Economia

O doce sucesso da gourmetização

Lilian Broch, empresária do ramo da confeitaria há 22 anos, conta sua história de sucesso

O cheiro doce que invade o ateliê de Lila é um convite praticamente irresistível. Se o aroma é tão gostoso, o visual tampouco deixa a desejar. Tortas, bolos e docinhos decorados por mãos habilidosas e experientes. E o sabor? É como experimentar um pedaço do paraíso gastronômico. Há 22 anos, Lilian Broch, proprietária do Lila Doces Gourmet, adoça a vida de quem prova de suas guloseimas.

A empresária conta que sempre teve afinidade com a cozinha, principalmente para preparar doces. “Houve uma época em que fiquei desempregada e um amigo que trabalhava na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas, pediu para eu fazer uma torta para levar para a empresa. O pessoal gostou tanto que começou a encomendar sempre, e os pedidos foram aumentando”, lembra.

Lila sequer imaginava que sua caminhada apenas havia começado. Em 1998 decidiu abrir a Doce Mania, confeitaria que funcionava na casa dos pais, atual local do seu ateliê. Depois de quase três anos de inauguração, expandiu o negócio e se mudou para um espaço maior, no Centro de Esteio. “A Doce Mania virou uma padaria, que à noite funcionava como pizzaria. Esse foi o único momento da minha vida do qual me desviei dos doces, que é o que eu mais amo fazer”, relata.

O movimento era constante, e o trabalho se estendia pelos sete dias da semana. A pausa veio com a segunda gravidez da empresária, em 2003. O ponto foi vendido, e Lila voltou a atender encomendas apenas em casa. Seus clientes ainda poderiam saborear suas tortas e bolos em eventos como aniversários, casamentos, formaturas e em algumas padarias para as quais fornecia seus pratos.

A “gourmetização” dos doces

Até cerca de dois anos atrás, Lila ainda trabalhava em casa, no mesmo modelo e ritmo de quando decidiu vender a padaria. A ideia de virada em seu negócio veio de Alexia, sua filha de 19 anos. “Ela está sempre ligada nas novidades em doces e me pediu para que eu começasse a vender brigadeiros gourmet, algo que muitos estavam fazendo na época”, conta. 

Em um mercado cada vez mais “gourmetizado”, a inovação é tão importante quanto sabor e qualidade. A empresária conta que seu trabalho sempre foi diferenciado pelos bolos artísticos. “Quase ninguém fazia aquele tipo de bolo na região de Esteio. Eu fui uma das primeiras a trazer isso, pois fiz um curso de especialização em bolo artístico ministrado pela confeiteira argentina Marta Ballina”, revela. Marta Ballina foi uma das confeiteiras mais conhecidas na Argentina, inclusive tendo seu próprio programa de televisão, chamado “Decorando Tortas”.

Bolo de brigadeiro de churros. (Foto: Dominique Nunes)

Além disso, Lila procura sempre atualizar o cardápio, mas também manter os sabores queridinhos da clientela, como as tortas Martha Rocha, Prestígio, Brigadeiro com Morango. Ainda, a empresária mantém uma linha de naked cakes, bolos artísticos rústicos. “Quando surge um sabor novo, experimentamos e ajustamos a receita e lançamos por um mês para ver a aceitação dos clientes. Se o retorno for positivo, deixamos no cardápio”, explica.

Um dos maiores sucessos em 2016 para Lila foi o período da Páscoa. Foram entregues quase 1.500 ovos gourmet recheados, todos personalizados de acordo com o gosto do comprador. “Eles escolhiam desde o sabor da casca, do recheio e da cobertura até a cor do laço que envolvia a caixa. Tivemos que diminuir o ritmo das encomendas de sempre para dar conta de tantos ovos”, ressalta.

Redes em alta para driblar a crise

Com fotos e vídeos de bolos e doces atrativos, Lila contabiliza atualmente mais de 30 mil seguidores no perfil do Instagram e quase 7 mil curtidas em sua página no Facebook. “Mais uma vez, quem veio com a ideia de divulgar os trabalhos foi a minha filha Alexia. É ela quem cuida das redes sociais e faz o contato com o público”, relata.

Às sextas-feiras e aos sábados, Lila abre as portas do ateliê para a pronta-entrega de doces e bolos. Ela contabiliza em média 800 fatias de tortas e 150 caixas com 12 unidades de brigadeiro vendidas por mês. Além disso, a confeiteira ainda atende 12 padarias, confeitarias e cafés em Porto Alegre, Canoas, Esteio, Sapucaia, São Leopoldo e Novo Hamburgo, totalizando uma tonelada mensal de bolos e doces fornecidos.  

(Foto: Dominique Nunes)

Naked cakes de Lila fazem sucesso na Região Metropolitana de Porto Alegre. Foto: Dominique Nunes/Beta Redação

Em relação à crise econômica que o país e o Rio Grande do Sul têm atravessado, Lila conta que precisou diminuir sua margem de lucro. “Os ingredientes sobem de preço toda semana, mas não tem como eu mudar sempre o meu valor junto. Agora deu uma estabilizada, mas, por exemplo, eu uso chocolate de uma marca importada, e em relação a quando eu comecei a utilizá-lo, o custo subiu consideravelmente. Mas eu não abro mão das minhas marcas queridas”, enfatiza.  

Apesar de precisar adaptar os negócios ao momento econômico atual, a empresária considera seu empreendimento um sucesso. “Eu faço o que amo todos os dias e penso que o segredo é cozinhar como se fosse para mim, como se eu fosse saborear aquele doce. Também acho que é muito importante acreditar no seu negócio, ter certeza e confiança no que faz”, aconselha.

Trabalhar por conta

A confeiteira Lila é uma das muitas pessoas que preferiram largar a vida de empregado e abrir um negócio próprio, trabalhar de forma autônoma. O número de profissionais que buscam esse formato de trabalho vem aumentando no últimos anos. De acordo com cálculos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de trabalhadores autônomos entre o total de ocupados aumentou de 17,9% em janeiro de 2013 para 19,8% em novembro de 2015. O levantamento cobre as seis principais regiões metropolitanas brasileiras: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador.

 

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