Economia

O estudo da matemática precisa de atenção

A matemática é conhecida como uma grande vilã das salas de aulas das escolas brasileiras. O pavor com as equações passa pela educação básica até chegar à temida prova do vestibular, momento em que para muitos alunos os números começam a ser bichos de sete ou mil cabeças. Mas esse drama não tem reflexo somente na vida acadêmica. Uma pesquisa realizada recentemente pelo Instituto Círculo da Matemática do Brasil revelou que aproximadamente 3/4 da população brasileira adulta não sabem realizar operações matemáticas corriqueiras.  Ainda segundo a pesquisa, os brasileiros também têm dificuldades para entender frações e percentuais, algo muito usual no cotidiano.

De acordo com o estudo, o fator preocupante é o desempenho de jovens no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), que é uma iniciativa de avaliação aplicada a estudantes entre 15 e 16 anos. O teste é realizado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em cada país o órgão de regulamentação de educação é o responsável pela coordenação do teste – no Brasil, fica a cargo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

A estudante de Jornalismo Franciele Oliveira, 19 anos, revela que usa frequentemente calculadoras para fazer qualquer cálculo no dia-a-dia. “Não costumo pensar muito para fazer cálculos. Até mesmo quando recebo o troco, não tenho o costume de conferir ou de questionar se está certo ou não”, salienta. Questionada sobre o conhecimento da matemática aprendido durante a escola, ela destaca que não recorda de muitas regras e equações. “De tudo que aprendi, praticamente não lembro nada. Não costumo usar a matemática no meu cotidiano. Acredito que isso tenha contribuído para o esquecimento”, diz.

O professor do ensino médio da escola Tuiuti, em Gravataí, Jairo Troczinski destaca que o uso de calculadoras e aplicativos para fazer cálculos prejudica o aprendizado dos alunos ao longo da vida acadêmica. “Acredito que nas escolas deveria ser abolido o uso de dispositivos automáticos de cálculos. Em concursos públicos e vestibulares não são permitidos os equipamentos na realização de provas, o que prejudica quem usa para as demais tarefas”, avalia.

Para o professor de economia da Escola de Negócios da Faculdade de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul (Fadergs) Oscar André Frank Júnior, é importante tornar o ensino da matemática mais interessante e atrativo aos alunos nas escolas brasileiras. “O essencial é dar valor para a matemática desde muito cedo. Quando crianças, os jogos são fundamentais. Depois é necessário dar vida para a matemática mostrando como ela tem inúmeras aplicações em diversas áreas do conhecimento”, ressalta.

O estudo mostrou que a pontuação obtida na avaliação de matemática pela OCDE tem relação com o PIB per capita, tomando-se como referência o indicador em dólares para o conjunto de 60 países. O Brasil alcançou a 58ª posição do ranking na avaliação realizada em 2012, último ano do teste. A pesquisa aponta que os países mais ricos apresentam melhores resultados em matemática.

A pesquisa revelou também que o desempenho na disciplina poderia mudar os índices do PISA. Para isso seria necessário que os alunos se dedicassem ao estudo da matemática. O professor Oscar avalia que para melhor compreensão do conteúdo é essencial a prática e a repetição de exercícios matemáticos. “Também vale destacar que não é preciso cursar exatas para colher os benefícios da matemática. Seu estudo favorece o raciocínio lógico, algo fundamental para qualquer área de conhecimento”, conclui.

ensino matemática

O uso de calculadora pode atrapalhar o conhecimento de matemática / Foto: Karina Freitas

 

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Comentários

2 comentários sobre “O estudo da matemática precisa de atenção”

  1. Prof. João Batista do Nascimento disse:

    ALGUMAS MULHERES DA HISTÓRIA DA MATEMÁTICA E QUESTÃO DE GÊNERO EM C & T., http://sitiodascorujas.blogspot.com.br/2013/06/mulheres-na-matematica.html

  2. Prof. João Batista do Nascimento disse:

    NOVO OLHAR SOBRE A MATEMÁTICA, Jornal Beira do Rio, UFPA, Abril 2011, http://www.jornalbeiradorio.ufpa.br/novo/index.php/2011/124-edicao-93–abril/1189-novo-olhar-sobre-a-matematica

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