público nichado, então, não exige um grande número de seguidores. Um influenciador pode crescer na mídia ao mostrar seu conteúdo, sendo ativo nas redes sociais, colaborar com outros canais e manter um relacionamento bom com agências e assessorias, conclui a jornalista.
Algumas marcas, no entanto, ainda têm dúvidas para entender que um influenciador pode mesmo modificar a visão dos clientes acerca da empresa. Por isso, o youPIX lançou, no fim do ano passado, um minidocumentário contando sobre a vida dos influenciadores a partir da visão deles e de especialistas.
O resultado? Dá para mostrar para quem desacredita na revolução que os creators têm feito no Brasil.

 

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