Cultura

Histórias que “Curumim Contou”

Livro escrito por alunos gaúchos oficializa aprendizagem indígena em guarani

O livro Curumim Contou, produzido por alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Ana Iris do Amaral (EMEF/AIA), de Porto Alegre, traz contos sobre as vivências e as experiências das crianças da aldeia guarani Tekoá Pindó Mirim, em Itapuã, Viamão. De acordo com uma das organizadoras da ação, a professora Ana Cristina Motta, o estudo sobre as etnias indígenas do Rio Grande do Sul teve início este ano, após visita à comunidade na Semana Cultural Guarani. “Tivemos a ideia pensando em registrar as aprendizagens do projeto em forma de livro e, como as crianças guarani são alfabetizadas na língua mãe, se pensou em fazer o livro bilíngue.”

A união de projetos distintos resultou na produção da obra, segundo a gestora da Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental Nhamandu Nhemopu’ã, Alessandra Santos. “A professora Ana me contou que estava com o projeto de um livro em andamento e resolvemos fazer essa união entre a linguística bilíngue e a cultura indígena”, conta. Com o objetivo de mostrar, por um material de qualidade, que a cultura guarani existe e tem presença marcante em nossa sociedade, o engajamento da comunidade estudantil foi  de suma importância. “Essa é a função da escola. O trabalho bilíngue é realizado diariamente e, de certo modo, todos nossos alunos participaram, desde a pré-escola, com produções coletivas, até as séries fundamentais, contribuindo com suas próprias vivências.”

Conforme o coordenador de Políticas Étnico-Raciais da Secretaria de Justiça dos Direitos Humanos do RS, Sérgio Nunes, as trocas de culturas e saberes são primordiais para o desenvolvimento de uma sociedade igualitária. “Só tenho que parabenizar a iniciativa, que também serve como orientação a ser aplicada por outros povos e etnias a fim de ter uma compreensão maior das várias diversidades culturais e sociais do povo brasileiro.” Ele ainda destaca que, na medida em que a sociedade conheça informações do modo de vida de outras etnias, talvez possa se conviver melhor com as diferenças.

Com 71 páginas, o livro Curumim Contou, elaborado através do projeto Escrevendo o Futuro, da empresa Dufrio, teve 1 mil exemplares, e foi lançado na Feira do Livro de Porto Alegre. Três centenas já foram vendidas, e a verba arrecadada será destinada às comunidades indígenas. “Temos um projeto para uma Bioconstrução de um Espaço Cultural na aldeia para 2017. Em conjunto com os professores de engenharia da Unisinos, iremos apresentar um espaço composto por biblioteca e espaço audiovisual. Uma parte da renda irá auxiliar no começo das obras, como o início da compactação do solo”, destaca Alessandra, que coordena a escola indígena há cinco anos.

 

Livro feito pelas crianças foi lançado na Feira do Livro. Foto:

Livro feito pelas crianças foi lançado na Feira do Livro. Foto: Claudinei Verá Dinarte

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