Esporte

O campinho é delas

Associação Riograndense de Imprensa promove talk show sobre o papel feminino no futebol na manhã do dia 19

Lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive dentro de campo. Para homenagear e valorizar a presença feminina no futebol, a Associação Riograndense de Imprensa (ARI) convidou as jornalistas Duda Streb e Helena Basegio, além de Luiza Reis, árbitra assistente da Federação Gaúcha de Futebol, para um talk show no dia 19 de março, às 10h, com mediação da jornalista Mariana Oselame.

Durante a conversa, as profissionais contarão suas experiências de vitórias, casos de preconceito e trajetória dentro e fora dos gramados. Saiba mais sobre as convidadas:

Do setor administrativo às quatro linhas

Em 18 de março de 2016, Helena Basegio completa 34 anos de carreira no jornal Informativo do Vale, de Lajeado, e 30 anos desde o primeiro trabalho na editoria de esporte do veículo.

Helena revela que nunca chegou a concluir o curso de Jornalismo e que ingressou no Informativo como funcionária do setor administrativo. “Em 1986, um colega do jornal sabia que eu estava indo a um jogo do Lajeadense e pediu para que eu trouxesse algumas informações, pois ele tinha ficado de cobrir e não teria como assistir à partida. Acabei escrevendo o texto e o dono do jornal na época, Oswaldo Carlos van Leeuwen, leu o material, descobriu que eu gostava de escrever e me promoveu na redação. Foi uma coisa fantástica”, lembra.

A repórter acredita que o segredo de ter aprendido “a lida” é o fato de que sempre cultivou o gosto pela leitura, o que consequentemente influenciou em sua escrita. Além disso, Helena conta que, sendo mulher, para conseguir falar com os jogadores, esperava na beira dos gramados e colhia as entrevistas que precisava. “Também desci aos vestiários, mas somente quando tinha jogador machucado, nunca fui de invadir a privacidade deles”, destaca.

Helena conheceu o marido (ex-jogador de futebol) em campo. A primeira notícia oficial que redigiu para o Informativo teve como pauta a contratação do jovem para o Lajeadense. No início, ela teve receio de afetar a profissão, mas acabou descobrindo que, por estar comprometida com ele, também ganhou confiança e respeito de outros jogadores dentro e fora do campo, o que também facilitou seu trabalho.

“Temos que ser bem fortes, são diversas as profissões que exigem da mulher. Faz 30 anos que trabalho aos finais de semana. Quando entrei para o jornalismo era jovem e solteira, mas depois de casada e com uma filha, digo que tive sorte com meu companheiro, que cuidava da bebê para que eu estivesse nos jogos e na redação”, ressalta.

O apito é dela

Amante de futebol desde criança, Luiza Reis, que também é especializada em jornalismo esportivo, participará do talk show para compartilhar suas experiências como árbitra assistente. Em entrevista à reportagem da Beta Redação, ela contou um pouquinho da sua trajetória até aqui. Confira:

Quanto aos desafios, Luiza comenta que não sentiu diferenças de gênero no caminho que decidiu percorrer como árbitra. Para ela, homens e mulheres passam pelos mesmos obstáculos:

E para quem sonha em ter apito e cartões em mãos, Luiza aconselha:


Driblando estereótipos

Após 20 anos de carreira no jornalismo esportivo e televisivo, Eduarda Streb atualmente vive no mundo da assessoria de imprensa e eventos. Também convidada do talk show “Mulher, Futebol e Sucesso”, a profissional costuma dizer que é privilegiada, uma vez que uniu duas paixões: o esporte e o jornalismo.

“Minha primeira oportunidade na área surgiu quando ainda estava na faculdade, como diagramadora na Zero Hora. Desde então sempre encarei todos os tipos de oportunidade que apareciam. Se faltava repórter no final de semana, eu me oferecia para cobrir. A TVCOM abriu, fiz testes de vídeo, trabalhei na rádio como escuta, até que surgiu uma vaga no esporte e aproveitei para ser repórter, depois me tornei apresentadora do Globo Esporte”, relembra.

Duda acredita que ainda exista preconceito e desigualdade quando o assunto é mulher, principalmente no futebol. “O carinha que senta do teu lado ainda ganha mais que tu, mesmo estando na mesma função. As mulheres chegaram depois no esporte, até mesmo na prática. Atualmente temos uma abertura muito maior, vemos cada vez mais mulheres jogando, na arquibancada, comentando sobre futebol. Eu percebe um interesse e aceitação maior”, acrescenta.

Entretanto, a jornalista aconselha a ter jogo de cintura e se informar para driblar os preconceitos. “Sempre digo que se uma mulher erra, é porque não sabe, mas se um homem erra, foi engano. Por isso, me esforçava, me cobrava muito para não cometer erros. Temos que provar a cada dia que temos condições para falar de esporte. É uma batalha diária. Temos que ouvir rádio, ler jornal, estar conectadas o tempo todo três vezes mais que os homens”, salienta.

Sobre o papel das mulheres no esporte, Duda é clara: “Eu quero ver a mulher na reportagem, no campo, perguntando, presente também fora do estúdio, não só lendo TP [texto roteirizado para TV]. Acho ainda pouco para nós. Sempre curti estar no meio das coberturas especiais, como Copa do Mundo, Libertadores, Olimpíadas. Temos que fazer nosso próprio espaço”, aconselha.

Talk show ‘Mulher, Futebol e Sucesso’, com Duda Streb, Helena Basegio e Luiza Reis
Mediação: Mariana Oselame
Data: 19 de março de 2016
Hora: 10h
Local: Associação Riograndense de Imprensa
Av. Borges de Medeiros, 915 – 8º andar
Centro Histórico – Porto Alegre
Entrada Franca

Produção e texto: Bárbara Müller e Dominique Nunes

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Comentários

Um comentário sobre “O campinho é delas”

  1. thamara disse:

    Bárbara Müller e Dominique Nunes!!!!! Show de bola, gurias!!! Muito bom texto!

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