Política

O fim do casamento vermelho

Reprovando as atitudes da presidente, que cede cada vez mais espaço ao PMDB, criador da página Dilma Bolada anuncia fim do apoio ao governo Dilma Rousseff

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Jeferson Monteiro, criador da página “Dilma Bolada”, em encontro com a Dilma real / Foto: Reprodução, Twitter

No dia 16 de agosto, a trilha sonora de uma das manifestações contra o governo Dilma Rousseff foi um samba. A música, de nome Vou Festejar, ecoou pela Avenida Paulista em um carro de som do movimento Vem Pra Rua. Composição de Jorge Aragão, Neoci Dias e Didi, ela foi gravada em 1978 pela cantora Beth Carvalho, conhecida como “Madrinha do Samba”.

Após o episódio, a intérprete divulgou, através da imprensa, uma nota de repúdio pela utilização do tema. Eleitora declarada do Partido dos Trabalhadores, Beth sempre se posicionou à esquerda quando o assunto era política. A cantora, que teve o pai cassado no período da ditadura militar, lembrou ainda que a canção sempre representou movimentos de esquerda e de abertura política, como as Diretas Já e o segundo turno de Lula contra Collor, em 1989.

“Tal movimento está em dissonância absoluta tanto com os meus posicionamentos políticos como com o que esta música representa historicamente. [A música] Não poderia ser usada em hipótese alguma”, disse. E continuou, afirmando que seu uso é “inclusive uma evidência clara da total despolitização ou intenção de despolitizar do movimento Vem Pra Rua”.

No início da tarde da última quarta-feira (30), versos da música foram novamente utilizados em tom pouco amigável ao governo. Entretanto, não surgira da oposição, mas sim de um dos maiores apoiadores de Dilma nas redes sociais. “Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão” foi o trecho utilizado pelo publicitário Jeferson Monteiro, criador do perfil Dilma Bolada no Facebook, para retirar o apoio ao governo.

O popular perfil foi criado durante a campanha presidencial de 2010 e conta hoje com mais de 1,6 milhões de curtidas. Já o perfil de Jeferson na rede social reúne 25,5 mil seguidores. Após o “casamento” de cinco anos, Jeferson decidiu “romper o relacionamento”, segundo ele, em função do crescente espaço cedido ao PMDB pela presidente.

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Após a publicação, Jeferson fez nova postagem garantindo que, de fato, havia deixado de apoiar o governo, e informando que não havia sido hackeado.

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Jeferson fez uso da página Dilma Bolada para reforçar o posicionamento, lembrando novamente a música de Beth Carvalho. Os fãs também concordaram com o pensamento.

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Em vídeo na rede social Snapchat, novamente explicou a atitude e ainda afirmou que o governo havia sido entregue ao PMDB, “turma” de Renan Calheiros e Eduardo Cunha.

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No Twitter, seguidores questionaram Jeferson sobre seu envolvimento com o partido, que estaria pagando pelo apoio nas redes sociais. O tom dele, de desaprovação das medidas da presidente, seguiu o mesmo, reiterando que não haveria nenhum envolvimento financeiro entre as partes. Contudo, ele confirmou a existência de um contrato, sem especificar de que tipo.

 

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No mês de agosto, a mídia divulgou que Jeferson receberia cerca de R$ 20 mil por mês da agência Pepper Interativa, contratada pelo PT. Embora ele negue o envolvimento, confirmou que presta serviço à agência e teve o contrato renovado até 2016. A Pepper também sinalizou que, por iniciativa própria, deixará de trabalhar para o partido no final de dezembro deste ano, sem divulgar os motivos da rescisão.

Jeferson também relatou que não realiza mais postagens através da página Dilma Bolada no Facebook. Além disso, o Twitter e Instagram desse perfil devem passar por reformulação e a conta do Snapchat deve ser deletada.

 

 

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