Esporte

O despertar do rugby feminino

A ascensão do esporte que está conquistando o interesse das mulheres

Dentre os vários esportes que compõe uma Olímpiada, após 92 anos fora do quadro olímpico, o rugby voltou com força, quando levou dois times para a competição. As Seleções masculina e feminina de rugby brasileiro, ambos apelidados de “Tupis”, disputaram as olimpíadas entre os 24 times da modalidade na edição Rio 2016. Na categoria sevens, as meninas alcançaram a 9ª posição entre os 12 times concorrentes, garantindo a vaga fixa no circuito mundial de sevens feminino. Mas afinal, você sabe como é o rugby?

 

O esporte

O rugby surgiu na Inglaterra, em 1823, mas apenas oficializou-se em 1871, após a criação da primeira federação nacional — a Rugby Football Union. Atualmente, o esporte se destaca na Copa do Mundo, que acontece de quatro em quatro anos, desde 1987.

Arte: Vinicius Ferrari/Beta Redação

Arte: Vinicius Ferrari/Beta Redação

Alguns confundem o rugby com o futebol americano, pela semelhança do formato da bola, pelo contato físico e pela jogabilidade  em campo. Porém, o rugby inglês surgiu primeiro que o futebol americano, que foi fundado seis anos depois . O “contato” é o nome dado aos momentos de corpo-a-corpo entre os jogadores, tecnicamente “tacklear” a bola, significa derrubar o jogador adversário que está com a bola a fim de obtê-la.

Existem três categorias: A mais praticada é o rugby de quinze, originalmente chamado de “Rugby Union”. Em seguida, está o “Rugby League”, com 13 atletas de cada lado; e o de sete, “Rugby Sevens” (ou “seven-a-side”) que é a modalidade disputada nas olimpíadas. Sevens é um jogo rápido, mais precisamente, de dois tempos de sete minutos. Porém é a modalidade mais intensa, sendo que há mais área a ser coberta e disputada.

 

O rugby feminino na prática

Nas primeiras Olímpiadas da Grécia Antiga, apenas podiam participar homens que falassem o idioma grego. As mulheres eram expressamente proibidas, até mesmo para assistir. Elas tinham uma competição em separado, denominada de Heraea.

O tempo passou e hoje mulheres também fazem parte das competições, embora alguns esportes que exijam mais resistência física e movimento abruptos, ainda serem vistos com maus olhos quando praticados por mulheres. Ser mulher e jogar um esporte tido como masculino para a sociedade, como o rugby, pode ser alvo de preconceito. Drika Zimmermann, 31 anos, ex-jogadora do Serra Rugby Clube, de Caxias do Sul,  deixou o time para se dedicar aos estudos e fala dos desafios de ser mulher e jogar rugby. “É complicado, porque tem algumas situações de machismo. Por muitos anos o rugby entrou com um decreto/lei para mulheres não pudessem praticar o esporte aqui no Brasil. Isso acabou atrasando muito as modalidades femininas. ”, relata.

 

Em equipe e com uma bola ovalada, o objetivo do jogo é marcar mais pontos que o time adversário

Em equipe e com uma bola ovalada, o objetivo do jogo é marcar mais pontos que o time adversário. (Foto: Érika Ferraz)

 

Segundo o vice-presidente da Federação Gaúcha de Rugby (FGRugby), Giancarlo Bristot, a explicação para pouca visibilidade no rugby feminino é devido ao pouco investimento. “Se for pensar no rugby como um todo, o dinheiro ainda está no rugby masculino. Por quê? Existem mil explicações pra isso, e tem a ver com a questão do mundo ainda ser machista”. As categoria de quinze ainda são poucas no Brasil e estão em fase de teste. Giancarlo complementa: “e quando se consegue dinheiro para o feminino, ele está mais vinculado ao sevens do que ao quinze.”

 

Berço de craques

O Charrua Rugby Clube, fundado em 2 de junho de 2001, com sede no bairro Hípica, em Porto Alegre, é o primeiro clube de rugby do Rio Grande do Sul. Em 2014 foram campeões e o ano passado, vice-campeões a nível nacional. O clube possui categorias de rugby feminino, juvenil, mirim, infantil e formativa, sendo que o acesso para categoria normativa é dedicado à iniciantes. Maria Carolina Rodrigues, que preside o Rugby Clube há um ano, está há cinco anos no Charrua e prepara o time para o campeonato Super Sevens. O torneio ocorre ainda este ano para as quatro etapas, que iniciam neste mês e irão até 11 de dezembro deste ano.

 

Treino do Charrua no campo da Redenção, POA-RS

Treino do Charrua no campo da Redenção. (Foto: Érika Ferraz)

 

Luiza Campos, de 26 anos e Raquel Kochhann, de 24 anos, representaram o Charrua Clube disputando o ouro nas Olimpíadas Rio 2016. Atualmente, as duas fazem parte da Confederação Brasileira de Rugby.  Pela Seleção, conquistaram a 9ª posição entre os doze times da competição, onde as australianas levaram o ouro no rugby de sevens. “Eu jogo de hooker, a minha função é tacklear e fazer todas as funções de meio de campo para manter a bola e retomar algumas posses de bola do outro time”, explica Luiza, sobre sua posição no time da Seleção. Já a Raquel é centro e atua como prop também. Na Seleção, conquistou dois títulos sul-americanos e bronze no Pan-Americano de Toronto 2015. “Em dezembro começa o circuito mundial, com a primeira etapa em Dubai”, conta animada. Nas Paralimpíadas, o rugby é praticado sob cadeira de rodas, e a final ocorre no dia 18 de setembro. Além dessas variações, ainda há o rugby de toque, o subaquático e o de praia.

“Eu sempre costumo dizer: as pessoas tem que dar uma chance pro rugby, se elas não gostarem, não tem problema… mas, eu duvido!”, afirma Maria Carolina, que deixa o clube sempre aberto para novos integrantes. Os treinos acontecem às terças, às 18h30, no campo da Redenção; aos sábados, às 10h, no campo da Sociedade Hípica.

 

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